Memorias, No 25 (2015)

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ISSN Electronico 1794-8886
Volumen 25, enero - abril de 2015
DOI: http://dx.doi.org/10.14482/memor.25.1.6889


A viagem de Humboldt á América do Sul e urna nova ideia de paisagem:o seu impacto em Eschwege

El viaje de Humboldt a Sur América y una idea de paisaje:su impacto en Eschwege

Humboldt's trip to South America and a new idea of landscape: its impact on Eschwege

Ana Margarita Duarte Rodrigues

Investigadora Auxiliar do Centro Interuniversitário de Historia das Ciencias e Tecnologia, Faculdade de Ciencias, Universidade de Lisboa, 1749-016 Lisboa, Portugal. Editora da revista Gardens & Landscapes of Portugal: www.chaia_gardens_landscapesofportugal.uevora.pt/index%20home%20presentation.htm Mail: amnrodrigues@fc.ul.pt

Agradecimento

Quero expressar o meu agradecimento a Margarita Rodriguez por todo o apoio editorial prestado ao longo da realiza9áo deste artigo.


Resumo

A viagem de Alexander von Humboldt e do botanista Aimé Bonpland á América do Sul, realizada entre 1799 e 1804, constituiu um marco incortornável na historia da ciencia no seu sentido mais lato pois teve consequencias em praticamente todasáreas do saber. Depois de fazermosá áelacáo de Humboldt com Portugal, exámos um aspeto que tinha passado despercebido: a sua amizade cáo de Eschwege, arquiteto do palácio e parque da Pena em Sintra. Neste sentido, aproámos o estudo áo entre alguns textos de Humboldt escritos durante a viagem pela América do Sul e novas ideias de paisagem que ganhavam fólego no Velho Continente, as das paisagens sublimes, das quais o parque da Pena constitui um exemplo impar.

Palavras-chave: Alexander von Humboldt, Eschwege, América do Sul, Portugal, Paisagem, Sublime.


Resumen

El viaje de Alexander von Humboldt y del botánico Aimé Bonpland a América del Sur, realizado entre 1799 y 1804, constituye un hito fundamental para la historia de la ciencia, con consecuencias en prácticamente todas áreas del saber. Después de analizar la relación de Humboldt con Portugal, exploramos un hecho que ha pasado desapercibido: su amistad con el barón de Eschwege, arquitecto del palacio y parque de Pena en Sintra. En este sentido, este articulo profundiza en el conocimiento de la relación entre algunos textos de Humboldt escritos durante el viaje por América del Sur y las nuevas ideas que cobraban fuerza en el Viejo Continente, las de los paisajes pintorescos y sublimes.

Palabras claves: Alexander von Humboldt, Eschwege, América del Sur, Portugal, paisaje sublime.


Abstract

Alexander von Humboldt and the botanist Aimé Bonpland's trip to South America, made between 1799 and 1804, stood as an indisputable standard in the history of science in a broader sense because it had consequences in almost all areas of knowledge. After the revision of Humboldt's relationship with Portugal, I have explored one aspect that was left behind: his friendship with the Baron of Eschwege, architect of Pena's palace and park in Sintra. In view of this, I have deepened the study of the relationship between some Humboldt's texts written during his trip to South America and a new idea of landscape in vogue in the Old Continent, that of sublime landscapes of which Pena Park is a unique example.

Key-words: Alexander von Humboldt, Eschwege, South America, Portugal, Landscape, Sublime.


Alexander von Humboldt (1769-1859) é uma figura inquestionável da Historia da Ciencia por ter legado obra ñas mais diversas áreas do saber, mas também por relacioná-las entre si segundo a perspetiva de que tudo se encontra interligado no Cosmos. A obra de Humboldtá sempre na atualidade, precisamente pela sua capacidade em articular, com uma perspetiva transversal, disciplinas täo diferentes, tornando-o assim um dos últimos homens do Renascimento 1

Herdeiros de uma distinta e abastada familia prussiana, filhos de Alexander Georg von Humboldt(1720-1779) e da sua segunda esposa Maria Elizabeth von Colomb (1741-1796), Alexander e o seu irmáo Wilhelm (1767-1835) tiveram uma edáo privilegiada2 e foram as personalidades intelectuais do século, deixando o seu nome gravado na própria universidade de Berlim, que se denomina atualmente Humboldt-Universitat em memoria da craveira científica mundialmente reconhecida dos dois irmáos. Sem dúvida que foi a viagem realizada entre 1799 e 1804 no espaco do império, seguindo a rota das colónias espanholas na América do Sul, que marcará o destino de Alexander von Humboldt como o nome do século.

Desde a primeira metade do século XVIII que em Inglaterra se desenvolvia um novo tipo de paisagem, que vai ganhando diferentes contornos no continente europeu á medida que a práo teórica de Goethe (1749-1832), Schiller (1759-1805) e Schelling (1775-1854) que acompanha o movimento do Romanticismo se desenvolve. Partindo da sintese concretizada em Humboldt entre a mudança de paradigma nas paisagens que se procuram observar, que se procuram construir, e na pintura de paisagem, interessa-nos neste trabalho analisar as ideias cientificas de Humboldt sobre a natureza relacionadas com a estética e como foram interpretadas na representaçao da paisagem. Procurámos averiguar como a viagem, os textos, as ilustraçôes e as ideias naturalistas de Humboldt se relacionarao com um novo conceito de paisagem por duas vias: a da representaçao da paisagem na pintura e a de um novo conceito de jardim, oriundo da escola paisagista. Ao cruzar este conhecimento com a construçao da paisagem em Portugal no Romantismo deparámo-nos com um aspeto que passou despercebido à historiografia portuguesa e que nos parece pertinente para a difusao de uma nova ideia de paisagem em Portugal: a amizade e troca de informaçôes entre Humboldt e Eschwege (1777-1855), arquiteto do palácio de parque da Pena, em Sintra, ao serviço do rei de Portugal D. Fernando II (1816-1885).

Metodologia

Recentemente têm surgido importantes contributos que estabelecem a relaçao entre a viagem de Humboldt e Aimé Bonpland (1773-1858) na procura do conhecimento cientifico pelas rotas do império espanhol e as consequências dessa mesma viagem na representaçao da paisagem.3 O nosso interesse pela obra de Humboldt surge na consequência de trabalhos anteriores, nem todos relacionados uns com os outros, mas que permitiram sustentar a perplexidade e vontade de inquirir algumas problemáticas relacionadas com a obseáo de paisagens naturais, áo de paisagem cultural e representação de paisagem.4 A constatacáo da mudanca de paradigma no tipo de viagem empreendida por Humboldt, sobretudo ao nivel das circunstancias e dos interesses que o movem e das paisagens observadas, descritas e estudadas, e o facto de ser coincidente com o gosto por um novo tipo de jardim, o jardim de paisagem, suscitou algumas questoes:á que a áo de um novo tipo de paisagens se cruza de alguma forma como a onstruâão de novos tipos de paisagens? Ouá que Huá partilhava as ideias de Burke e Kant que apontavam as paisagens assombrosas (as grandes montanhas, os desertos e o oceano) como sublimes? E, encadeada nestas questoes que interessaram a distintos autores,5 uma outra questáo central assolava o nosso espirito:á que de alguma maneira estes factos que geograficamente oscilavam sobretudo entre a América do Sul e a Alemanha, se podiam cruzar com Portugal, nomeadamente com a paisagem romántica que viria a ser construida por D. Fernando II em Sintra?

A metodologia seguida para esta investigacáo partiu do estudo da bibliografía sobre o tema, sendo que a bibliografia produzida em Portugal ou escrita em portugués no Brasil é, face á diáo humboldtiana, reduzida;6 as nossas bibliotecas nao sao particularmente ricas em bibliografía sobre Humboldt, o que acreditamos ser compensado com o acesso aos artigos sobre o tema disponibilizados em bases bibliográficas em open access.7 O cerne desta investigaçao assenta assim nas fontes primárias de Humboldt disponibilizadas online8 , nomeadamente, o seu diàrio da viagem à América do Sul, a Vista das Cordilheiras, o Quadros da Natureza, e o Cosmos que permitem compreender quais as suas ideias sobre paisagem e sobre representaçao de paisagem.

No sentido de responder às questôes formuladas anteriormente deparámo-nos com alguns problemas metodológicos. Em primeiro lugar, a falta de acesso a outras fontes documentais sobre o Humboldt. Em segundo lugar, debatemo-nos com o facto de a história dos jardins e paisagem ainda nao estar devidamente cruzada ou inserida na história da cultura e da ciência e, como tal, ser difícil estabelecer as pontes que legitimamente se deduz existirem. Em suma, assumimos os trámites tacteantes da nossa investigaçao que parte da hipótese de as paisagens assombrosas vistas por Humboldt e as suas descriçôes científicas sobre as mesmas, divulgadas por toda a Europa, terem tido consequência na paisagem construída, como o tiveram na pintura de paisagem tal como foi reconhecido nos media de meados de Oitocentos.9 Com efeito, esperamos assim apontar as dependencias entre arte, ciencia e técnica e estabelecer as possíveis inter-relacoes entre o interesse despertado por assombrosas paisagens naturais, a propagacào do conceito de sublime e a construcào de um específico parque romántico em Portugal, devido às afinidades que a encomenda deste palácio tem com o círculo de Humboldt.

A historiografía portuguesa sobre Humboldt

Quando Humboldt regressa com o seu amigo botanista Aimé Bonpland (1773-1858) da América do Sul, tem um sucesso inigualável em todos os círculos intelectuais da Europa, ávidos por satisfazer a sua curiosidade pelo novo mundo. Recebia distincoes de todos e por tudo. Em Portugal, é-lhe outorgado o Hábito da Ordem de Cristo e foi convidado para ser sòcio da Academia Real das Ciéncias de Lisboa. Logo depois da sua morte, Antònio Filipe Simoes.10tece a primeira biografia em portugués de Humboldt e o lente da Escola Politécnica de Lisboa e secretário da dita academia, José Maria Latino Coelho (1825-1891), no seu Elogio será contundente:

É este nome um século. É este nome a pròpria historia da sciencia, durante todo o tempo, em que o sábio prussiano serviu com a infável actividade do seu espirito privilegiado a quasi toda a sciencia humana.11

Este discurso torna patente o reconhecimento em Portugal pela transversalidade e universalidade da figura de Humboldt como uma personalidade maior da Ciencia. É certo que nos círculos intelectuais portugueses, a figura de Humboldt foi admirada e aclamada mas, anteriormente, tinha existido alguma bibliografía portuguesa nao táo fável a Humboldt. Em primeiro lugar, porque este criticara Camoes acusando-o de falta de rigor científico na descricáo da Ilha dos Amores nos Lusíadas.12 e, em segundo lugar, por Humboldt nunca ter reconhecido o contributo dos Descobrimentos portugueses para a Historia internacional e para a Historia da Ciencia..13

Humboldt foi também olhado com alguma desconfianca pelas autoridades portuguesas. Munidos de um salvo-conduto passado pelos reis espanhóis que lhes permitia circularem livremente pelas colonias da Nova-Espanha, Humboldt e Bonpland tinham assim garantida a protecáo das autoridades em qualquer ponto do império espanhol. Contudo, durante a viagem pelo rio Negro, acabam por atingir territorio portugués, tendo as autoridades portuguesas emitido uma ordem para deter o estrangeiro por perigo de espionagem e propaganda de ideias liberais e anti-esclavagistas14.

Apesar de contarmos com alguns textos publicados em Portugal no século XIX sobre Humboldt, a bibliografia humboldtiana escrita em portugués encontra-se disseminada. Contudo, possivelmente seguindo a corrente internacional, nos últimos anos recrudesceu o interesse por Humboldt na academia portuguesa, com a publicacáo de alguns dos seus textos em portugués, traduzidos por Gabriela Cardoso.15 Com enfoque nas perspetivas humboldtianas sobre a natureza, destacando a viagem as regioes equinociais da América e incluindo extratos dos diários de viagem e o ácio da obra Cosmos (1844), esta obra tem o mérito de proporcionar em portugués alguns dos textos mais emblemáticos de Humboldt sobre a qáo da natureza e da repáo da paisagem. Um ano depois, a Universidade Católica Editora e o Centro de Estudos de Comunicacáo publicaram as atas do coloquio internacional organizado por Anabela Mendes e Gabriela Fragoso na Sociedade de Geografia de Lisboa, intituladas Garcia de Orta e Alexander von Humboldt,16 sugerindo, assim, a baliza cronologica e o sentido de curiosidade que levou os dois intelectuais a investigar, estudar e descrever espacos e civilizacoes extra-europeias.

Igualmente escrita em portugués, a Círculo de Leitores apresentou em 2013 a traducáo do livro de Ulli Kulke17 confirmando o interesse crescente que a figura de Humboldt tem gerado nos círculos académicos e de forma mais alargada no público em geral, sobretudo no que diz respeito a sua viagem pela rota do império espanhol.

As paisagens "esmagadoras" que Humboldt viu durante a viagem pela América do Sul

José Maria Latino Coelho no Elogio a Humboldt oferece uma perspicaz explicacào para o pulsar de Humboldt pela América do Sul:

Tres vezes tenta a viagem tao desejada da sua America. Tres vezes a fortuna Ihe desconcerta os planos mais ousados. Humboldt é um d'estes espiritos que, nao cabem no estreito horisonte da sua patria. As montanhas do seu paiz sao como as collinas, que mal encobrem uma aldèa. A Europa é para elle a miniatura da natureza. As arvores, que lhe ensombram o tecto natalicio, sao plantas rasteiras ao pé d'esta grandiosa e gigante vegetaqáo das regioes intertropicaes. As flores nao embalsamam o ar como ali com torrentes de perfumes. O Vesuvio é uma fornalha ao pé dos alterosos picos do Cotopaxi ou do Pichincha. Os rios náo tèm na Europa tempo de esquecer o nome do seu berqo, como o Orenoco, o Mississipi, o Amazonas. A paisagem europèa é quasi um painel de Watteau. Só nas regioes do Novo-mundo a paisagem se eleva ás magestosaás terriveis proporqòes de uma verdadeira scena da natureza.18

Desde 1500 que os Portugueses viajam para a América do Sul, por isso importa sublinhar que nào é só o destino que nos leva a distanciar a viagem de Humboldt do que se fizera até entào. É na intencào e/ou interesse em que assenta a mudanca de paradigma. Ele procura a natureza, mas nào é mais a paisagem descrita por Pero Vaz de Caminha (1450-1500), o famoso escrivào da armada de Pedro Alvares Cabral (c. 1467-c. 1520), quando avistou pela primeira vez solo sul-americano. A famosa viagem realizada entre 1799 e 180419 pelo sábio e viajante prussiano Alexander von Humboldt na companhia do seu amigo Bonpland a América do Sul, constituiu um ponto de viragem sob diversos pontos de vista.

Humboldt segué a rota do império espanhol e vai de encontró à paisagem assombrosa dos Andes, deixando claro logo à partida que existem regiöes do globo que apesar de se já tá estado, permanecem completamente desconhecidas, essencialmente porque nunca foram alvo da observaçào de um cientista.20 Em consequência da viagem publicou o seu trabalho monumental Voyage aux Régions Equinoxiales du Nouveau Continent (1805-1834)21 para revelar ao mundo os resultados destes cinco anos de investigaçào na América do Sul e México. Completamente diferente dos livros de viagens que descreviam o Grand-Tour e relatavam périplos pela Europa, centrados em Itália e nas maravilhas da Antiguidadássica, a Vue des Cordilléries (parte da Voyage), juntamente com a obra Die Alpen (1729) de Albrecht von Haller (1708-1777) e com a Voyages dans les Alpes (1779) de Horace Benedict de Saussure (1740-1799), inauguram uma nova linha de livros de viagens - das paisagens naturais incomensuráveis -, que ganham no final do século XVIII, principio do XIX, uma enorme importância pois vào de encontro a um novo gosto e a uma nova sensibilidade. Na senda destes autores, Humboldt na sua viagem inaugural pela Europa Central, já se tinha afastado do destino idealizado por muitos jovens do seu tempo - Roma e as suas Antiguidades - e detém-se nas paisagens naturais de que resultará a publicaçao Observaçôes sobre os Basaltos do Reno (1790). Humboldt sempre fascinado pelas belezas naturais, na sua obra Cosmos confessa que se sente admirado por, muito antes dele, os Romanos nao terem descrito as colunas de basalto que se encontram de modo tao variado no centro de França, nas margens do Reno e na Lombardia.22

Pouco depois surge a oportunidade de viajar para a América do Sul. A proposta é feita pelo almirante Louis Antoine de Bougainville23 (1729-1811), mas as guerras napoleónicas obrigam a expediçao a uma mudança de planos. Decidem, entao, seguir as tropas de Napoleao para o Egipto. Porém, o atraso do barco que os deveria levar de Marsella obriga-os a tomarem nova direçao e seguem para Esmirna. Em Espanha, conseguem uma audiencia com os reis e obtém um passaporte com o selo real, que Humboldt relacionará com a generosity and boldness that reflected honorably on the government and a philosophical age.24

Com o objectivo de descobrir a interaçao das forças da Natureza e as influencias que o ambiente geográfico exerce sobre a vida vegetal e animal, embarcam na Corunha, Espanha, a 5 de Junho de 1799 a bordo da corveta de guerra Pizarro numa viagem que só terminará cinco anos depois com a chegada a Bordéus, França, a 1 de Agosto de 1804. A primeira paragem é numa das ilhas das Canárias, onde defende com entusiasmo a criaçao de um jardim botànico em Tenerife como territòrio privilegiado para aclimatizaçao de plantas que vinham da Ásia, África e América do Sul para serem introduzidas na Europa, nomeadamente em Portugal.25

Daqui seguem para o México, mas acabam por aportar na cidade de Cumaná na Venezuela. Entre Junho de 1799 a Dezembro de 1800, a viagem prossegue entre a Venezuela e o Brasil. Em Caracas, visitam o cume do monte El Ávila e os vales dos rios Tuy e Aragua, atravessam os grandes llanos ou savanas do interior venezuelano e chegam à esmagadora visào do canal do Cassiquiare que une o rio Oricono com o rio Negro em plena bacia amazónica, deixando, pela primeira vez, descriçôes científicas de cada uma destas pungentes paisagens naturais.26

No primeiro capítulo sobre as estepes e os desertos de Quadros da Natureza,27

Humboldt descreve a impressâo que causa a paisagem do deserto depois de se posar os olhos sobre uma vegetaçâo luxuriante: O caminhante sai da abundância exuberante da vida orgànica e sente-se impressionado quando entra nos limites ermos de um deserto sem árvores e pobre em plantas. Nem monte, nem rochedo se erguem, como ilhéus, naquele espaço incomensurável.28

A extensào incomensurável do deserto é comparável por Humboldt ao oceano,29 por partilharem o mesmo sentimento de infinito, com uma única diferenca: a de estar privado do ondular do imenso espelho de água que é o mar.30Depois das estepes e desertos, Humboldt detém-se num outro tipo de paisagens assombrosas: as cataratas.31E, de todas estas paisagens arrebatadoras, tenta captar a impressào total.

De seguida väo para Cuba onde permanecem até Março de 1801. Antes de terem chegado a Havana, percorrem o rio Negro basicamente pelos territórios da América espanhola, mas também acabam por atingir território portugués. Ainda correram rumores de que Humboldt estaria em solo brasileiro como espiäo, mas o boato provou-se näo ter qualquer fundamento e a viagem dos dois cientistas prossegue para Cuba, onde Humboldt fica chocado com o esclavagismo em vigor nesta parte do mundo e horrorizado com a miséria humana aí observada e escreverá acérridamente sobre o tema.32

Segue-se, entäo, a parte principal e mais longa da viagem pela Colombia, Peru e Equador ao longo de dois anos. Partindo de Cartagena de las Indias na Colombia, percorrem todo o território da América Central até chegarem à cordilheira dos Andes. Na grande cadeia de montanhas que se estende ao longo da vertente ocidental da América do Sul, desde a Venezuela até à Terra do Fogo, viram cimos planos, de superficies sub-horizontais escalonadas a diversas altitudes, como se de uma montanha de terraços se tratasse. Durante este periodo, Humboldt e Bonpland dedicam-se ao estudo da relaçâo que existe entre a flora e o clima, consubstanciando assim o aparecimento da fitogeografia. Nos estudos de climatologia desenvolvidos neste periodo já utilizam o conceito das linhas isotérmicas (linhas curvas unindo locais com temperatura igual desenhadas sobre um mapa). Em Quito, no Equador, decidem escalar o vulcâo Chimborazo, do qual trazem os registos mais espectaculares até entâo conseguidos.33 Uma das razôes que mais contribuiu para isso foi terem batido o recorde mundial de altitude, conseguindo assim vistas e observaçôes nunca antes alcançadas, apesar de nâo terem alcançado o pico mais alto, o Illampu de 7014 metros. É deste terceiro periodo de viagem que resulta do texto Vues des Cordillières et monuments des peuples indigènes de l'Amerique editado, entre 1810 e 1813, em Paris, com 69 gravuras em cobre, algumas aguareladas, fazendo chegar até aos meios cultos da Europa noticias concretas sobre a riqueza etnográfica e cultural dos povos nativos da América do Sul e demonstrando que as civilizaçôes amerindias da América do Sul em nada tinham sido inferiores às suas contemporáneas da bacia mediterrânica, sobretudo no periodo medieval.

Em Abril de 1804, seguem para Cuba e Estados Unidos, onde permanecem até Agosto desse ano34. Data de 24 de Maio de 1804 uma carta para o presidente dos Estados Unidos da América, Thomas Jefferson, amigo de Humboldt,35 na qual ele elabora um resumo da sua viagem, elogia Bonpland e sublinha o que o motivou: My desire to be of use to the physical sciences and to study mankind in its different states of barbarism and culture inspired me in 1799 to undertake, at my own expense, an expetidion to the tropics.36 E durante essa expedicáo, descrita em 35 tomos, destacou-se o texto das Vistas das Cordilheiras, precisamente por revelar as paisagens assombrosas e incomensuráveis dos Andes.

As Vistas das Cordilheiras e uma nova ideia de paisagem

Quem coloca a Vista das Cordilheiras37de Humboldt como o texto inaugural do século38da escola do jardim de paisagem é o especialista Jean-Pierre Le Dantec.39 Porqué? Como é que a viagem de Humboldt, as paragens por ele observadas, e as suas ideias sobre paisagem influenciaram a escola paisagista?

Humboldt escreve no prefácio da primeira ediçâo da Vues des Cordillières et monuments des peuples indigènes de l'Amerique (1810):

É com alguma timidez que faço chegar ao público uma série de trabalhos nascidos da contemplaçâo dos grandes elementos naturais nos oceanos, nas florestas do Orinoco, nas estepes da Venezuela, na solidâo das montanhas peruanas e mexicanas. Alguns fragmentos foram escritos in loco, tendo-me eu limitado a fundi-los posteriormente num todo. Esforcei-me por alcançar os seguintes objectivos: fornecer uma visâo englobante da natureza, comprovar a existencia de um trabalho conjunto de energias, renovar o prazer que é dado ao homem sensível no contacto directo com as zonas tropicais. Era minha intençâo que cada um dos ensaios constituísse um todo fechado em si, e que todos eles revelassem uniformemente a mesma tendencia.40

O objectivo maior de Humboldt consiste em fazer progredir vários campos do saber, nào de forma isolada, mas sim interligados e em articulacào com o todo que é o pròprio universo. É, neste sentido, que se compreende a sua vontade de inserir todas as suas descobertas e resultados numa obra total. Com a ambicào de descrever o universo, Humboldt oferece à comunidade científica e ao leitor comum uma visào holística da Terra, enquanto organismo vivo, com estruturas interdependentes e solidárias umas com as outras. Sò assim se percebe como Humboldt conseguiu relacionar a geografia das cordilheiras dos Andes com a pintura de paisagem e a arte paisagista.

O pròprio Humboldt desenhava e pintava. É, aliás, no acto de desenhar a natureza que a maioria dos retratistas o prefere representar. Parece-nos evidente que Humboldt viu a paisagem tropical, a paisagem andina e a paisagem do deserto com os olhos de um pintor. Para Humboldt, para além dos seus interesses científicos, a pintura de paisagem adquiriu um papel relevante pois era um meio, cuja finalidade era despertar, no observador, o amor pelo conhecimento da natureza e, neste sentido, uma responsabilidade ecológica e cultural perante a paisagem.

Por todas estas razôes, Le Dantec irá afirmar que a obra de Humboldt foi decisiva em termos de paisagem: outre qu'elle en a assuré géographiquement la notion, elle a élargi la conscience de ses contemporains en faisant découvrir de nouveaux paysages de toute la planète (car Humboldt voyagea aussi en Asie centrale).41 Entre as imagens de paisagens incluidas na Vistas das Cordilheiras: pontes naturais do Icononzo (P. 63); Pirámide de Cholula (P. 96); vista do Chimborazo e do Carguairazo (P. 276);42 ponte de cordas de Pénipe (P. 187); vulcano de Torullo (P. 215); lago de Guatavita (P. 340)",43 Le Dantec escolhe para ilustrar o trecho do texto de Humboldt as pontes naturais de Icononzo. Pela descriçâo redigida por Humboldt destas mesmas pontes, conseguimos perceber a seleçâo de Le Dantec:

Parmi les scènes majesteuses et variées que présentent les Cordillères, les vallées sont ce qui frappe le plus l'imagination du voyageur européen. [...] Cette circonstance diminue, jusqu'à un certain point, l'impression de grandeur que produisent les masses colossales du Chimborazo, du Cotopaxi et de l'Antisana, vues des plateaux de Riobamba et de Quito. Mais il n'en est point des vallées comme des montagnes. Plus profondes et plus étroites que celles des Alpes et des Pyrénées, les vallées des Cordillères offrent les sites les plus sauvages et les plus propres à remplir l'âme d'admiration et d'effroi.44

Apesar da preferencia de Humboldt por vales profundos e escarpados, Chimborazo - o mais emblemático vulcào da Cordilheira Ocidental dos Andes, atualmente inactivo -tornou-se a imagem simbòlica da expedicào científica de Humboldt à América do Sul e a visào do impèrio. No seu último ano de vida, o pintor alemào Julius Friedrich Anton Schrader (1815-1900), professor da Academia de Berlim, realiza o retrato de Humboldt de caderno sobre os joelhos com caneta na mào a registar as suas observacòes, com Chimborazo em pano de fundo.

Em 23 de Junho de 1802, Alexander von Humboldt, Aimé Bonpland, Carlos Montúfar e tres guias escalam o pico andino Monte Chimborazo,45 que se pensava entào ser o mais alto do mundo. A descricào desta parte da viagem foi publicada em 1837, depois de se ter descoberto que os Himalaias eram efetivamente a montanha mais alta do mundo. Contudo, Chimborazo foi divulgado iconograficamente muito antes. A primeira representacào de Chimborazo - uma gravura46 baseada num desenho de 1803 -, evidenciava as zonas de vegetaçâo e climatéricas, glaciares, erupçôes vulcânicas, nomes de plantas, observaçôes geológicas e meteorológicas, e medidas da altitude dos vulcôes andinos Cotopaxi e Chimborazo. Um dos aspetos mais originais desta imagem sâo os nomes botánicos inseridos horizontalmente, na diagonal e representando plantas que Humboldt encontrou e catalogou nárias altitudes, dando inicio à fitografía. Caroline Schaumann47 sublinha o facto de Humboldt ter resistido à leitura comparativa, de olhar para o novo mundo como um espelho do velho mundo e de nâo ter a Europa como ponto de referencia, mas ter exclusivamente representado o pico andino.48

Ciente do interesse do público na sua escalada e no que observou e registou, Humboldt deixa no seu ensaio um certo mistério entre o que é dito e o que fica por dizer, oscilando entre a imagem do sucesso e do falhanco, entre a grandiosidade e a humildade, numa linguagem repleta de superlativos e ao mesmo tempo negando-os. Por exemplo, nega sempre que tenha atingido o topo da montanha quando na Europa já se anunciava e comemorava o facto. Segundo Caroline Schaumann, Humboldt nào deixa antever todo o alcance científico da sua expedicào, pois há muito que fica ao critério da imaginacào do leitor.49

Humboldt tentava aliar ciencia e representacào das paisagens e dos monumentos pois num capítulo da sua grande obra Cosmos intitulado Influencia da pintura de paisagem sobre o estudo da natureza, ele escreve: Nós acreditamos que a pintura de paisagem deve apontar aquilo que ainda nao vimos50 Humboldt queria dar a conhecer através da arte a regiào dos trópicos àqueles que nunca a tinham visto. Esta será a sua primeira grande ideia sobre pintura de paisagem, pois nas suas palavras Fazer esquissos face a cenas da natureza é o único meio de poder, no retorno de uma viagem, retratar o carácter das características longínquas, nas paisagens representadas.51

Humboldt cruza estética e ciencias naturais e reconhece tratar-se de um desafio difícil, pois a beleza que rodeia o observador fazem nascer no seu espírito uma série de imagens parciais que perturbam a serenidade e o efeito geral do quadro, a sua impressào total.52 Tratou-se, sem dúvida, da figura que mais valorizou, sob o ponto de vista estético, as paisagens incumensuráveis da América e que permaneciam praticamente desconhecidas aos olhos dos europeus, levando Gabriel Giraldo Jaramillo a escrever sobre Humboldt y el descubrimiento estético de América53

Neste sentido, em Alexander von Humboldt, a categoria estética do sublime manifesta-se na sua maneira de pensar e na sua postura perante a beleza e a natureza, que se expressa especialmente na observacäo das altas montanhas, aproximando-se dos conceitos veiculados por Kant no seu ensaio Observaqöes sobre o sentimento do belo e do sublime (1764). Kant considera que a visäo de montanhas com cumes cobertos de neve que se elevam acima das nuvens produz em nós uma emocáo de agrado e ao mesmo tempo de terror, o que é corroborado por Humboldt, já imbuido do sentimentoántico pela Naturphilosophie, Filosofía da Natureza:

The feeling of the sublime [...] stand on some lonely mountain summit enveloped in the half-transparent vapory vail of the atmosphere, or by the aid of powerful optical instruments scan the regions of space, and see the remote nebulous mass resolve itself into worlds of stars.54

A obra de Humboldt foi decisiva em termos de paisagem: náo só em termos do rigor científico exigido á represeáo da paisagem; das novas espécies dadas a conhecer aos Europeus; mas, sobretudo, porque alargou geograficamente a nocáo de paisagem fazendo os seus conteáneos descobrir novas paisagens em todo o planeta. Para além disso, estimula e é estimulado pelo sentimento do sublime perante as novas paisagens assombrosas de montanhas e vulcoes, de profundas escarpas e desfiladeiros, de estepes e desertos, construindo através da sua escrita de viagens, imagens e textos inaugurais do jardim de paisagem. Os textos de Humboldt participam na emergencia da leitura científica da paisagem em que o ato de medir, de estudar, de avaliar permitem racionalizar o sublime como incomensurável: aquilo queá para além da capacidade de medir do homem. Até que ponto as novidades de Humboldt teráo tido impacto em Portugal?

A relacáo entre Humboldt e Eschwege

Wilhelm Ludwig von Eschwege (1777-1855), baráo de Eschwege,55foi contratado por D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha (1816-1885), marido da rainha de Portugal D. Maria II (1819-1853), para com ele, projetarem o palácio e parque da Pena em Sintra, no qual o engenheiro alemào passa depois a viver num quarto.56

D. Fernando II terá convidado Eschwege porque a construcäo do palácio naquele local de penedos da Serra de Sintra exigia os seus conhecimentos de geologia.57 Se reconhecemos D. Fernando particularmente sensível a Goethe, Schiller e Burke (1729-1797), a verdade é que o barào de Eschwege também fazia parte do mesmo círculo alemào adepto da Naturphilosophie. Para além disso, vivera na América do Sul e era amigo de Alexander von Humboldt e, nesse sentido, recetor privilegiado dos acontecimentos e descobertas científicas e artísticas alcancadas por Humboldt e Bonpland na América do Sul. Joào Antonio de Paula considera que Humboldt é o homem de ciènciaque talvez mais tenha influenciado Eschwege58 Na verdade, se a bibliografia produzida sobre Portugal por Eschwege é essencialmente relativa à questào das minas,59 o seu Diàrio do Brasil aproxima-se muito do que Humboldt escreveu durante a sua rota pelo império espanhol, dedicando algumas páginas a uma tribo selvagem dos indios coroados; a corrigir alguns erros sobre a geografia do Brasil; a indicar quais os importantes remédios vegetais encontrados (tal como Humboldt escreveu sobre o veneno curare); a registar importantes observares meteorológicas; e a escrever sobre os metais preciosos assim como sobre a botànica. A influencia de Humboldt também se faz sentir na sua obra Brasil, Novo Mundo, em resultado da estadia de Eschwege durante onze anos no Brasil e na qual descreve peripécias de viagem, aldeamentos de índios, descoberta de diamantes, o fenómeno da maré montante e as rochas encontradas.60 Retomando o texto de Joào Antonio de Paula, este acrescenta que Humboldt é, em mais de um sentido, um exemplo e um estímulo61 para Eschwege. E, apesar de o autor citar sobretudo os livros sobre a politica de Cuba como influentes para Eschwege, porque era o assunto que mais lhe interessava, acreditamos que a influencia de Humboldt sobre Eschwege foi mais vasta e que pode explicar de algum modo como o diretor de minas, a dada altura da sua vida, acabava por criar, juntamente com o encomendador, é certo, uma das obras-primas do Romantismo europeu de influencia alema, nao só na arquitetura, mas na criacao de paisagem cultural. Quando Humboldt viajava pela América do Sul, em 1803, Eschwege chegava a Portugal, encarregado dos servicos metalúrgicos nas minas de ferro e fornos do Alge. Mas depois das invasöes francesas foi para o Brasil trabalhar como especialista e diretor das minas do ouro. É desta altura que os maiores contributos sobre a geografia do Brasil realizados por Eschwege devem ter sido dados sob a forma de manuscrito a Humboldt.62

No seu diàrio de viagem, Humboldt utiliza muitas vezes conhecimentos e dados recolhidos pelo barao de Eschwege, que identifica como sendo o director geral das minas de ouro da provincia de Minas Gerais, como, por exemplo, as medidas barométricas e as observacöes realizadas em diferentes partes do Brasil.63 Humboldt também utiliza os registos e observacöes de Eschwege a propósito do clima64 e cita Eschwege sempre que tem de descrever o Brasil, como a cordilheira Serra do Mar, a nordeste do Rio de Janeiro;65 a Serra do Espinhaco, que diz ainda ser considerada por Eschwege como a principal de toda a estrutura das montanhas do Brasil;66 ou a Serra dos Vertentes.67 Humboldt também cita Eschwege a propósito de algumas plantacöes, pois diz que o seu conterráneo tinha obtido informacöes precisas sobre cultivadores espanhóis que tinham ido de Cochabamba para Villabella68 e utiliza obviamente os conhecimentos de Eschwege sobre os minerais que este identificou no Brasil.69

Ora, como Eschwege só foi para o Brasil depois de Humboldt ter regressado da viagem à América do Sul em 1804, estes dados só podem ter sido acrescentados posteriormente ao seu diàrio de viagem, confirmando a troca de manuscritos que terà existido entre eles.

Na carta datada de 16 de Dezembro de 1845 ao brigadeiro do conselho de D. Joào VI, Marino Miguel Franzini (1779-1861), Wilhelm Ludwig von Eschwege refere-se à obra "Cosmos" de Alexander von Humboldt. Ficamos a saber por este documento que Eschwege nào era só um interlocutor privilegiado de Humboldt mas tinha, aliàs, traduzido e estudado trechos da sua obra do alemào para portugués com a finalidade de serem lidos alto na Academia Real das Ciéncias de Lisboa:

Illmo Sr. M. M. Franzini Meu prezado am. Aqui remetto a V. S. A continuagáo e o fim da traduzam do extracto do kosmos, e deste modo ganhara tempo para a coáo dos defeitos da linguagem p. a ler na Academia e p. Fazer 70imprimir depois na Revista. Falei ao Conde do Lavradio que veio outro dia comigo p. Cintra da d.ta obra, e elle esta com mtos desejos de saber alguma coisa della, principal.te conhecendo elle pessoalm.te o Humboldt. Se o tempo se conservar tam bonito, parece me que nao irei a Lisboa nos dias Santos, e so irei as vesperas do anno bom [...]

Estes documentos inéditos provam a admiracào de Eschwege pela obra de Humboldt, que recebia em primeira mào a obra de Humboldt e era a personalidade que a traduzia para a Academia das Ciéncias de Lisboa, para além da longa troca de conhecimentos científicos entre os dois. Em vista de todas estas razòes parece-me que o alcance da obra de Humboldt que fez Le Dantec identificar como paradigmática para a construcào de jardim de paisagem, teve todos os canais para ter impacto na obra de Eschwege enquanto arquiteto do parque e palàcio da Pena, que se ergue como o pico de uma montanha escarpada e pontuada de penedos.

Na obra de Jorge Muchagato, que publica toda a documentacào sobre o Palàcio e Parque da Pena, hà dois documentos publicados sobre Eschwege e os trabalhos da Pena: um em que ele dà ordens a mestre Joào Henriques para orientar os trabalhos na sua auséncia e, outro que revela uma desavenca com Joaquim Narciso Possidónio da Silva sobre a direccào das obras no Palàcio da Pena, em que Eschwege afirma o que respeita a construgáo de Edificios me lisonjeo ter eu mais pratico para saber o que convem áo.71Somam-se a estes, as cartas aqui publicadas, pelo que face ao momento actual da investigacào é impossível apresentar provas definitivas sobre como a influéncia da viagem de Humboldt à América do Sul na escola paisagista ligada ao sublime teve consequéncias na construcao do Palácio e Parque da Pena, nomeadamente através do seu arquitecto, o barao de Eschwege, que o construiu em co-autoria com o rei artista. Parece-nos, no entanto, legítimo apresentar esta hipótese de investigacao, dada a descoberta de um relacionamento continuo entre Humboldt e Eschwege.

Conclusáo

Em jeito de conclusao, mas sem fechar a discussao, podemos dizer que catapultámos para a discussao sobre as influéncias da construcao paisagística de Sintra em Oitocentos uma figura maior da Ciéncia. Esta questao deve ser encarada sem relacao causa-consequéncia, mas sob um ponto de vista em que tudo está interligaá boa maneira humboldtiana. A formacao de Eschwege nao era a de arquiteto e, no entanto, a obra que aparece sob os nossos olhos nao é propriamente a de um curioso. É uma obra atualizada face ás grandes correntes teórico-filosóficas e arquitectónicas do seu tempo, e ao mesmo tempo única no que diz respeito ao entendimento do genius loci, que é, para quem conhece Sintra, a imagem paisagística por exceléncia do sublime, como já fora descrita por Carl Israel Ruders, a vista de, prazer e terror.72

Acreditamos que a partilha dos princípios filosóficos e dos conceitos artísticos do círculo da Naturphilosophie a que Goethe, Humboldt e Eschwege pertenciam na senda de Kant e Burke, constitui a circunstancia vital para compreender o arrojo artístico e profundidade técnica e conceptual que permitiu depois de uma vida como diretor de minas, construir o espaco da Pena. O parque e palácio da Pena consubstanciam o momento em que ocorreu o desenhar/construir paisagem a partir da mediacao científica em Portugal.

As inter-relacoes e as conexoes existentes ou concomitentes entre a viagem filosófica de Humboldt à América do Sul e uma nova ideia de paisagem sào os eixos em que ancora o estudo deste caso em que arte e ciéncia concorrem e se complementam ao mesmo tempo. Mas a questào nova deste trabalho foi apontar por que vias esta viagem parece ter contagiado Eschwege. A verdade é que ele próprio fora protagonista de um périplo pela América do Sul, mas desta feita na rota do império portugués. Amigo como fora de Humboldt, com quem se terà encontrado em Paris em 1821, absorveu a sua obra de forma até a querer seguir-lhe as pisadas e, sobretudo, partilhava em pano de fundo toda a construcào teórico-filosófica que tinha nascido e progredido por terras e culturas germánicas. Ao descrever as suas impressoes sobre as florestas da América do Sul, Humboldt diz que se o viajante

for sensível às belezas paisagísticas, terá dificuldade em exprimir sentimentos que o assaltaáo sabe o que o fascina mais e o que mais estimula o seu assombro: se a serena calma do isolamento, se a beleza individual e o contraste de formas, se a pujanqa e o viqo do mundo vegetal característicos do clima das zonas tropicais.73

O esmagamento causado pela frieza dos Alpes foi substituido pelo assombro causado pelas estepes, pela vegetacào luxuriante, pelos vales profundos e rochosos e cordilheiras com picos achatados da paisagem da América do Sul. O sublime ganha aqui os fortes contrastes da paisagem exuberante e dos penedos escarpados e foi com estes valores románticos que se construiram o palàcio e parque da Pena em Sintra.

Manuscritos

Biblioteca Nacional de Portugal, MSS. 261, n° 43/21

Biblioteca Nacional de Portugal, MSS. 261, n° 43/22.


Notas

1Como o considera Wayne Ruwet. Review on Voyage aux Régions Equinoxiales du Nouveau Continent. Vols. XV-XVI. Vue des Cordillères et monuments des peoples indigenes de l'Amérique. In The Hispanic American Historical Review. Vol. 54, n° 3. Aug., 1974. P. 511.
2Desde os catorze anos de idade que Alexander vivia em Berlim para dar continuidade aos estudos e poucos anos depois frequentou as universidades de Frankfurt e Gottingen. A passagem por esta universidade teria um papel determinante no seu percurso pois foi discípulo do antropólogo e zoólogo alemäo Johann Friedrich Blumenbach (1752-1840) e do arqueólogo da mesma nacionalidade Christian Gottlob Heyne (1729-1812). Acabou por desenvolver estudos nas mais diversas disciplinas científicas e sob a influencia do botanista alemäo Karl Sigismund Kunth (1788-1850), do linguista alemäo Joachim Heinrich Campe (1746-1818) e do naturalista alemäo Johann Reinhold Forster (1729-1798), desenvolve a sua paixäo por viajar, observar e registar os fenómenos naturais. Sobre a biografia de Alexander von Humboldt, destacamos as obras de Jeffrey A. Fortin e Mark Meuwese (eds.). Atlantic biographies: individuals and peoples in the Atlantic world. Briil. Leiden, Boston, 2014; Bénédicte Savoy e David Blankenstein (eds.). Les frères Humboldt, l'Europe de l'esprit. PSL Research University/Jean-Pierre de Monza. Paris, [2014]; e Thomas Richter. Alexander von Humboldt. Rowohlt Taschenbuch Verlag. Reinbeck, 2009. É de referir que a grande maioria das biografias encontram-se publicadas em lingua alemä e, como tal, inacessíveis a grande parte da comunidade científica.
3Destacam-se AAVV, Unity of nature: Alexander von Humboldt and the Americas. Americas Society/Kerber. New York, Bielefeld, 2014, com alguns capítulos especificamente dedicados á relacao entre a viagem de Humboldt e os estudos de paisagem, como o de Pablo Diener sobre "The picturesque atlas: the landscape illustrations in Alexander von Humboldt's views of the Cordilleras and monuments of the indigenous peoples of the Americas". Bonnie Roos e Alex Hunt (ed.). Postcolonial green: environmental politics & world narratives. University of Virginia Press. Charlottesville, 2010, que inclui o capítulo de Rachel Stein sobre "South America and the Caribbean. Performing tropics: Alexander von Humboldt's Ansichten der natur and the colonial roots of nature writing". Jorge Canizares-Esguerra. Nature, empire, and nation: explorations of the history of science in the Iberian world. Stanford University Press. Stanford, 2006. David Philip Miller and Peter Hanns Reill (eds.). Visions of empire: voyages, botany, and representations of nature. Cambridge University Press. Cambridge, 1996, que inclui o capítulo de Barbara M. Stafford intitulado "Global physics and aesthetic empire: Humboldt's physical portrait of the tropics".
4Os trabalhos anteriores que suportam ou facilitaram este estudo foram os seguintes: Ana Duarte Rodrigues. Roma para quem nao foi a Roma: as ideias e as imagens do centro da Cristandade nos guias ás Antiguidades Romanas. In: Arte & Viagem (coord. Margarida Acciaiuoli e Ana Duarte Rodrigues). IHA. Lisboa, 2012. P. 49-62, dedicado á divulgacao da artássica em "guias turísticos". Roma e as suas antiguidades constituíam o principal móbil de viagem durante a Idade Moderna. Recentemente o estudo sobre a percecao da paisagem brasileira durante a Idade Moderna, permite-nos afirmar que a observacao, a motivacao e o enfoque de Humboldt sao completamente diferentes da percecao que se tinha da paisagem, pois nao se conseguiam libertar da comparacao com a Europa. Humboldt resiste a isso e observa o Novo Continente per si. Cf. Ana Duarte Rodrigues. The role of nature and property to convey landscape perception of Brazilian territories. In: Property Rights, Land and Territory in the European Overseas Empires. CEHC-IUL. Lisboa, 2014 (no prelo). Sobre a paisagem de Sintra e a sua percecao, o nosso livro Os Jardins de Sintra dos Sáculos XVII e XVII I/17th and 18th centuries Sintra's gardens. CHAIA. Évora, 2014 e o artigo "Sintra's privileged picturesque landscapes offered by 19th century photography". In: Fotografia-Investigacao-Arquivo. Museu Nacional do Teatro e CHAIA. Lisboa, 2014 (no prelo), sustentam o conhecimento sobre a construcao da paisagem de Sintra ao longo do tempo. Finalmente, a conferencia apresentada no Ciclo de Seminários sobre Escrita de Viagens organizado pelo CECL/FCSH em 2012 e intitulada "A vista das cordilheiras da Amárica do Sul e uma nova ideia de paisagem em Vue des Coráres et Monuments des Peuples Indigéns de l'Amárique, de Alexander von Humboldt", constitui o início do trabalho agora apresentado.
5Como Antonio Vitte e Roberison Wittgenstein Dias da Silveira. Ciencia e Estática na ciencia humboldtiana e os fundamentos da geografia física moderna. In: CLIMEP. Climatologia e estudos da paisagem. Vol. 1. 2011. P. 94-117; e do mesmo autor com Kalina S. Springer. A ciencia humboldtiana: entre a sensibilidade e a mensuracao na genesa da geografia física. In: Revista do Departamento de Geografia (USP). Vol. 21, 2011. P. 167-177; e dos mesmos autores com R. W. Silveira, Josevan Dutra dos Santos. Ciencia e estática na ciencia humboldtiana e os fundamentos da Geografia Física moderna. In: Geosul. Vol. 27, 2012. P. 7-32.
6 Depois de alguns textos publicados em Portugal no sáculo XIX sobre Humboldt, pode-se dizer que só nos últimos anos recrudesceu o interesse por Humboldt, como demonstramos no capítulo que se segue.
7Por exemplo, destaca-se a publicacao de uma autora brasileira numa das mais prestigiadas revistas de História da Ciencia e que demonstra cabalmente a rede internacional de contactos de Humboldt e como as suas descobertas chegaram aos mais diversos círculos intelectuais europeus, nao sendo a rececao das ideias de Humboldt por Eschwege nada mais do que um exemplo desta rede de contactos: Regina Horta Duarte. Between the National and the Universal: Natural History Networks in Latin America in the Nineteenth and Twentieth Centuries. In Isis, vol. 104, n° 4. December 2013. P. 777-787.
8Que foram por nós consultadas em ingles: Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1804; Aspects of Nature; Cosmos: a sketch of a physical description of the universe; and Selections from a works of the Baron de Humboldt (http://www.avhumboldt.net/humboldt/publications/), na Humboldt Digital Library (http://www.avhumboldt.net/index.php?page=138). A Dynamic Digital Library permite visualizar as suas viagens (http://www.avhumboldt.net/googlemaps/googlemaps.html).
9Por exemplo, veja-se corno o jornal The Crayon noticia as ideias de Humboldt sobre pintura de paisagem: "Humboldt on Landscape Painting - As fresh and vivid descriptions of natural scenes and objects are suited to enhance a love for the study of nature, so, also, is landscape painting. Both show to us the external world in all its rich variety of forms, and both are capable, in various degrees, according as they are more or less happily conceived, of linking together the outward and inward world. It is the tendency to form such links which marks the last and highest aim of representative art; but the scientific object to which these pages are devoted, restricts them to a different point of view, and landscape painting can be here considered only as it brings before us the characteristic physiognomy of different portions of the earth's surface, as it increases the longing desire for distant voyages, and as, in a manner equally instructive and agreeable, it incites to fuller intercourse with nature in her freedom." (The Crayon, 1855, vol. 1, n° 13. P. 199).
10António Filipe Simoes. Alexandre de Humboldt. In: O Instituto. Vol. 8. Coimbra, 1860.
11José Maria Latino Coelho. Elogio do Barào de Humboldt lido na sessào publica da Academia Real das Sciencias de Lisboa em 10 de Marco de 1861. Typ. Da Academia. Lisboa, 1861. P. 3.
12Diz Humboldt no Cosmos que "O episodio da ilha encantada, diz elle, offerece na verdade a mais graciosa de todas as paysagens; mas a sua decoraçao só se compôe, como convem a uma ilha de Vénus, de myrtos, cidreiras, romanzeiras e limoeiros odoríferos, tudo arbustos proprios do clima da Europa meridional" (José Gomes Monteiro. Carta do Illmo Snr. Thomaz Norton, sobre a situaçao da Ilha de Venus e em defeza de Camôes contra uma arguiçao que na sua obra intitulada Cosmos lhe faz. Na Typ. De S. J. Pereira. Porto, 1849. P. 6). A obsessao de Humboldt pela verdade científica na representaçao artística explica a sua crítica a Camôes. Humboldt considera Camôes um pintor da natureza, admirável quando descreve os fenómenos do Oceano, mas com falta de rigor científico na descriçâo das espécies botánicas da Ilha dos Amores. O escritor José Gomes Monteiro (1807-1879) escreve uma carta ao conselheiro Tomás Norton (1804-1860) em que refuta a crítica de Humboldt a Camôes. O conselheiro Tomás Norton deve ter ficado revoltado com a crítica de Humboldt porque era um verdadeiro aficionado de Camôes, contando a sua biblioteca mais de cinquenta tomos dos Lusíadas (com ediçôes entre 1572 e 1857) ou sobre Camôes, o que terá motivado a carta explanatória de José Gomes Monteiro. Cf. Catalogo da Livraria do fallecido Conselheiro Thomaz Norton. Typ. De Sebastiao José Pereira. Porto, 1860. O autor do Cosmos, apesar de nâo partilhar a opiniao de Sismondi, segundo o qual as viagens de Camôes pouco ou nada teriam enriquecido a sua poesia, adopta contudo a censura deste crítico na parte que se refere á ausencia da vegetaçao tropical nas descriçôes dos Lusíadas. José Gomes Monteiro irá mostrar que Camôes tem como base referentes reais e que aquelas espécies que parecem típicas de zonas meridionais, também existem numa ilha do Oceano Indico, na costa oriental de África: em Zanzibar. Descreve assim as plantas que aí existem: "Sao estas a laranjeira, a cidreira, o limoeiro, a amoreira, o pecegueiro, a romanzeira, a videira, o ulmeiro e o myrto" (José Gomes Monteiro. Op. cit. P. 35). O historiador dedicado à história das instituiçôes culturais e científicas em Portugal, também ele sócio efetivo da Academia Real das Ciencias de Lisboa, José Silvestre Ribeiro (1807-1891) escreveu à laia de comparaçao, Os Lusíadas e o Cosmos ou Camôes considerado por Humboldt como admirável pintor da natureza. Imprensa Nacional. Lisboa, 1853, com 2§ ediçao em 1858. Quase um século depois, Luís de Pina vem novamente em defesa de Humboldt, identificando todas as passagens elogiosas que este teceu sobre Camôes como admirável pintor do Oceano e igualmente desculpando Humboldt por nao ter dados no seu tempo que lhe permitissem perceber o valor determinante dos portugueses para os Descobrimentos. Cf. Luís de Pina. A universalidade de Alexandre de Humboldt na história da cultura. Centro de Estudos Humanísticos. Porto, 1959.
13Luciano Pereira da Silva e Joaquim Bensaúde provaram que a tese de Humboldt que reivindicava para os alemaes Behaim e Regiomontanus um papel pioneiro nos Descobrimentos estava errada e argumentaram perante a comunidade científica que esse papel pertencia aos portugueses. Cf. Joaquim Bensaúde. Les légendes allemandes sur l'histoire des découvertes maritimes portugaises: réponse A. M. Hermann Wagner. Impr. A. Kundig. Genève, 1917-1920.
14"um certo barào von Humboldt, nascido em Berlim, tem viajado pelo interior da América fazendo observacoes. geográficas para a correccào de alguns erros em mapas existentes, e colecta de plantas (...) um estrangeiro que, sob tal pretexto, talvez possivelmente esconda planos para espalhar novas ideias e principios perigosos entre os fiéis súbditos deste reino. Sua Excelencia deve investigar imediatamente (...) pois pode ser extremamente danoso para os interesses da Coroa de Portugal se esse for o caso". Também narrado por Brasil, Novo Mundo. W. L. Von Eschwege. Fundacào Joào Pinheiro. Belo Horizonte, 1996. P. 20.
15Alexander von Humboldt e Gabriela Cardoso (trad. e apres.). Pinturas da natureza: uma antologia. Assirio & Alvim. Lisboa, 2007. Sempre que possivel, utilizaremos as traducoes incluidas nesta antologia
16Anabela Mendes (org.). Garcia de Orta e Alexander von Humboldt. Universidade Católica Editora. Lisboa, 2008.
17Ulli Kulke. Alexander von Humboldt: viagem à América do Sul. Circulo de Leitores. [Lisboa], 2013.
18José Maria Latino Coelho. Op. Cit. P. 9.
19Um mapa da viagem encontra-se disponível na Humboldt Digital Library e também no livo AAVV. Unity of nature: Alexander von Humboldt and the Americas. Ob. Cit. Sobre a viagem ver Mariano Cuesta Domingo. Alexander von Humboldt: estancia en Espana y viaje americano. Real Sociedad Geográfica. Madrid, 2008.
20"It were erroneous to believe, that countries, because they have been already visited, are therefore known. A penetrating and capacious mind finds every where new materials for observation. The work, of which I now offer the translation to the public, relates to regions of which the greater part have never till now been described by a scientific and learned traveler. A few botanists had indeed herbalized along those distant coasts, and added some riches to the vegetable world. La Condamine, Don Jorge Juan, and Bouger, scaled the lofty Andes; but it was only to measure their height, and make astronomical observations. Their journals, which date farther back than half a century, were written when geology did not exist as a science, and the physical structure of those giants of our Globe was yet unknown".In Humboldt, Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1804,http://www.avhumboldt.net/humboldt/publications/paragraph/did/3/vid/1/cid/1/tid/4/text/It-were-erroneous-to-believe-that-countries-because-they-have-been-already-visited-are-therefore- Vol. 1. Consultado em
21A descricao desta viagem será publicada como Voyage aux régions équinoxiales du nouveau continent, fair en 1799, 1800, 1801, 1802, 1803 et 1804, par Al. De Humboldt et A. Bonpland. F. Schoell. Paris, 1805-1834. Durante os cinco anos da sua viagem pela Venezuela, Cuba, Colombia, Equador, Perú e México, Humboldt realizou inumeráveis desenhos que vieram a ilustrar os trinta e cinco tomos da sua obra e que revelam os motivos paisagísticos, topográficos, geológicos, botánicos, zoológicos, arqueológicos das civilizares pré-hispánicas, entre outros. É nesta situacao que será retratado em 1806 por Friedrich Georg Weitsch (1758-1828), director da Academia de Arte de Berlim, numa paisagem idealizada da floresta tropical, de caderno aberto sobre os joelhos. Este retrato explana visualmente a alianca entre ciencia e arte na senda de conhecer toda a realidade do Cosmos. Devido ao custo da edicao original da obra Voyage e do longo período de publicacao, só algumas institutes tem a obra completa original. Atualmente está online em ingles na Humboldt Digital Library.
22Humboldt e Gabriela Cardoso (trad. e apres.). Pinturas da natureza...Op. Cit. P. 157.
23Descreve o Taiti no seu livro de 1771 Voyage autour du Monde, no qual Bougainville ofereceu a visâo de um paraíso terrestre onde homens e mulheres viviam felizes, em completa inocência, longe da corrupçâo da civilizaçâo (um quadro que será depois pintado por Gauguin). Ele ilustrou o conceito de "nobre selvagem", e influenciou as ideias utópicas de filósofos como Jean-Jacques Rousseau antes do advento da Revoluçâo francesa. Ver Hyacinthe de Bougainville, Album pittoresque de la frégate Thétis et de la courvette l'Espérance. Collections de dessins relatifs au voyage... sous les ordres de M. Le Baron de Bougainville. Chez Bulla. Paris, 1828.
24Como Humboldt dirá no seu relatório da viagem, enviado quando deixava os EUA para a Europa e cujo manuscrito terá chegado antes dele. (http://www.avhumboldt.net/avhdata/Philadelphia%20Abstract/1/Complete/1 complete.pdf). O relatório encontra-se escrito na terceira pessoa, apesar de ter sido feito por Humboldt porque destinava-se a ser publicado num jornal.
25 The establishment of a botanical garden at Teneriffe is a very happy idea, on account of the double influence, which it may have on the progress of botany, and on the introduction of useful plants into Europe. For the first idea we have of it we are indebted to the Marquis de Nava, whose name deserves to be recorded with that of Mr. Poivre, and who, habitually engaged in doing good, has made a noble use of his fortune. He undertook, at an enormous expense, to level the hill of Durasno, which now rises as an amphitheatre, and which was begun to be planted in 1795. The marquis thought, that the Canary islands, from the mildness of their climate and geographical position, afforded the most suitable place for naturalizing the productions of the two Indies, and serving as a repository to habituate the plants gradually to the colder temperature of the south of Europe. In fact, the plants of Asia, Africa, and South America, may easily be brought to Orotava; and in order to introduce the bark-tree into Sicily, Portugal, or Grenada, it should be first planted at Durasno, or at Laguna, and the shoots of this tree may afterwards be transported into Europe from the Canaries. (...) We found in it a well-informed gardener, who had been brought up under Mr. Aiton, director of the royal garden at Kew. The earth is raised in terraces, and watered by a natural spring. It has a view of the island of Palma, which appears like a castle in the midst of the ocean.". In Humboldt, Personal Narratives, Chapter II, parágrafo 141, consultado em http://www.avhumboldt.net/humboldt/ir/output/term/Portugal/rd/alldocuments/did//chk/
26"The Orinoco is one of those rivers which, after many windings, seem to return back towards the region in which they took their rise. After following a westerly and then a northerly course, it runs again to "the east, so that its mouth is almost in the same meridian as its source. From the Chiguire and the Gehette as far as the Guaviare, the Orinoco flows to the west, as if it would carry its waters to the Pacific. It is in this part of its course that it sends out towards the south a remarkable arm, the Cassiquiare, but little known in Europe, which unites with the Rio Negro (called by the natives the Guainia), and offers perhaps the only example of a bifurcation forming in the very interior of a continent a natural connection between two great rivers and their basins". In Aspects of Nature, parágrafo 16. Consultado em http:// www.avhumboldt.net/humboldt/publications/paragraph/did/25/vid/19/cid/131/tid/3886/text/The-Orinoco-is-one-of^ those-rivers-which-after-many-windings-seem-to-return-back-towards-the-regio.
27O texto de Alexander von Humboldt. Tableaux de la nature, ou Considérations sur les déserts, sur la physionomie les végétaux et sur les caracteres de l'Orénoque. Traduits de l'allemand par Jean-Baptiste-Benoît Eyriès. F. Schoell. Paris, 1808, conheceu diversas ediçôes. Em 1826 já tinha um título diferente: Tableaux de la nature, ou Considérations sur les déserts, sur la physionomie des végétaux, sur les caracteres de l'Orénoque, sur la structure et l'action des volcans dans les différentes régions de la terre. Gide fils. Paris, 1828. Na ediçâo de 1849, Humboldt escreve no prefácio que "En 1826, j'ai publié à Paris la seconde édition des Tableaux de la Nature; j'y joignis deux articles nouveaux, l'un "sur la structure et l'action des volcans dans les diférentes régions du globe", l'autre "sur la force vitale ou le Génie de Rhodes" (1849, P. 6). Mais à frente nesse mesmo prefácio lê-se que "A l'âge de quatre-vingts ans j'ai eu encore la joie d'achever une troisième édition de mon livre, et de le refondre entièrement, selon les exigences du temps." (1849, P. 7). Foi por nós consultada a ediçâo Alexandre de Humboldt, Tableaux de la nature. Traduits par Ferd. Hoefer. Librairie de Firmin Didot Frères. Paris, 1849, que se encontra online em http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k209770f [cons. 12 de Setembro de 2014]. No prefácio desta ediçâo, assinado pelo tradutor Hoefer, reconhece-se que as constantes adiçôes ao texto inicial em cada uma das ediçôes, fizeram desta terceira ediçâo, quase que um livro novo. Cf. "Enfin, l'année dernière, il fit paraître la troisième édition des Tableaux de la Nature, don't les additions considérables forment en quelque sorte un livre nouveau. Dans ces additions on retrouve la même vigueur de pensée, le même éclat de style, que l'on admire dans la première édition, oeuvre de sa jeunesse.", in Tableaux de la nature, 1849, p. 11. Consultada por nós na versâo inglesa Aspects of nature in different lands and different climates with scientific elucidations. Trans. By Mrs. Sabine. Lea and Blanchard. Philadelphia, 1850. Disponível online: http://www.avhumboldt.net/avhdata/ Aspects%20of%20Nature/Vol0/Complete/Vol0 complete.pdf Excertos deste texto foram traduzidos por Gabriela Fragoso (op. Cit. P. 19-98), com o título de Perspectivas da Natureza, e sempre que possível esta versâo sobrepôe-se às demais.
28Humboldt e Gabriela Cardoso (trad. e apres.). Pinturas da natureza... Op. Cit. P. 27.
29Humboldt descreve-as assim: "All who possess an ordinary degree of mental activity, and delight to create to themselves an inner world of thought, must be penetrated with the sublime image of the infinite when gazing around them on the vast and boundless sea, when involuntarily the glance is attracted to the distant horizon, where air and water blend together, and the stars continually rise and set before the eyes of the mariner. This contemplation of the eternal play of the elements is clouded, like every human joy, by a touch of sadness and of longing". In Humboldt. Cosmos: a sketch of a physical description of the universe. Vol. I, capítulo III, parágrafo 269 (http://www.avhumboldt.net/humboldt/ir/output/term/sublime/rd/alldocuments/did//chk/.) Estas sâo as paisagens por excelencia do sublime. Cf. Michael S. Reidy e Helen M. Rozwadowski. "The spaces in between: Science, Ocean, Empire". In Isis. Vol. 105, n° 2 (June 2014). P. 338-351.
30Cf. "Comme l'Ocean, la steppe remplit l'âme du sentiment de l'infini; et ce sentiment, plus épuré, deviant la source de meditations d'un ordre élevé. Mais l'aspect du miroir limpid de la me rest égayé par la douce agitayion des ondes légèrement écumeuses, tandis que la steppe gît là immobile, comme une masse inerte, comme la croûte rocheuse, nue, d'une planète désolée.". In Humboldt. Tableaux de la Nature. Op. Cit. P. 14.
31Cf. "Je n'étais alors (en 1806) hasardé à réunir de grandes coupes dans un tableau de la nature, et à exposer en assemblée publique des objects qui se détaignaient pour ainsi dire sur mon âme: maintenant je me renferme dans un cercle plus circinscrit de phénomènes, en esquissant la peinture moins sombre d'une végétation luxuriante et de vallées arrosées de rivières écumeuses. Je vais tracer deux scènes naturelles, empruntées aux solitudes de la Guyane, l'Aturès et le Maypurès, ces fameuses cataractes de l'Orénoque, qu'un petit nombre seulement d'Européens avait visitées avant moi". In Humboldt. Tableaux de la Nature. Op. Cit. P. 228.
32Ver Alejandro de Humboldt. Alexander von Humboldt: modelo en la lucha por el progreso y la liberación de la Humanidad: Memorial en comemoración del bicentenário de su nascimento. Academia Alemana de Ciencias. Berlín, 1969.
33"They made separate visits to the snowy and porphyritic mountains of Antisana, Cotopaxi, and Tungarahua, as well as Chimborazo, the highest point of our globe. They studied the geological part of the Cordillera of the Andes, on which subject nothing has been published in Europe, mineralogy (if the expression may be used) having been created, as it were, since the time of La Condamine. The geodetic measurements proved that some mountains, particularly the Tungarahua Volcano, have considerably lowered since 1750, as http://www.avhumboldt.net/avhdata/Philadelphia%20Abstract/1/Complete/1_complete.pdf inhabitants have observed" (Humboldt, Report. Consultado em
34Uma descriçâo completa da viagem pode ser encontrada na obra de Humboldt. Plantes équinoxiales recueillies au Mexique: dans l'île de Cuba, dans les provinces de Caracas, de Cumana et de Barcelone, aux Andes de la Nouvelle Grenade, de Quito et du Pérou, et sur les bords du rio-Negro de Orénoque et de la rivière des Amazones.
35O conceito de amizade é lato e pode-se aplicar deste o mero conhecido pelo qual se sente empatia até ao valor de uma amizade fraterna e para a vida. Alguns autores vêem com alguma desconfiança a amizade, pelo menos cordial de pessoas importantes de continentes diferentes que se encontram algumas vezes ao longo da vida, como Douglas Botting (1973), para quem o facto de Thomas Jefferson, já Presidente dos EUA, o ter recebido se prendia com uma tentativa política de tirar partido dos conhecimentos adquiridos durante a viagem.
36Carta para Jefferson de 24 de Maio de 1804, traduzida para inglés por J. Rogers, F. Baron, S. Rebok. Consultável online em Humboldt Digital Libray. http://www.avhumboldt.net/humboldt/publications/paragraph/did/37/vid/51/cid/272/tid/10174/text/ iEnglish-Translation-JRogers-FBaron-SRebokibrMr-President-brHaving-arrived-from--­
37 Vues des Cordillères, et monuments des peuples indigenes de l'Amérique. F. Schoell. Paris, 1810; com 2§ ediçâo publicada pelo mesmo editor em 1813. Em inglés, a primeira versâo data de 1814, Researches, concerning the institutions & Monuments of Ancient Inhabitants of America, with descriptions and views of some of the most Striking Scenes in the Cordilleras! Written in French by Alexander de Humboldt, & translated into English by Helen Maria Williams. Published by Lonfman, Hurst, Rees, Orme & Brown, J. Murray & H. Colburn. London, [1814], consultada online http://books.google.pt/books?id=qttS5c 70XIC&printsec=frontcover&hl=pt-PT&source=gbs ge summary r&cad=0#v=onepage&q&f=false.
38Que acaba por ser o século XIX com diversas correntes da escola paisagista, apesar do jardim de paisagem ter surgido em Inglaterra na primeira metade do século XVIII.
39No capítulo V do livro Jardins et Paysages intitulado Le siècle du style paysager encontra-se em primeiro lugar citado o texto de Alexander von Humbolt, seguido do Rapport concernant une villa à Streatham appartenant au comte de Coventry (1816) de Humphry Repton (1752-1818); Plans raisonnés de toutes les espéces de jardins (1820) de Gabriel Thouin (1747-1829); Encyclopédie du jardinage (1822) de John-Claudius Loudon (1783-1843); Esthétique (1835) de Georg-Wilhelm-Friedrich Hegel (1770-1831); Instructions à propôs du jardinisme paysagiste (1834) de Hermann Louis Henri von Puckler-Muskau (1785-1871); Le Domaine d'Arnheim (1842) de Edgar Allan Poe (1809-1849); Les Fleurs du mal, "Paysage" (1857) de Charles Baudelaire (1821-1867); Les Promenades de Paris (1867) de Adolphe Alphand (1817-1891); Les parc publics et l'agradissement des villes (1870) de Frederick Law Olmsted (1822-1903); L'Art des jardins (1863) de Paul de Choulot; L'Art des jardins. Traité général de la composition des parcs et jardins (1879) de Édouard-François André (1840-1911). Cf. Jean-Pierre Le Dantec. Jardins et Paysages. Larousse. Canada, 1996.
40 Humboldt e Gabriela Cardoso (trad. e après.). Pinturas da natureza... Op. Cit. P. 21.
41Jean-Pierre Le Dantec. Op. Cit. P. 249.
42Vues des Cordillères. Op. Cit.
43Ibid.
44Humboldt. Vues des Cordillères. In: Le Dantec. Op. Cit. P. 264.
45Que foi depois representado por Johann Wolfgang von Goethe em 1807, por Rainer Simon num filme de 1989 e no besteseller de Daniel Kehlmann. Vide Caroline Schaumann. "Who measures the world? Alexander von Humboldt's Chimborazo Climb in the Literary Imagination". In The German Quarterly. Vol. 82, n° 4 (Fall 2009). P. 447-468.
46Colocada como capa da sua obra Géographie des plantes équinoxiales, publicada em Paris por Langlois em 1805.
47Caroline Schaumann. "Who measures the world? Alexander von Humboldt's Chimborazo Climb in the Literary Imagination". In The German Quarterly. Vol. 82, n° 4 (Fall 2009). P. 452.
48O que precisamente näo costumava acontecer. A perceçâo da paisagem dependia da referenda que os cristäos levavam da Europa. Ver Ana Duarte Rodrigues. "Brazilian landscape perception through literary sources from the 16th to the 18th centuries", in Property Rights, Land and Territory in the European Overseas Empires. ICS. Lisboa, 2015 (no prelo).
49 Caroline Schaumann. Op. Cit. P. 454.
50Humboldt e Gabriela Cardoso (trad. e apres.). Pinturas da natureza...Op. Cit. P. 135.
51Ibid.
52Cf. "L'impression que laisse en nous le spectacle de la nature est provoquée moins par la physionomie particulière du paysage, que par la lumière sous laquelle se détachent monts et champs, tantôt éclairs par l'azur du ciel, tantôt assombris par un nuage flottant. De meme la peinture de scenes naturelles nous impressione plus ou moins vivement, suivant qu'elle est plus ou moins en harmonie avec les besoins de nos sentiments.", in Humboldt. Quadros da Natureza. Op. Cit. P. 228.
53Imp. Cromotip. Caracas, 1959.
54Humboldt. Cosmos: a sketch of a physical description of the universe. Vol. I, capítulo I, parágrafo 30, www.avhumboldt.net/humboldt/ir/output/term/sublime/rd/alldocuments/did//chk/.
55 Sobre Eschwege há uma pequeña nota no Dicionário dos Arquitectos de Sousa Viterbo. Vol. I. P. 300. Existe uma biografía mais completa do barao de Eschwege, mas que só destaca o seu papel enquanto especialista em minas, sem valorizar a sua amizade com Goethe e Humboldt: Waldemar de Almeida Barbosa. Barao de Eschwege. Edicao da Casa de Eschwege. Belo Horizonte, 1977. Porém, no livro Brasil, Novo Mundo. W. L. Von Eschwege. Fundacao Joao Pinheiro. Belo Horizonte, 1996, as amizades com Goethe e Humboldt sao destacadas. Este livro descreve todas as publicacoes de Eschwege referentes a Portugal (P. 28-32) e referentes ao Brasil (P. 32-42). A nota biográfica mais recente é a de Jorge Muchagato. O Palácio e o Parque da Pena. Oácio da Pena. Vol. II. Parques de Sintra-Monte da Lua. Sintra, 2010. P. 41-47.
56Cf. "Cintra 26 de Junho de 1842 ... Tendo o costume de me estender sobre o canapé todas as vezes que eu pego n-hum livro p. A ler, achava/me nesta posi;ao no dia 18 deste mez as 2 horas de tarde no meu qoarto do Palacio acastellado da Pena, quando senti o tal estremecer, e estando hum copo com agua adiante de mim, sobre o qual tinha por acaso fixado os meus olhos vi claramente como no mesmo momento o fluido principiava a fibrar, estremecendo por alguns secundos, e tomando logo outra vez sua immobilidade natural a qual nao podia ser alterada por nenhuma correnteza d-ar [...]". Biblioteca Nacional de Portugal, MSS. 261, n° 43/22.
57O que já fora notado por José Martins Carneiro. O imaginárioántico da Pena. Tese de Mestrado apreá Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Lisboa, 2002. Vol. I. P. 128 e Jorge Muchagato. Op. Cit. P. 45. Um documento baráo de Eschwege para o mestráo Henriques sobre o andamento dos trabalhos da Pena revela como a áo naquele local requeria cuidados especiais. Cf. Jorge Muchagato. Op. Cit. Vol. II. P. 376-377.
58Brasil, Novo Mundo. W. L. Von Eschwege. Op. Cit. P. 20.
59Eschwege. Relatório abreviado sobre o estado actual da administracao das minas de Portugal. Lisboa: Typ. Carvalho, 1826; e do mesmo autor Memòria sobre a História Moderna da administracao das minas em Portugal. Lisboa: Academia R. das Sciencias, 1838; Odologia dos engenheiros constructores ou guia para a construcao e conservacao das estradas em Portugal e no Brasil, Lisboa: Typ. Da Sociedade Propaga obra dos conhecimentos Úteis, 1843.
60"As belezas admiráveis da baia prendiam a atencao do viajante e despertavam a admiracao do espectador, oferecendo matèria para o mais agradável divertimento. No primeiro plano, grandes ilhas dotadas de grandes edificios e moradias menores, em meio a palmeiras, verdadeiraácaras atraentes,ánticas que só um poeta poderia descrevè-las. Ao longe, no fundo da baia, grupos de ilhas verdejantes e rochedos desnudos, que pareciam flutuar no espaco. Centenas de embarcacoes pequenas de brancas velas enfunadas parecem, à distáncia, borboletas que levam a todos os lados o bater de suas asas para se perderem, finalmente, nos fundos da enseada; ali, uma perspectiva marítima ilimitada, entre o forte de Santa Cruz, de pedra, à esquerda, e o elevado cone montanhoso do Pao de Acucar à direita; em seguida, os mastros apenas perceptiveis de uma poderosa nau de guerra, o casco semi-oculto pela curvatura do globo, enquanto um outro colosso naval saúda seus irmaos ancorados, mal-entrevisto na fumarada das salvas. Todos esses quadros naturais ou de construcao humana despertam-nos um sentimento singular e agradável, para o qual nao existem palavras. Apenas somos capazes de murmurar: Que beleza! Que magnifico!". E mais à frente "Tudo isso nada è senao o retrato de uma trilha na selva e de suas dificuldades, que nenhuma compensacao oferece ao viajor senao a paisagem que desfruta e a coleta de objectos de interesse do naturalista (o botánico e o zoólogo, principalmente, e o mineralogista, em segundo plano). Em batalha, saimos finalmente da mata virgem espessa, quando entao avistamos a zona dos campos, onde se respira mais livremente. A paisagem verdejante das colinas e baixadas, cobertas de capim verdejante ou de arbustos, oferece uma vista agradável e surpreendente. As espècies vegetais das altitudes elevadas apresentam caracteristicas diversas e atè mesmo muitos animais sao diferentes. Essa impressao agradável que se tem inicialmente è logo dissipada, porèm, já que a vista sempre alcanca os mesmos campos, num chapadao desprovido de cultivo, rasgado por fossos. A aparència dos campos è sobremaneira entristecedora durante o estio, quando fica esturricada a cobertura vegetal. Nao se observa nenhuma actividade humana e nada dá vida à extensa regiao". In Brasil, Novo Mundo. W. L. Von Eschwege (1824). In Joao Antonio Paula. Op. Cit. P. 57 e 61.
61Brasil, Novo Mundo. W. L. Von Eschwege. Op. Cit. P. 20.
62 Como faz prova as notas manuscritas que Humboldt diz ter recebido de Eschwege: "(...) according to manuscript notes kindly furnished me by the baron d'Eschwege, director-general of the mines of Brazil (...)" (Humboldt. Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1805. Vol. V, 1818, parágrafo 162, http://www.avhumboldt.net/ humboldt/ir/output/term/Eschwege/rd/alldocuments/did//chk/).
63"Epsilon. Groupe of the Mountains of Brazil. This groupe has hitherto been figured on the maps in as singular a manner as the mountains of the Iberian Peninsula, Asia Minor and Persia. The temperate table-lands and real chains of 300 to 500 toises high, have been confounded with countries excessively hot, and of which the undulating surface presents only ranges of hills variously grouped. The excellent barometric measures of Baron Eschwege, director general of the gold mines in the province of Minas Geraes, and the observations made in different parts of Brazil by the prince of Neuwied, MM. Auguste de Saint Hilaire, Olfers, Spix, Pohl, and Martius, have recently thrown great light on the orography of Portugueze America. The mountainous region of Brazil, of which the mean height rises at least to 400 toises, is comprehended within very narrow limits, nearly between 18° and 28° south latitude; it does not appear to extend, between the provinces of Goyaz and Mato Grosso, beyond 53° of longitude, west of the meridian of Paris". Cf. Humboldt. Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1805. Vol. V, parágrafo 72. http://www.avhumboldt.net/humboldt/ir/output/term/Eschwege/rd/alldocuments/did//chk/
64 Places where it has been often too lightly asserted that the periodicity of the atmospheric tides is irregular, have been discovered, after mature examination, to present the greatest regularity in the epochas of the maxima and the minima. M. d'Eschwege found those epochas precisely si"milar to those of Cumana, in the low and hot part of Brazil, bounded by the two chains of the Espinhaco and the shore, for instance at San Joao Baptista, in the missions of the Caroatos Indians" (Humboldt. Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1805, Vol. V, 1818, parágrafo 203, http://www.avhumboldt.net/ humboldt/ir/output/term/Eschwege/rd/alldocuments/did//chk/
65"A coast chain (Serra do Mar) extends nearly parallel with the coast, northeast of Rio Janeiro, lowering considerably towards Rio Doce, and losing itself almost entirely near Bahia. According to Mr. Eschwege, some small ridges reach Cape Saint Roque. South-east of Rio Janeiro, the Serra do Mar follows the coast behind the Isle Saint Catherine as far as Torres; it there turns towards the west and forms an elbow stretching by the Campos of Vacaria, towards the banks of the Jacuy." Cf. Humboldt. Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1805. Vol. V, parágrafo 75. http://www.avhumboldt.net/ humboldt/ir/output/term/Eschwege/rd/alldocuments/did//chk/
66"Another chain lies west of the shore chain of Brazil, the most lofty and considerable of all, that of Vilharica, which Mr. Eschwege marks by the name of Serra do Espinhaco, and considers as the principal part of the whole structure of the mountains of Brazil." (Humboldt. Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1805. Vol. V, parágrafo 76, http://www.avhumboldt.net/humboldt/ir/output/term/Eschwege/rd/alldocuments/did//chk/).
67 "Mr. Eschwege has named the groupe of mountains of Goyaz the Serra dos Vertentes, because it divides the waters between the southern tributary streams of Rio Tucantines. It runs towards the south beyond the Rio Grande (Parana), and approaches in 23° latitude, by the Serra do franca, the Espinhaco. It attains only 300 to 400 toises of height, with the exception of some summits N. W. of Paracatu, and is consequently much lower than the chain of Villarica." (Humboldt. Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1805. Vol. V, parágrafo 78, http://www.avhumboldt.net/humboldt/ir/output/ term/Eschwege/rd/alldocuments/did//chk/). Todas estas descricoes constituem perspectivas no tempo de Eschwege, muitas delas hoje com reconhecidos erros geomorfológicos. Por exemplo, a Serra do Mar estende-se para o sul do Rio de Janeiro e ultrapassa o Estado de Sao Paulo. Outros especialistas de geografia contestam a utilizacao do próprio conceito de montanhas aplicado ao Brasil, onde dizem nao existirem.
68"M. Eschwege obtained precise information from some Spanish planters, who came from Cochabamba to Villabella, on the continuity of those basins or savannahs" (Humboldt. Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1805. Vol. V, parágrafo 77,).
69"M. d'Eschwege saw at Brazil, some layers of diotite, but neither trachyte, basalt, dolerite, nor amygdaloide; and he was therefore more surprised to see, in the vicinity of Rio Janeiro, an insulated mass of phonolithe, entirely similar to that of Bohemia, pierce of gneiss soil." (Humboldt. Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1805. Vol. V, parágrafo 160, http://www.avhumboldt.net/humboldt/ir/output/term/Eschwege/rd/alldocuments/did//chk/).
70Biblioteca Nacional de Portugal, MSS. 261, n. 43/21.
71In Jorge Muchagato. Op. Cit. Voi. II, doc. n° 24 (P. 376-377) e doc. n° 26 (P. 381).
72Carl Israel Ruders. Viagem em Portugal 1798-1802. Vol. I, carta XII. P. 133.
73Humboldt e Gabriela Cardoso (trad. e apres.). Pinturas da natureza... Op. Cit. P. 116.


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Idem, Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent during the Years 1799-1804, Chapter II, parágrafo 141. (6 de Setembro de 2014).

Ibid. Vol. V, 1818, parágrafo 72, 75, 76, 77, 78, 160, 162 e 203 http://www.avhumboldt.net/humboldt/ir/output/term/Eschwege/rd/alldocuments/did//chk/ (7 de Setembro de 2014).

Idem, Aspects of Nature, parágrafo 16. http://www.avhumboldt.net/humboldt/publications/paragraph/did/25/vid/19/cid/131/tid/3886/text/The-Orinoco-is-one-of-those-rivers-which-after-many-windings-seem-to-return-back-towards-the-regio (6 de Setembro de 2015)

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Barranquilla (Colombia)
2015
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