Revista científica Pensamiento y Gestión, No 45: Jul-Dic 2018

Tamaño de la letra:  Pequeña  Mediana  Grande
Gesto do conhecimento e inovao
Revista Pensamiento y Gestin

ISSN 1657—6276
Numero 45: Julio—Diciembre 2018
Fecha de recepcin: 29 de abril de 2018
Fecha de aceptacin: 6 de junio de 2018
DOI: http://dx.doi.org/10.14482/pege.45.10863


ARTCULO DE INVESTIGACIN / RESEARCH REPORT

Gesto do conhecimento e inovao

Gestin del conocimiento e innovacin

http://dx.doi.Org/10.14482/pege.45.10863

Csar Ricardo Maia de Vasconcelos
Doutor em Administrao (Ph.D) pela Universit Pierre Mendes France (Grenoble/France); Professor permanente dos Programas de Mestrado e Doutorado Acadmico em Administrao da Universidade Potiguar (PPGA—UnP). cesarmvasconcelos@gmail.com Endereo: Av. Engenheiro Roberto Freire, 2184. Capim Macio, 59082—902, Natal/RN, Brasil. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8304607424l60090; ORCID: http://orcid.org/0000—0003—0398—5733.

Ahiram Brunni Cartaxo de Castro
Doutorando e Mestre em Administrao pela Universidade Potiguar (PPGA—UnP/Brasil); Administrador no Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). brunnicastro@hotmail.com Endereo: Av. Engenheiro Roberto Freire, 2184. Capim Macio, 59082—902, Natal/RN, Brasil. Lattes: http://lattes.cnpq.br/5800981960545923; ORCID: http://orcid.org/0000—0001—5952—953X.

Lydia Maria Pinto Brito
Doutora em Educao pela Universidade Federal do Cear (PPGE—UFC/Brasil); Professora permanente dos Programas de Mestrado e Doutorado Acadmico em Administrao da Universidade Potiguar (PPGA—UnP). lydiampbrito@yahoo.com.br Endereo: Av. Engenheiro Roberto Freire, 2184. Capim Macio, 59082—902, Natal/RN, Brasil. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4486886157670655; ORCID: http://orcid.org/0000—0003—1514—9476.

Fecha de recepcin: 29 de abril de 2018
Fecha de aceptacin: 6 de junio de 2018


Resumo

O objetivo desta pesquisa foi mapear a produo internacional sobre a relao entre gesto do conhecimento (GC) e inovao na base de dados Web of Science1 com o recorte temporal de 1996 a 2016 para identificar os principais artigos e as temticas emergentes sobre os assuntos em questo. Trata—se de um estudo bibliomtrico em que os dados observados em 896 publicaes de 154 peridicos distintos foram tratados no software Histci—teTM. Como resultado, percebeu—se que as temticas emergentes sobre GC e inovao versam sobre variveis intraorganizacionais e interorganizacionais que impactam na capacidade absortiva, na prospeco, explorao e explo—tao do conhecimento e que podem influenciar na aquisio de vantagem competitiva, no desempenho econmico e nas alianas estratgicas. Portanto, infere—se um deslocamento dos estudos sobre GC e inovao dos processos tticos para os estratgicos.


Palavras—chave: Relao, Gesto do Conhecimento, Inovao, Estudo bibliomtrico.


Resumen

El objetivo de esta investigacin fue mapear la produccin internacional sobre la relacin entre gestin del conocimiento (GC) e innovacin en la base de datos Web of Science con el recorte temporal de 1996 a 2016 para identificar los principales artculos y las temticas emergentes sobre los asuntos en cuestin. Se trata de un estudio bibliomtrico en el que los datos observados en 896 publicaciones de 154 peridicos distintos fueron tratados en el software HistciteTM. Como resultado, se percibi que las temticas emergentes sobre GC e innovacin versan sobre variables intraorganizacio—nales e interorganizacionales que impactan en la capacidad absorbente, en la exploracin, explotacin y explotacin del conocimiento, y que pueden influir en la adquisicin de ventaja competitiva, en el desempeo econmico y en las prestaciones alianzas estratgicas. Por lo tanto, se desprende un desplazamiento de los estudios sobre GC e innovacin de los procesos tcticos para los estratgicos.


Palabras clave: Relacin, Gestin del conocimiento, la innovacin, Estudio bibliomtrico.


1. INTRODUO

A inovao uma temtica do mainstream organizacional que est cada vez mais presente nos discursos e agendas empresariais e governamentais como fonte de vantagem diferenciadora, progresso mercadolgico, econmico e social (Figueiredo, 2015).

No atual cenrio do mercado, caracterizado pela incerteza (Abranches, 2017), a inovao est associada, ontologicamente, na interao entre pessoas, grupos (Tang, 2017; Nonaka & Takeuchi, 1997) e entre as organizaes (Marques, Marques, Leal & Cardoso, 2017; Faeni, 2017), em conexes do tipo triple helix (Guerrero & Urbano, 2017; Lepik & Kri—gul, 2014) e em configuraes contemporneas cooperativas, hbridas e de cogesto social, de estrutura holocrtica, de natureza empreendedora, colaborativa ou em redes de parcerias (Cherman & Rocha—Pinto, 2016) que, por meio da cincia e tecnologia (Yu, Zhang & Shen, 2017), esto eliminando barreiras fsicas, comerciais, polticas e culturais, encurtando distncias, globalizando e renovando os conceitos econmicos, criando novas relaes de trabalho e novos empregos, alm de produzindo uma enorme capacidade de renovao e superao de crises por meio do gerenciamento do conhecimento, pois, em ambientes tecnolgicos, a inovao geralmente um resultado direto da eficcia da Gesto do Conhecimento (GC) (Donate & Pablo, 2015).

Ainda que muitos trabalhos discutam sobre a importncia do conhecimento (Santos, Uriona—Maldonado & Santos, 2011), sobre o uso do conhecimento para a inovao e suas formas de interao (Clark Teodoroski, Silva Santos & Steil, 2015), de capacidade (Menguc & Auh, 2010), de converso e sobre os papis e as prticas do GC para gerar aprendizagem e inovao (Van Waveren, Oerlemans & Pretorius, 2017; Song & Noh, 2006), entre outros, GC e inovao so assuntos que ainda esto em maturao (Serenko, 2013). Portanto, h espao para a decantao de pesquisas tericas e empricas mais aprofundadas, principalmente porque ainda no se tem um destaque para autores ou peridicos e edies especficas de peridicos sobre a relao entre as temticas (Schmitz, Delgado, Mezzaroba, Dandolini & Souza, 2015).

Procurando compreender como a academia internacional se posiciona sobre a relao entre a GC e a inovao, por meio de seus artigos mais relevantes, adicionado das possibilidades de futuros estudos sobre os esses assuntos, emerge o seguinte problema: o que se publica sobre o nexo entre GC e inovao e quais as temticas emergentes sobre o tema?

Nesse sentido, tem—se o seguinte objetivo da pesquisa: mapear a produo internacional sobre a relao entre GC e inovao na base de dados Web of ScienceTM com o recorte temporal de 1996 a 2016 para identificar os principais artigos e as temticas emergentes sobre os temas em questo.

Por meio da anlise bibliomtrica foram feitos os seguintes levantamentos: distribuio das publicaes por ano, top 20 dos peridicos com mais artigos publicados sobre a temtica, os 20 autores com maior nmero de publicaes, os 20 pases (por meio das instituies de vnculo dos autores) com mais artigos publicados, top 20 dos artigos mais citados na Web of Science (Global Citation Score) na faixa temporal pesquisada e os 20 dos trabalhos mais citados no conjunto de artigos selecionados nesta pesquisa (Local Citation Score) sobre a temtica, apresentados em ordem cronolgica.

Em seguida, apresentado o contexto terico da pesquisa, os procedimentos metodolgicos utilizados na investigao, seguidos da apresentao e anlise dos resultados e das concluses provisrias do estudo.

2. CONTEXTO TERICO

As bases conceituais para a inovao esto em Schumpeter que, em 1911, por meio das contribuies de Adam Smith, Kirzner, Frank Knight, Marx e Weber, entre outros, introduziram a noo da capacidade de previso de que a inovao a chave para novas demandas, de que a inovao se sustenta na destruio criativa, no conflito entre velhos e novos capitais, nas mudanas das estruturas sociais e nas culturais e poltico—institucionais (Camargo, Cunha & Bulgacov, 2010). Alis, "inovao implica unir diferentes tipos e partes de conhecimento e transform—los em novos produtos e servios teis para o mercado ou para a sociedade" (Figueiredo, 2015, p. 23).

Conforme o Oslo Manual (2005), a implementao de um novo produto, bem ou servio (novo ou significativamente melhorado), mudanas nos mtodos de produo, logstica e marketing, um novo mtodo organizacional nas prticas, regras e estratgias de negcios tanto interna quanto externamente organizao o que se chama de inovao.

Como o processo de inovao, em nvel macro, marcado por ondas, entre elas o alvorecer da informao global (final da dcada de 70 at o incio da dcada de 80), a reestruturao produtiva (da dcada de 1980 at o incio dos anos 90), a onda mania digital (anos 90), a onda.com (a partir dos anos 2000) (Kanter, 2006) e a atual onda sendo esta caracterizada por ser complexa, dinmica, contraditria e em rede (Abranches, 2017; Bauman, 2004, 2010) cuja economia, por exemplo, est sujeita a ciclos crescimento e crise. Nesse contexto, a capacidade de renovao e de superao de crises por meio da inovao uma das caractersticas do sistema capitalista (Figueiredo, 2015).

Cada onda em que a inovao suscitada trouxe novos conceitos, como a ideia de que as empresas sobreviventes poderiam terceirizar habilidades no essenciais e aprender com o empreendedorismo colaborativo, ou at mesmo que empresas de produtos de consumo poderiam virar lojas de ideias externas como seus prprios laboratrios para inventar novos produtos (Kanter, 2006). Portanto, abordagens para a inovao contriburam de forma ampliada para a incluso de tecnologias, produtos, processos e negcios comerciais, cada um com seus prprios requisitos.

Aps mais de cem anos de debate sobre inovao, a literatura e as organizaes esto experimentando um novo devir para a temtica que se iniciou na abertura dos mercados nos anos 90 (mania digital) por meio da globalizao do conhecimento em decorrncia das tecnologias da informao e da comunicao. Tal transformao vai da inovao inicialmente motivada pela necessidade dos clientes e da integrao tecnolgica (pesquisa, clientes, fornecedores, parceiros, tecnologias da informao e comunicao, governo e indstria) (Mest, 2010) produo do conhecimento como a nova vantagem competitiva (Legros & Galia, 2012; Sveiby, 1998).

A gesto do conhecimento (GC) emerge, portanto, como o atual modelo de se gerirem as organizaes para a inovao. O movimento dos modelos de gesto preexistentes para a GC se deu em trs fases: a definio da competncia essencial que surgiu por volta dos anos 90 (aps a onda de reestruturao produtiva) com a definio de competncia essencial por Hamel & Prahalad (1995); a definio dos perfis de competncia profissional e gerencial, que se consolidaram na dcada seguinte, cujo objetivo era definir os papis promotores da mudana nas organizaes (Perrenoud & Thurler, 2009; Ruas, Antonello & Boff, 2005; Quinn, 2003; Le Boterf, 2003; Zarifian, 2001; Boyatizis, 1982; McClelland, 1973); e da gesto por competncias GC, que trata do gerenciamento do conhecimento de tcito para explcito (Nonaka & Takeuchi, 1997) com o objetivo de consolidar a mudana e unir os trabalhadores em torno da execuo dos objetivos organizacionais em detrimento dos seus objetivos individuais, o que Senge (2012) chamou de organizaes de aprendizagem.

Logo, a GC a gesto das estratgias do negcio, das pessoas, das tecnologias e dos processos para obter, utilizar, aprender, contribuir, avaliar, construir e manter o conhecimento que agrega valor para gerar a inovao. Caso o conhecimento adquirido no traga valor, deve ser descartado para abrir espao na memria para o conhecimento realmente relevante competncia essencial das organizaes (Bukowitz & Williams, 2002). Trata—se de um esforo para manter as companhias no mercado por meio da inovao continuada (Brito, Oliveira e Castro, 2012).

Para Obeidat, Tarhini, Masadeh & Aqqad (2016) e para Schiuma (2012), o gerenciamento do conhecimento para a inovao envolve a implementao de uma cultura organizacional, a ressignificao da rea de gesto de pessoas (Castro, Brito & Varela, 2017), a aprendizagem e as habilidades relacionadas ao desenvolvimento da estrutura facilitadora (capital estrutural) (Davenport & Prusak, 1998) que se ancora nas tecnologias da informao e de comunicao (capital tecnolgico).

Em seguida, tm—se os procedimentos metodolgicos utilizados para viabilizao da pesquisa.

3. PROCEDIMENTOS METODOLGICOS

Trata—se de uma pesquisa bibliomtrica cuja relevncia tem sido valorizada, pois uma tcnica que promove a recuperao da informao cientfica por meio da explorao rpida de conjuntos de informaes desconhecidas, da evidenciao de relaes e estruturas nas informaes (Moura, Mesquita, Mobin, Matos, Monte, Lago, Falco, Ferraz, Santos & Souza, 2017), do fornecimento de alternativas de acesso a informaes pertinentes e da construo de indicadores sobre a dinmica e evoluo da informao sobre um determinado tpico (Bellis, 2009; Kobashi & Santos, 2006). Assim, o objetivo desse tipo de pesquisa a mensurao do conhecimento ou a compreenso sobre sua produo (Teixeira, Iwamoto e Medeiros, 2013).

Utilizou—se da Web of ScienceTM em sua coleo principal para o levantamento dos dados bibliomtricos, pois figura como uma das principais colees de dados para estudos em administrao (Mesquita, Matos, Sena & Reche—ne, 2015; Vanz & Stumpf, 2010; Bellis, 2009). No tocante ao perodo, foi disponibilizado na Web of Science para pesquisa entre 1945 e 2016, considerando—se anos completos, para "possibilitar a replicao ou atualizao desta pesquisa sem a necessidade de realiz—la novamente desde o incio" (Mesquita et al., 2015, p. 3). Nesse sentido, foram definidos, em sequncia, os seguintes descritores: "knowledge management" and innovation* com base na literatura da rea. Ademais, fez—se uso do operador boleano and para se encontrarem registros nos ttulos, palavras—chave e resumos dos artigos contendo todos os termos separados pelo operador. Tambm se utilizou das aspas (") para a procura de descritores por exatido e do asterisco (*) para indicar a possibilidade de pluralizao do descritor.

Os termos utilizados na pesquisa foram enquadrados ao mximo nos des—critores recomendados pela Unesco (http://databases.unesco.org/thesaurus/help.html) para facilitar o acesso ao artigo nas bases internacionais. A coleta foi realizada por meio dos termos sinalizados acima nos ttulos, nos resumos e nas palavras—chave dos manuscritos cujos registros apontam a primeira publicao no ano de 1996.

Utilizou—se dos filtros disponveis na Web of Science, coleo principal para o refinamento da pesquisa, na seguinte sequncia:

 Refinamento por tipo de documento: foi selecionada a opo article, gerando—se um corpus apenas de artigos completos publicados em peridicos;

 Refinamento pelo idioma: foi selecionado o idioma english, cujos artigos selecionados representam os publicados na lngua inglesa;

 Refinamento pelas reas do conhecimento: foram selecionadas as reas de management, public administration, business, economics e business finance, pois contemplam contedos associados aos descritores utilizados na pesquisa.

Foram identificados 896 trabalhos publicados que foram utilizados como o corpus da anlise bibliomtrica. Em seguida, os dados coletados foram tratados no pacote de software de anlise bibliomtrica HistCiteTM e executadas as seguintes anlises: distribuio das publicaes por ano, 20 dos peridicos com mais artigos publicados, 20 dos autores com maior nmero de publicaes, 20 dos pases (por meio das instituies de vnculo dos autores) com mais artigos publicados, top 20 dos artigos mais citados na Web of Science (Global Citation Score) na faixa temporal pesquisada e o top 20 dos trabalhos mais citados no conjunto de artigos selecionados nesta pesquisa (Local Citation Score) sobre a temtica apresentada em ordem cronolgica.

Para alm dos dados gerados pelo tratamento dos dados no software Hist—citeTM, foram elucidados aspectos dos textos dos artigos mais citados global e localmente no intuito de identificar suas principais contribuies para a temtica estudada, pois os estudos bibliomtricos no esto mais somente centrados na mensurao, mas tambm na contextualizao da produo cientfica e de seus produtores (Teixeira et al., 2013).

Os resultados das anlises e a discusso dos resultados esto apresentados em seguida.

4. APRESENTAO E ANLISE DOS RESULTADOS

Aps o levantamento dos dados bibliomtricos na principal coleo do Web of Science com os termos sinalizados na seo anterior, foram identificados 896 artigos sobre o gerenciamento do conhecimento para a inovao. Estes artigos esto publicados em 154 peridicos indexados base de dados em questo e foram escritos por 1.804 autores que possuem vnculos com 894 instituies de ensino localizadas em 65 pases. No levantamento tambm foi possvel perceber que os artigos selecionados foram elaborados com um conjunto de 32.756 referncias, com uma mdia de aproximadamente 36 referncias por artigo. Na Tabela 1, a seguir, so apresentados esses resultados.

Os termos pesquisados separadamente e aplicados aos mesmos filtros definidos para este estudo e descritos nos procedimentos metodolgicos apresentariam os seguintes resultados:

"knowledge management": os resultados apontam 2.476 registros, dentre estes 186 somente no ltimo ano (2016) e o primeiro registro no ano de 1974, perodo em que os ocidentais ainda tentavam compreender como as organizaes japonesas comeavam a diferenciar—s4 no mercado mundial (Nonaka & Takeuchi, 1997). O aumento dos estudos somente se deu a partir de 1997, perodo em que se iniciaram as publicaes que apontavam a criao do conhecimento como o diferencial das organizaes japonesas. O pice das publicaes foi no ano de 2011, com 242, cujo foco das pesquisas sobre o mapeamento e a transferncia do conhecimento, a aprendizagem organizacional e as organizaes de aprendizagem, a capacidade absortiva do conhecimento, as prticas de GC, as estratgias de diferenciao (pesquisa e desenvolvimento) por meio do conhecimento sobre os efeitos do gerenciamento do conhecimento para a inovao e o desenvolvimento de modelos para a GC como uma forma de compreenso e adaptao das organizaes atual onda no ambiente macro.

innovation*: os resultados apontam 33.892 registros, dos quais 3.085 foram publicados somente no ltimo ano. O primeiro registro data de 1951, perodo em que se registra na literatura o aparecimento de novas indstrias e empresas das reas de petroqumica, eletrnica, aviao e aeroespacial, por meio da destruio criativa, renovando—se a economia global (Figueiredo, 2015). O aumento das publicaes teve seu start em 1965 intensificando—se principalmente a partir de 1977 na onda do alvorecer da informao global, motivada pela busca por diferenciao entre os produtos ocidentais e os produtos japoneses que adentravam ao mercado americano (Kanter, 2006).

Na Figura 1, apresenta—se a evoluo das publicaes nas temticas, objeto deste estudo; o primeiro registro de artigo indexado na Web of Science data de 1996. Esse trabalho de autoria de Sanchez & Mahoney (1996) descreve sobre o processo de aprendizagem organizacional no desenvolvimento do design de produtos. Desde ento, de maneira geral e com leves quedas, os estudos sobre o gerenciamento do conhecimento para a inovao continuaram num crescente alcanando seus pices nos anos de 2011 e 2015 em que o foco das publicaes repousava sobre susten—tabilidade, system integration, biomimetismo, qumica verde, ecologia industrial, energias renovveis, biotecnologia verde e sobre tecnologias da informao e comunicao (Figueiredo, 2015).

A Tabela 2 identifica os peridicos internacionais mais representativos quanto quantidade de artigos publicados e de citaes para a temtica do gerenciamento do conhecimento para a inovao. Foram analisados os 154 peridicos indexados na Web of Science em relao quantidade de artigos publicados sobre as temticas e o total de citaes na base de dados. Tem—se que o top 20 de peridicos corresponde a 528 publicaes que representam aproximadamente 75% da quantidade total de trabalhos identificados. O peridico com maior nmero de publicaes o Journal of Knowledge Management com 133 publicaes. Este tipo de indicador pode apresentar utilidade para futuras pesquisas e funcionar como um sinalizador de peridicos base sobre o assunto.

No intuito de identificar os peridicos com maior representatividade quanto s citaes, pode—se perceber que o peridico Organization Science apresentou o maior ndice de citaes nos 16 artigos publicados, sendo 3.264 citaes.

Aps anlise dos peridicos, foram identificados os autores que possuem maior quantidade de registros de publicaes sobre as questes. A Tabela 3 apresenta a listagem com o nome desses autores, a quantidade de artigos publicados, o vnculo institucional e o pas de origem da instituio. Foram selecionados os 20 autores com a maior quantidade de registros. Entre os autores com mais publicaes sobre o tema, destacam—se Aino Kianto, que trabalha na instituio de vnculo citada na Tabela 3 com oito publicaes, e Jie Yang que atualmente atua na Universidade de Houston—Victoria (Texas), com sete artigos. Tambm se pde perceber que a maior quantidade de trabalhos publicados tem origem no continente europeu, com destaque para a Espanha.

Para visualizar a representatividade dos pases de origem das instituies de vnculo dos 1.804 autores das 896 publicaes mapeadas neste levantamento bibliomtrico, foi identificado o top 20 dos pases com mais produo cientfica nas temticas, que podem ser observados na Tabela 4, com destaque para o funcionalismo americano, bero das pesquisas sobre o gerenciamento do conhecimento.

Dentre o conjunto de 896 publicaes localizadas na base Web of Science, buscou—se identificar os trabalhos mais representativos sobre o tema em toda a base de dados e dentro do grupo de seleo deste estudo biblio—mtrico. A Figura 2 apresenta a relao entre os 20 artigos mais citados de toda a base de dados, sinalizando—se, entre eles, quais apresentam conexes de citaes (linhas que conectam os crculos) e quais so os mais citados no grupo (tamanhos diferentes dos crculos).

O trabalho de Carlile (2002) foi citado por Amim & Roberts (2008), por Roberts (2006) e por Levina & Vaast (2005). Da mesma forma, o trabalho de Argote, McEvily & Reagans (2003) foi citado por Volberda, Foss & Lyles (2010) e por Chen & Huang (2009). Estes artigos, pela representa—tividade do crculo e das citaes, so referncias principais de outros que tambm recebem grande quantidade de citaes. Os demais estudos ou no apresentaram conexo de citaes ou so menos citados no grupo. As quantidades de citaes recebidas e as principais informaes de referncias destes trabalhos esto listadas na Tabela 5.

Considerando—se o nmero de vezes que um item citado na ISI Web of Science (Global Citation Score), tem—se que o trabalho mais citado o escrito por Carlile (2002). Neste, o autor por meio de um estudo com quadro de referncia na compreenso (pesquisa qualitativa), com modo de investigao na etnografa e com o objetivo de pesquisa exploratria, conforme classifica Bruyne, Herman & Schoutheete (1991), explorou como o conhecimento gerenciado (diferenciado e integrado em processos e mtodos) para gerar a inovao atravs da comunicao entre os indivduos, ou seja, a externalizao do conhecimento de tcito para explcito (Nonaka & Takeuchi, 1997), que o cerne da GC. O estudo permitiu observar os indivduos em ao e verificar os objetos com os quais trabalham e os fins que perseguem, possibilitando comparar como o conhecimento criado e estruturado e em que momentos ele se apresenta como uma barreira ao processo de inovao. O autor utilizou recursos sintticos e semnticos para capturar os modos de se pensar sobre o conhecimento e seus limites e o pragmatismo como um recurso adicional, mas complementar aos dois primeiros. "O que vemos no limite do conhecimento pragmtico no apenas uma questo de processar mais conhecimento, mas processos para transformar o conhecimento" (Carlile, 2002, p. 453) em que os indivduos representam, aprendem, negociam e alteram o conhecimento vigente e criam novos conhecimentos para se resolverem os problemas. Nesse contexto, Carlile (2002) afirma que medida que as organizaes se tornam mais especializadas e a sociedade cresce cada vez mais complexa, os resultados dessa pesquisa so um lembrete de que o desafio no apenas o do gerenciamento do conhecimento para a inovao, mas tambm a capacidade de representao do conhecimento em um cenrio em que ele tambm pode tornar—se uma barreira.

O segundo artigo mais citado o de Sanchez & Mahoney (1996), em que os autores investigam as inter—relaes entre o design de produto, o design organizacional e os processos de aprendizagem e de GC. Os resultados do estudo demonstram que a autonomia na GC aumenta a capacidade de responder s mudanas ambientais.

Simonin (1999) analisou o papel desempenhado pelo conhecimento tecnolgico no processo de transferncia entre parceiros de aliana estratgica. Por meio de um estudo de caso, o autor levantou que as experincias anteriores em transferncias do conhecimento, a complexidade da transferncia, a proteo do conhecimento e a distncia cultural e organizacional influenciam na cooperao, na capacidade de aprendizagem entre parceiros de alianas estratgicas, bem como na durao das alianas.

Argote, McEvily & Reagans (2003) em seu estudo fornecem um quadro integrativo para organizar a literatura sobre o gerenciamento do conhecimento para a inovao, cujo foco foi nos mecanismos que afetam a capacidade de uma organizao de criar, reter e transferir conhecimento.

Gertler (2003) traz tona o interesse na transferncia de conhecimento ttico entre organizaes em cooperao mundial. A pergunta que aquece a discusso : "O conhecimento tcito pode ser efetivamente compartilhado por longas distncias"? (Gertler, 2003, 75). Os resultados sinalizam que no se pode resolver os problemas de conhecer como o conhecimento tcito produzido, como encontr—lo e como ele causa a aprendizagem social sem investigar o contexto cultural para a transferncia do conhecimento e as bases institucionais da atividade econmica que sustentam a necessidade desse conhecimento.

Hansen (2002) introduz o conceito de redes de conhecimento para explicar por que algumas unidades de negcios so capazes de beneficiar—se do conhecimento residente em outras partes da empresa.

Cummings (2004) argumenta em seu manuscrito que: o valor do compartilhamento de conhecimento externamente organizao, com parceiros da organizao, aumenta quando os grupos de trabalho so estruturalmente mais diversificados. Um grupo de trabalho estruturalmente diversificado segundo o autor aquele no qual seus membros, em virtude de suas diferentes afiliaes organizacionais, funes ou cargos, podem expor—se a fontes nicas de conhecimento.

Jensen, Johnson, Lorenz & Lundvall (2007) trazem discusso os efeitos do uso do conhecimento codificado associado sua interao e ao saber fazer proporcionado.

Nickerson & Zenger (2004), diferentemente das pesquisas anteriores, desenvolvem uma teoria da firma baseada no conhecimento que se concentra na eficincia de formas organizacionais alternativas na gerao de conhecimento ou capacidade. A proposta terica dos autores argumenta que "a complexidade de um problema influencia o melhor mtodo de pesquisa da soluo e os meios ideais de organizar essa busca" (Nickerson & Zenger, 2004, p. 617).

Madhavan & Grover (1998) propem em seu estudo que as habilidades de transferncia do conhecimento, os modelos mentais compartilhados e as rotinas de desenvolvimento de novos produtos, assim como as habilidades dos lderes, so as variveis—chave para o desenvolvimento da inovao em produto que se traduzem na confiana na orientao da equipe, na confiana na competncia tcnica, na redundncia de informaes e na interao pessoal como fatores facilitadores do processo para a criao eficiente de novos conhecimentos.

Dyer & Hatch (2006) investigaram a relao entre as atividades de compartilhamento de conhecimento por clientes para com fornecedores da indstria automobilstica americana e japonesa buscando aferir inicialmente se esse compartilhamento influencia no desempenho de novos produtos; hiptese essa que foi comprovada.

Levina & Vaast (2005) contriburam com a noo de que o conhecimento promove a transformao quando facilitado por meio de pessoas—chave (competncias—chave) no uso de ferramentas da informao e da comunicao.

Volberda, Foss & Lyles (2010), por meio de um estudo bibliomtrico, analisaram a capacidade absortiva do conhecimento para gerar a inovao buscando—se identificar suas dimenses, seus antecedentes e seu impacto no desempenho das organizaes. Os resultados mostraram que o foco das pesquisas se mantm nos resultados tangveis da capacidade absortiva e que as estruturas organizacionais, os requisitos individuais dos empregados e as relaes interorganizacionais so relativamente negligenciadas e afetam diretamente na capacidade absortiva de conhecimento das organizaes.

Ao estudar sobre a importncia das comunidades de prtica como um motor da aprendizagem em diferentes tipos de ambientes de trabalho, Amin & Roberts (2008) observaram que as comunidades de prtica enfatizam o poder do know—how; fortalecem as relaes sociais, os vnculos e sinergias institucionais ou culturais e levantam a necessidade de investigaes sobre sua aplicao em contextos geogrficos diferentes (local e global). As tendncias desse estudo tambm foram levantadas no estudo conduzido por Roberts (2006).

Lavie, Stettner & Tushman (2010) trazem discusso o interesse sobre a anlise da explorao e explotao por meio de um framework proposto por Jim March. Os resultados do estudo apontam que as presses ambientais, a dinmica do mercado e a intensidade da competitividade, bem como o histrico das organizaes envolvendo sua capacidade de absoro do conhecimento, recursos, estrutura organizacional, cultura, idade e tamanho e as inclinaes gerenciais que orientam as organizaes para a explorao ou a explotao em busca da inovao.

Ranft & Lord (2002) exploraram em um estudo de mltiplos casos como se d o processo de aquisio de novas tecnologias e de recursos baseados no conhecimento para a transferncia do conhecimento entre fuses e aquisies de empresas. Os resultados sinalizam que quanto maior o envolvimento de conhecimento tcito e a complexidade social subjacente s tecnologias e capacidades de uma empresa adquirida, mais difcil transferir o conhecimento durante a implementao da aquisio.

Chen & Huang (2009) estudaram o papel da GC na relao entre prticas de recursos humanos estratgicos e do desempenho inovador.

Purvis, Sambamurthy & Zmud (2001) levantaram em estudo que a instituio de repositrios organizacionais do conhecimento uma estratgia vital para os negcios contemporneos. Entretanto, ressaltam que sua viabilidade depende de uma variedade de tecnologias, de prticas sociais e de polticas organizacionais.

Com estudo voltado para as comunidades de clientes virtuais, Nambisan (2002) esclarece, por meio de vrias teorias, que os projetos de ambientes de clientes virtuais criam padres de interao e de criao do conhecimento, motivam o cliente a contribuir e possibilitam s equipes desenvolvimento de produtos e solues de design e criao de valor (inovao).

Aps conhecer o contedo das publicaes mais relevantes, conforme a Tabela 5, tem—se que o gerenciamento do conhecimento para a inovao est sinalizado de forma latente nas publicaes, principalmente associado com a mudana da cultura organizacional, com o uso das tecnologias da informao e comunicao, com a gesto de competncias e os mtodos e com processos de converso do conhecimento em inovao.

Para conhecer quais trabalhos tm a maior quantidade de citaes entre os artigos selecionados para o corpus deste estudo, utilizou—se do ndice Local Citation Score (LCS) em que houve a repetio de citaes para os trabalhos de Volberda, Foss & Lyles (2010); Chen & Huang (2009); Cum—mings (2004); Nickerson & Zenger (2004); Argote, McEvily & Reagans (2003); Carlile (2002); Hansen (2002); Simonin (1999); Madhavan & Grover (1998) e Sanchez & Mahoney (1996), sinalizando—se para a relevncia dos mesmos. A partir do LCS, outros trabalhos foram sinalizados como expressivos conforme se segue.

O trabalho de Demarest (1997), publicado na onda da reestruturao produtiva, traz a noo do conhecimento como a chave para a diferenciao e trabalha a noo do conhecimento comercial como diferente do conhecimento filosfico e cientfico. Segundo o autor, "o objetivo o desempenho efetivo, no as verdades eternas" (Demarest, 1997, p. 37). Alm disso, ele tratou da importncia do uso e da disseminao do conhecimento, alm do fato que o conhecimento compreende mltiplas redes de mecanismos, prticas, processos, ambientes e cultura.

Lee, Lee & Kang (2005) propem uma mtrica para calcular o ndice de desempenho de gerenciamento do conhecimento (KMPI) nas funes de criao, acumulao, compartilhamento, utilizao e internalizao de conhecimento, pois "as empresas esto sempre orientadas para acumular e aplicar conhecimento para criar valor econmico e vantagem competitiva" (Lee, Lee & Kang, 2005, p. 469).

Majchrzak, Cooper & Neece (2004) buscaram entender melhor o processo de reutilizao do conhecimento para o caso de inovaes radicais.

Com o objetivo de examinar como o conhecimento integrado em configuraes complexas de tecnologia e desenvolvimento de produtos, Carlile & Rebentisch (2003) chegaram ao ciclo de transformaes do conhecimento, sendo a aprendizagem a sua atividade preponderante.

Fosfuri & Tribo (2008) exploraram empiricamente os antecedentes da capacidade absortiva das organizaes e chegaram concluso de que a capacidade de identificar e assimilar fluxos de conhecimento externos, a cooperao em pesquisa e desenvolvimento, a aquisio de conhecimento externo e a experincia com pesquisa de conhecimento so antecedentes—chave da capacidade absortiva das organizaes e que podem ser fonte de vantagem competitiva em inovao.

Hitt, Ireland & Lee (2000) trouxeram a noo na onda.com de que a incerteza, o dinamismo e a volatilidade do cenrio competitivo em que as organizaes estavam inseridas estavam alterando a natureza fundamental da concorrncia. Portanto, levantam a noo de que a aprendizagem tecnolgica desempenha um papel vital na competitividade, pois est ligada capacidade de as organizaes desenvolverem, manterem e explorarem competncias essenciais dinmicas.

"Se verdade que a gesto do conhecimento pode modificar o potencial de gerao de variedades dentro da firma, ento essa descoberta tem significado para a evoluo economia em geral" (Coombs & Hull, 1998, p. 252). Nesse sentido, Coombs & Hull (1998) levantam a necessidade de se mapearem prticas e suas combinaes que tiverem trazido vantagem para as organizaes por meio do conhecimento em busca da inovao.

Scarbrough (2003) se centrou no surgimento e implementao do gerenciamento do conhecimento e sua aplicao especfica no e—comerce, explorando, assim, a proposio de Castells de que o processo de inovao est sendo intensificado progressivamente por formas tecnolgicas.

Choi, Poon & Davis (2008) estudaram a relao entre estratgias de gerenciamento do conhecimento e o desempenho organizacional. Os resultados sinalizam que a combinao das estratgias de GC orientadas para obteno do conhecimento tcito trazem efeitos sinrgicos no desempenho das organizaes no mercado.

Com o objetivo de analisar como fatores organizacionais como valores culturais, liderana e recursos humanos (RH) influenciam em prticas de explorao e explotao de conhecimento e inovao, Donate & Guada—millas (2011) chegaram a uma compreenso moderada em que sugeriram que, embora as prticas de GC sejam importantes para a inovao quando certos facilitadores fatores organizacionais para superar as barreiras humanas para GC esto devidamente estabelecidos, a capacidade de inovao da empresa pode ser explorada com mais sucesso.

Portanto, o desenvolvimento da literatura sobre a relao entre GC e inovao pode ser descrito seguindo—se a abordagem de ondas (Quadro 1), como proposto por Kanter (2006), em que cada onda posterior de pesquisa no s introduziu novos temas e mtodos, mas tambm continuou as linhas de pesquisa estabelecidas anteriormente na busca das organizaes pela manuteno e diferenciao no mercado.

1. CONCLUSES

Aps a anlise do corpus do estudo, os resultados respondem ao problema de pesquisa identificando as principais publicaes direcionadas ao fenmeno da GC para a inovao.

Os estudos sinalizam para o foco na consolidao de uma cultura de GC para a inovao por meio de procedimentos e mtodos, polticas, utilizao de tecnologias da informao e comunicao, desenvolvimento de competncias profissionais, da gesto de pessoas alinhada competncia essencial das organizaes e da pesquisa e desenvolvimento.

As temticas emergentes identificadas nos principais manuscritos versam sobre as variveis intraorganizacionais e interorganizacionais que impactam na capacidade absortiva e na prospeco, explorao e explotao do conhecimento e que podem influenciar as demandas de curto e longo prazos, a vantagem competitiva, a inovao e o desempenho econmico e financeiro das organizaes no mercado. Alm disso, tratam ainda sobre a necessidade de estudos futuros sobre a GC e sobre a inovao no contexto de redes co—laborativas de relacionamento entre indivduos, organizaes e a sociedade para a multiplicao de valor por meio da inteligncia competitiva.

Percebe—se que o foco da GC para a inovao, tanto nos principais estudos da rea quanto nas sugestes de trabalhos futuros, est migrando dos processos tticos, que tratam da forma como as pessoas, grupos e organizaes lidam diariamente com o conhecimento utilizando—o como ferramenta para criar valor e resolver seus prprios problemas do dia a dia, para os processos estratgicos que se referem ao "processo, mais a longo prazo, de combinar o intelectual com as exigncias estratgicas. [...] A gesto do conhecimento, em nvel estratgico, exige uma avaliao contnua do capital intelectual existente e uma comparao com necessidades futuras" (Bukowitz & Williams, 2002, p. 26).

Considerando—se o perodo utilizado na pesquisa, tem—se que o corpus analisado contribuiu num processo evolutivo do tipo bricolagem ao longo de quatro grandes ondas (Kanter, 2006), fortalecendo a relao entre as temticas GC e inovao como disciplinas de referncia na academia (Se—renko, 2013).

Levanta—se, por fim, a necessidade de investigaes futuras por meio de estudos empricos e meta—anlises, assim como a ampliao das investigaes sobre as temticas no quadro de referncia da compreenso cujo "mtodo empenha—se em investigar fenmenos singulares ou nicos: um acontecimento no analisado enquanto caso particular, subsumido por uma lei geral, mas apreendido enquanto elemento original e especfico" (Bruyne et al., 199, p. 139).


REFERNCIAS

Abranches, S. (2017). A era do imprevisto: a grande transio do Sculo XXI. So Paulo: Companhia das Letras.

Amin, A., & Roberts, J. (2008). Knowing in action: Beyond communities of practice. Research Policy, 37(2), 353—369. Doi: 10.1016/j.respol.2007.11.003.

Argote, L., McEvily, B., & Reagans, R. (2003). Managing knowledge in organizations: An integrative framework and review of emerging themes. Management Science, 49(4), 571—582. Doi: 10.1287/mnsc.49.4.571.14424.

Bauman, Z. (2004). Amor lquido: sobre a fragilidade dos laos humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora.

Bauman, Z. (2010). Capitalismo Parasitrio: e outros temas contemporneos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora.

Bellis, N. D. (2009). Bibliometrics and Citation Analysis: from the Science Citation Index to Cybermetrics. Toronto: The Scarecrow Press.

Boyatizis, R. (1982). The competent manager: A model of effective performance. New York: Wiley.

Bukowitz, W. R., & Williams, R. L. (2002). Manual de Gesto do Conhecimento: ferramentas e tcnicas que criam valor para a empresa. Porto Alegre: Bookman.

Brito, L. M. P., Oliveira, P. W. S. de, & Castro, A. B. C. de (2012). Gesto do conhecimento numa instituio pblica de assistncia tcnica e extenso rural do Nordeste do Brasil. Revista de Administrao Pblica, 46(5), 1341—1366. Doi: 10.1590/S0034—76122012000500008.

Bruyne, P. de, Herman, J., & Schoutheete, M. de. (1991). Dinmica da pesquisa em Cincias Sociais. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

Camargo, D. D., Kind da Cunha, S., & Mazziotti Bulgacov, Y L. (2010). A psicologia de McClelland e a economia de Schumpeter no campo do em—preendedorismo. RDE—Revista de Desenvolvimento Econmico, 10(17), 111—120.

Carlile, P. R., & Rebentisch, E. S. (2003). Into the black box: The knowledge transformation cycle. Management Science, 49(9), 1180—1195.

Carlile, P. R. (2002). A pragmatic view of knowledge and boundaries: Boundary objects in new product development. Organization science, 13(4), 442—455. Doi: 10.1287/orsc.13.4.442.2953.

Castro, A. B. C., Brito, L. M. P., & Varela, J. H. de S. (2017). A ressignificao da rea de gesto de pessoas e os novos papis das pessoas e das organizaes. HOLOS, 33(4), 408—423. Doi: 10.15628/holos.2017.5168.

Coombs, R., & Hull, R. (1998). Knowledge management practices' and path—dependency in innovation. Research Policy, 27(3), 237—253.

Cummings, J. N. (2001, August). Work groups and knowledge sharing in a global organization. In Academy of Management Proceedings, 1, D1—D6. Doi: 10.5465/APBPP.2001.6133627.

Chen, C. J., & Huang, J. W. (2009). Strategic human resource practices and innovation performance The mediating role of knowledge management capacity. Journal of Business Research, 62(1), 104—114. Doi: 10.1016/j.jbusres.2007.11.016.

Cherman, A., & da Rocha—Pinto, S. R. (2016). Valorao do conhecimento nas organizaes e sua incorporao nas prticas e rotinas organizacionais. Revista Brasileira de Gesto de Negcios, 18(61), 416—435. Doi: 10.7819/rbgn.v18i61.2966.

Choi, B., Poon, S. K., & Davis, J. G. (2008). Effects of knowledge management strategy on organizational performance: A complementarity theory—based approach. Omega, 36(2), 235—251. Doi: 10.1016/j.omega.2006.06.007.

Clark Teodoroski, R. D. C., Silva Santos, J. L., & Steil, A. V. (2015). Aprendizagem organizacional e inovao: uma anlise bibliomtrica da produo cientfica internacional no perodo entre 2008 e 2012. Revista Alcance, 22(1), 33—54. Doi: alcance.v22, n1, p33—54.

Davenport, T., & Prusak, L. (1998). Conhecimento empresarial: como as organizaes gerenciam o seu capital intelectual. Rio de Janeiro: Elsevier.

Demarest, M. (1997). Understanding knowledge management. Long Range Planning, 30(3), 321—322, 374—384. Doi: 10.1016/S0024—6301(97)90250—8.

Donate, M. J., & Guadamillas, F. (2011). Organizational factors to support knowledge management and innovation. Journal of Knowledge Management, 15(6), 890—914. Doi: 10.1108/13673271111179271.

Donate, M. J., & de Pablo, J. D. S. (2015). The role of knowledge—oriented leadership in knowledge management practices and innovation. Journal of Business Research, 68(2), 360—370. Doi: 10.1016/j.jbusres.2014.06.022.

Dyer, J. H., & Hatch, N. W. (2006). Relation—specific capabilities and barriers to knowledge transfers: creating advantage through network relationships. Strategic Management Journal, 27(8), 701—719. Doi: 10.1002/smj.543.

Faeni, D. (2017). Design knowledge management and innovation aspect in organization competitiveness. International Journal of Applied Business and Economic Research, 15(18), 521—536.

Figueiredo, P. N. (2015). Gesto da Inovao: conceitos, mtricas e experincias de empresas no Brasil. Rio de Janeiro: LTC.

Fosfuri, A., & Trib, J. A. (2008). Exploring the antecedents of potential absorptive capacity and its impact on innovation performance. Omega, 36(2), 173—187. Doi: 10.1016/j.omega.2006.06.012.

Guerrero, M., & Urbano, D. (2017). The impact of Triple Helix agents on entrepreneurial innovations' performance: An inside look at enterprises located in an emerging economy. Technological Forecasting and Social Change, 119, 294—309. Doi: 10.1016/j.techfore.2016.06.015.

Gertler, M. S. (2003). Tacit knowledge and the economic geography of context, or the undefinable tacitness of being (there). Journal of Economic Geography, 3(1), 75—99. Doi: 10.1093/jeg/3.1.75.

Hamel, G., & Prahalad, C. K. (1995). Competindo pelo Futuro: estratgias inovadoras para obter o controle do seu setor e criar mercados de amanh. So Paulo: Campus.

Hansen, M. T. (2002). Knowledge networks: Explaining effective knowledge sharing in multiunit companies. Organization Science, 13(3), 232—248. Doi: 10.1287/orsc.13.3.232.2771.

Hitt, M. A., Ireland, R. D., & Lee, H. U. (2000). Technological learning, knowledge management, firm growth and performance: an introductory essay. Journal of Engineering and Technology Management, 17(3), 231—246. Doi: 10.1016/S0923—4748(00)00024—2.

Kanter, R. M. (2006). Innovation: The Classic Traps. Harvard Business Review, 84(11), 1—13.

Kobashi, N. Y., & Santos, N. M. dos. (2006). Institucionalizao da pesquisa cientfica no Brasil: cartografia temtica e de redes sociais por meio de tcnicas bibliomtricas. TransInformao, 18(1), 27—36.

Lavie, D., Stettner, U., & Tushman, M. L. (2010). Exploration and exploitation within and across organizations. Academy of Management Annals, 4(1), 109155. Doi: 10.1080/19416521003691287.

Le Boterf, G. (2003). Desenvolvendo a competncia dos profissionais. Porto Alegre: Artmed Editora, 2003.

Lee, K. C., Lee, S., & Kang, I. W. (2005). KMPI: measuring knowledge management performance. Information & Management, 42(3), 469—482. Doi: 10.1016/j.im.2004.02.003.

Legros, D., & Galia, F. (2012). Are innovation and R&D the only sources of firms' knowledge that increase productivity? An empirical investigation of French manufacturing firms. Journal of Productivity Analysis, 38(2), 167181.

Lepik, K.L., & Krigul, M. (2014). Challenges in knowledge sharing for innovation in cross—border context. International Journal of Knowledge—Based Development, 5(4), 332—343. Doi: 10.1504/IJKBD.2014.068044.

Levina, N., & Vaast, E. (2005). The emergence of boundary spanning competence in practice: implications for implementation and use of information systems. MIS quarterly, 335—363. Doi: 10.2307/25148682.

Madhavan, R., & Grover, R. (1998). From embedded knowledge to embodied knowledge: new product development as knowledge management. The Journal of Marketing, 1—12. Doi: 10.2307/1252283.

Majchrzak, A., Cooper, L. P., & Neece, O. E. (2004). Knowledge reuse for innovation. Management Science, 50(2), 174—188. DOI: 10.1287/mnsc.1030.0116.

Marques, C. S., Marques, C. P., Leal, C. T., & Cardoso, A. R. (2017). Knowledge, innovation, internationalisation and performance: insights from the Portuguese footwear industry. International Journal of Entrepreneurship and Small Business, 32(3), 299—313. Doi: 10.1504/IJESB.2017.087026.

Menguc, B., & Auh, S. (2010). Development and return on execution of product innovation capabilities: The role of organizational structure. Industrial marketing management, 39(5), 820—831. Doi: 10.1016/j.indmarman.2009.08.004.

Mesquita, R. F. de, Matos, F. R. N., Sena, A. M. C. de, & Rechene, S. T. (2015). Mulheres Empreendedoras: um Estudo na Base de Dados ISI Web of Science. Anais do XXXIX Encontro Nacional da Associao Nacional de Ps—Graduao em Administrao, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Mets, T. (2010). Entrepreneurial business model for classical research university. Engineering Economics, 66(1), 80—89.

Moura, L. K. B., Mesquita, R. F. de, Mobin, M., Matos, F. T. C., Monte, T. L., Lago, E. C., Falco, C. A. M., Ferraz, M. A. de A. L., Santos, T. C., & Souza, L. R. M. (2017). Uses of Bibliometric Techniques in Public Health Research. Iranian Journal of Public Health, 46(10), 1435—1436.

McClelland, D. (1973). Testing for Competence Rather Than for Intelligence. American Psychologist.

Nambisan, S. (2002). Designing virtual customer environments for new product development: Toward a theory. Academy of Management Review, 27(3), 392—413. Doi: 10.5465/AMR.2002.7389914.

Nickerson, J. A., & Zenger, T. R. (2004). A knowledge—based theory of the firm The problem—solving perspective. Organization Science, 15(6), 617—632. Doi: 10.1287/orsc.1040.0093.

Nonaka, I., & Takeuchi, H. (1997). Criao de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinmica da inovao. Rio de Janeiro: Campus.

OECD. Organization for Economic Co—operation and Development. (2005). Oslo Manual: guidelines for collecting and interpreting innovation data. Recuperado em 01 novembro, 2017, de www.oecd—ilibrary.org/docserver/download/9205111e.pdf.

Obeidat, B.Y., Tarhini, A., Masadeh, R., & Aqqad, N. O. (2016). The impact of intellectual capital on innovation via the mediating role of knowledge management: A structural equation modelling approach. International Journal of Knowledge Management Studies, 8(3—4), 273—298. Doi: 10.1504/IJKMS.2017.087071.

Pattikawa, L. H., Verwaal, E., & Commandeur, H. R. (2006). Understanding new product project performance. European Journal of Marketing, 40(11/12), 1178—1193. Doi: 10.1108/03090560610702768.

Perrenoud, P., & Thurler, M. G. (2009). As competncias para ensinar no sculo XXI: a formao dos professores e o desafio da avaliao. Artmed Editora.

Purvis, R. L., Sambamurthy, V., & Zmud, R. W. (2001). The assimilation of knowledge platforms in organizations: An empirical investigation. Organization Science, 12(2), 117—135. Doi: 10.1287/orsc.12.2.117.10115.

Quinn, R. E. (2003). Competncias gerenciais. Rio de Janeiro: Elsevier.

Ranft, A. L., & Lord, M. D. (2002). Acquiring new technologies and capabilities: A grounded model of acquisition implementation. Organization Science, 13(4), 420—441. Doi: 10.1287/orsc.13.4.420.2952.

Roberts, J. (2006). Limits to communities of practice. Journal of management studies, 43(3), 623—639. Doi: 10.1111/j.1467—6486.2006.00618.x.

Ruas, R., Antonello, C. S., & Boff, L. H. (2005). Aprendizagem Organizacional e Competncias. Porto Alegre: Bookman.

Sanchez, R., & Mahoney, J. T. (1996). Modularity, flexibility, and knowledge management in product and organization design. Strategic management journal, 17(S2), 63—76. Doi: 10.1002/smj.4250171107.

Santos, J. L. S., Uriona—Maldonado, M., & Santos, R. N. M. dos. (2011). Innovation and Organizational Knowledge: A bibliometric mapping of scientific publications until 2009. Organizaes em contexto, 7(3), 31—58.

Senge, P. R. (2012). A quinta Disciplina: arte e prtica da organizao que Aprende. So Paulo: Best Seller.

Serenko, A. (2013). Meta—analysis of scientometric research of knowledge management: discovering the identity of the discipline. Journal of Knowledge Management, 17(5), 773—812. Doi: 10.1108/JKM—05—2013—0166.

Simonin, B. L. (1999). Ambiguity and the process of knowledge transfer in strategic alliances. Strategic Management Journal, 595—623.

Song, M., & Noh, J. (2006). Best new product development and management practices in the Korean high—tech industry. Industrial Marketing Management, 35(3), 262—278. Doi: 10.1016/j.indmarman.2005.04.007.

Scarbrough, H. (2003). Knowledge management, HRM and the innovation process. International Journal of Manpower, 24(5), 501—516. Doi: 10.1108/01437720310491053.

Schiuma, G. (2012). Managing knowledge for business performance improvement. Journal of Knowledge Management, 16(4), 515—522. Doi: 10.1108/13673271211246103.

Schmitz, A., Delgado, A. S., Mezzaroba, M. P., Dandolini, G. A., & de Souza, J. A. (2015). A interao de conhecimentos nos sistemas de inovao: uma anlise bibliomtrica dos estudos publicados e as formas de interao. Perspectivas em Gesto & Conhecimento, 5(1), 69—85.

Sveiby, K. E. (1998). A nova riqueza das organizaes, gerenciando e avaliando patrimnios de Conhecimento. Rio de Janeiro: Campus.

Tang, H. (2017). Effects of leadership behavior on knowledge management and organization innovation in Medicine and Health Sciences. Eurasia Journal of Mathematics, Science and Technology Education, 13(8), 5425—5433. Doi: 10.12973/eurasia.2017.00840a.

Teixeira, M. L. M., Iwamoto, H. M., & Medeiros, A. L. (2013). Estudos bi—bliomtricos (?) em Administrao: discutindo a transposio de finalidade. Administrao: Ensino e Pesquisa, 14(3), 423—452. Doi: 10.13058/raep.2013.v14n3.57.

Van Waveren, C., Oerlemans, L., & Pretorius, T. (2017). Refining the classification of knowledge transfer mechanisms for project—to—project knowledge sharing. South African Journal of Economic and Management Sciences, 20(1), 1—16. Doi: 10.4102/sajems.v20i1.1642.

Vanz, S. A. de S., & Stumpf, I. R. C. (2010). Procedimentos e ferramentas aplicados aos estudos bibliomtricos. Informao & Sociedade, 20(2), 67—75.

Volberda, H. W., Foss, N. J., & Lyles, M. A. (2010). Perspective Absorbing the concept of absorptive capacity: How to realize its potential in the organization field. Organization Science, 21(4), 931—951. Doi: 10.1287/ orsc.1090.0503.

Yu, C. P., Zhang, Z. G., & Shen, H. (2017). The effect of organizational learning and knowledge management innovation on SMEs' technological capability. Eurasia Journal of Mathematics, Science and Technology Education, 13(8), 54755487. Doi: 10.12973/eurasia.2017.00842a.

Zarifian, P. (2001). Objetivo Competncia: por uma nova lgica. So Paulo: Atlas.


Pensamiento & Gestin
Revista de la Escuela de Negocios de la Universidad del Norte
http://rcientificas.uninorte.edu.co/index.php/pensamiento
dparamo@uninorte.edu.co

Universidad del Norte
Barranquilla (Colombia)
2019
©

Refbacks

  • No hay Refbacks actualmente.


Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 License.