Percepção de corrupção e aprovação dos governos latino-
americanos
1
Professor Associado III do Departamento de Economia da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Doutor em Economia Aplicada pela ESALQ/USP, mestre em Desenvolvimento Econômico pela
Universidade Federal do Paraná (UFPR) e graduado em Ciências Econômicas pela Universidade
Federal de Juiz de Fora (UFJF). E-mail: evandro.teixeira@ufv.br; ORCID: https://orcid.org/0000-0002-
6470-2103.
Perception of corruption and government approval in Latin America
G a b r i e l l e L e t í c i a C a m p o s d e O l i v e i r a
E v a n d r o C a m a r g o s T e i x e i r a
1
Data de recebimento: 30 de março de 2025
Data de aceitação: 13 de agosto de 2025
2
2
Graduanda em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). E-mail:
gabrielle.oliveira@ufv.br. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-4185-6194.
Resumo
Este estudo analisa a relação entre a percepção de corrupção do poder executivo e a
aprovação governamental em 18 países latino-americanos. São utilizadas 11.582 observações
do Latinobarómetro de 2018 e estima-se um modelo Logit Multinível. Os resultados indicam
que maior percepção de corrupção no executivo reduz em 19,1 pontos percentuais a
probabilidade de aprovação dos governos. Isso evidencia que a corrupção percebida
compromete a credibilidade governamental, expõe fragilidades institucionais da região e
limita a efetividade das políticas públicas.
Palavras-chave: percepção de corrupção, poder executivo, aprovação governamental, logit
multinível, América Latina.
Abstract
This study analyzes the relationship between perceptions of executive branch corruption and
government approval in 18 Latin American countries. A total of 11,582 observations from
the 2018 Latinobarómetro are used, and a Multilevel Logit model is estimated. Results show
that higher perceptions of executive corruption reduce the probability of government
approval by 19.1 percentage points. These findings indicate that perceived corruption
undermines governmental credibility, reveals institutional fragilities in the region, and limits
the effectiveness of public policies.
Keywords: perception of corruption; executive branch; government approval; multilevel
logit; Latin America.
1. Introdução
A corrupção pode ser entendida como a prática de atividades ilegais ou antiéticas voltadas à
obtenção de vantagens indevidas. Esse fenômeno manifesta-se tanto no setor público quanto
no privado, em formas como suborno, desvios de fundos, nepotismo e tráfico de influência
(Koeswayo, Handoyo & Abdul Hasyir, 2024; Lima, Silva & Lucena, 2022). Dados da
Transparência Internacional indicam que, em 2019, 53% dos latino-americanos perceberam
aumento da corrupção e 85% a consideraram um grave problema, evidenciando sua presença
cotidiana na região (Transparência Internacional, 2019).
A história da América Latina, marcada pela colonização, exploração econômica,
desigualdade social e instabilidade política, criou um ambiente propício à corrupção (Alves
& Pedroza, 2018; Lima, Silva & Lucena, 2022). No setor público, agentes utilizam seus
cargos para obter ganhos particulares, refletindo fragilidade institucional (Baptista, 2018;
Padula & Albuquerque, 2018). Instituições frágeis, somadas à desigualdade social e
instabilidade econômica, ampliam os incentivos para práticas ilícitas (Habibov, Fan &
Auchynnikava, 2019). A corrupção extrapola o nível individual e associa-se à redução da
confiança nas instituições, à piora do bem-estar, à ampliação das desigualdades sociais e à
ineficiência estatal (Barricelli, 2022; Rahbarqazi & Mahmoudoghli, 2020).
Apesar do consenso de que a corrupção está associada à insatisfação política, a literatura
revela resultados heterogêneos. Em alguns contextos, a percepção de corrupção reduz a
aprovação governamental; em outros, fatores como desempenho econômico, populismo e
visibilidade midiática podem atenuar ou até reverter esse efeito. Essa ambiguidade reforça a
necessidade de estudos comparativos que considerem as especificidades latino-americanas.
Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar a associação entre a percepção de
corrupção do poder executivo e a aprovação dos governos em 18 países da América Latina,
a partir de dados do Latinobarómetro de 2018. A contribuição principal consiste em oferecer
evidências comparativas e agregadas para a região, considerando suas semelhanças
socioeconômicas, por meio de um modelo Logit Multinível. O artigo também busca dialogar
com a literatura sobre legitimidade política, ao destacar a relevância das percepções sociais
de corrupção para a credibilidade institucional e para a avaliação dos governos. Além desta
introdução, o artigo organiza-se em quatro seções: evidências teóricas e empíricas,
metodologia, resultados e considerações finais.
2. Evidências Teóricas e Empíricas
A literatura internacional e latino-americana aponta que a relação entre percepção de
corrupção e aprovação governamental ocorre por diferentes mecanismos. Um deles é a
confiança institucional: quanto maior a percepção de corrupção, menor tende a ser a
credibilidade das instituições e a aprovação do governo. Evidências da China mostram que
esforços anticorrupção reduzem a percepção de corrupção e atenuam a queda da confiança
governamental, enquanto aumentos nessa percepção diminuem a aprovação (Zhang et al.,
2019).
Similarmente, Ma et al. (2022) identificaram que a percepção de corrupção está associada à
redução do bem-estar subjetivo, que atua como mediador na avaliação negativa dos governos.
De maneira complementar, estudos recentes também mostram que ações de combate à
corrupção podem aumentar a confiança nas instituições e estimular maior engajamento
político, como demonstraram Poertner e Zhang (2023) em evidências experimentais para a
Argentina e a Costa Rica. Resultados similares foram encontrados por Beesley e Hawkins
(2022), ao destacarem que a exposição a informações sobre corrupção afeta negativamente a
confiança institucional em diferentes contextos.
Outro mecanismo destacado é o desempenho econômico. Em contextos de instabilidade, os
efeitos negativos da corrupção sobre a aprovação governamental tendem a se intensificar, ao
passo que crescimento econômico e provisão adequada de serviços públicos podem
amortecer esse impacto. Habibov, Fan e Auchynnikava (2019) demonstraram, em 29 países,
que a corrupção política se relaciona a menor satisfação com o governo, mas a qualidade dos
serviços públicos atua no sentido oposto.
Para a América Latina, Rosas e Manzetti (2015) identificaram que a desaprovação diante da
corrupção é mais pronunciada em situações de crise econômica. Resultados similares foram
encontrados por Rahbarqazi e Mahmoudoghli (2020), ao demonstrarem que economias em
bom desempenho aumentam a aprovação, embora a percepção de corrupção ainda gere
avaliações negativas. Estudos recentes também têm utilizado abordagens inovadoras, como
análises de buscas no Google, mostrando que o aumento do interesse por termos relacionados
à corrupção, insegurança e serviços públicos está associado à queda na aprovação dos
governos latino-americanos (Montoya et al., 2020).
A literatura também destaca o papel do populismo e da liderança carismática. Em países nos
quais os governantes mantêm vínculos emocionais com o eleitorado, a desaprovação pela
corrupção tende a ser menor, ainda que não desapareça. Ortiz Ayala e García Sánchez (2014)
observaram que governos populistas podem manter apoio mesmo em contextos de corrupção,
resultado corroborado por experiências como as de Carlos Menem na Argentina e Hugo
Chávez na Venezuela, que preservaram aprovação apesar de acusações de corrupção, em
grande medida pelo apelo popular e pela retórica política (Ortiz Ayala & García Sánchez,
2014).
Evidências recentes reforçam que esse fenômeno está ligado a impactos institucionais mais
amplos, pois regimes populistas de esquerda na região demonstram efeitos negativos sobre a
qualidade institucional no longo prazo (Cachanosky, Bastos, Padilla & Hernández, 2024).
Por fim, o papel da mídia e da visibilidade dos escândalos também aparece como mecanismo
relevante. A ampla cobertura da Operação Lava Jato no Brasil contribuiu para ampliar a
percepção de corrupção e, em períodos de fragilidade econômica, intensificou a queda de
aprovação da então presidente Dilma Rousseff (Baptista, 2018). Esses resultados indicam
que a exposição midiática tende a reforçar os efeitos da corrupção sobre a avaliação
governamental, sobretudo quando combinada à insatisfação com a economia.
De modo geral, a literatura sugere que a corrupção está associada à redução da satisfação
com os governos, mas esse vínculo não é homogêneo. No caso latino-americano, onde parte
da população normaliza práticas corruptas, a relação depende fortemente do desempenho
econômico, do perfil populista dos governantes, da intensidade da cobertura midiática e da
capacidade das instituições em sustentar confiança mesmo em cenários de corrupção.
3. Metodologia
Dados
O presente estudo utiliza como base empírica a pesquisa Latinobarómetro de 2018, conduzida
pela Latinobarómetro Corporation. Esse inquérito anual, realizado desde 1995, investiga
percepções sobre democracia, economia e sociedade em países latino-americanos, sendo
amplamente empregado em análises comparativas da região (Latinobarómetro, 2024).
A edição de 2018 foi escolhida por duas razões principais: representa a última rodada antes
do período pandêmico, garantindo maior estabilidade no contexto político e econômico; e é
a última versão disponível que reúne todas as informações necessárias para a realização desta
pesquisa.
A coleta das informações ocorreu por meio de questionários aplicados presencialmente ou
por telefone, assegurando representatividade amostral nos países analisados. Foram
considerados 18 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República
Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá,
Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, totalizando 11.582 observações (Latinobarómetro
Corporation, 2018).
A opção por analisar os países de forma conjunta justifica-se pelas semelhanças históricas e
socioeconômicas da região, o que possibilita examinar padrões agregados da relação entre
percepção de corrupção do poder executivo e aprovação governamental.
Estratégia econométrica
Este estudo utiliza um modelo de regressão logística multinível com intercepto aleatório por
país. A escolha por esse modelo decorre do caráter hierárquico dos dados, uma vez que os
indivíduos (nível 1) estão aninhados em países (nível 2). Nesses contextos, as observações
dentro de um mesmo grupo não são independentes, e a estimação por modelos Logit
convencionais tenderia a subestimar erros-padrão e ignorar a variabilidade entre contextos
nacionais. Os modelos multiníveis permitem decompor a variância em diferentes níveis e
estimar interceptos e coeficientes como parâmetros aleatórios, captando a heterogeneidade
entre países e controlando os efeitos contextuais (Rabe-Hesketh & Skrondal, 2012; Snijders
& Bosker, 2012).
A estimação iniciou-se com o modelo nulo, sem variáveis explicativas, de modo a verificar
se variação significativa entre os países em termos da variável dependente. Esse
procedimento possibilita o cálculo do coeficiente de correlação intraclasse (ICC), que indica
a proporção da variância total atribuída às diferenças entre grupos. No modelo Logit
Multinível com intercepto aleatório, o ICC pode ser expresso como:
ICC = σ²u / (σ²u + π²/3) (1)
em que σ²u representa a variância do intercepto aleatório entre os países e π²/3 corresponde à
variância da distribuição logística padrão (aproximadamente 3,29).
O modelo geral pode ser formalizado da seguinte maneira. Seja Yij uma variável binária que
assume valor 1 quando o indivíduo i no país j aprova o governo e 0 caso contrário. A
probabilidade condicional de aprovação é dada por:
pij = Pr(Yij = 1 | Corrupçãoij, Xij, uj) = Λ(β0 + β1 Corrupçãoij + Xij’β + uj) (2)
em que Λ(z) = ez / (1 + ez) é a função logística, Corrupçãoij é a principal variável explicativa,
Xij representa o vetor de variáveis de controle e uj é o intercepto aleatório associado ao país
j, assumido como normalmente distribuído com média zero e variância σ²u.
A principal variável explicativa é a percepção de corrupção do poder executivo, que assume
valor 1 quando os indivíduos consideram que todos ou quase todos os membros do poder
executivo são corruptos, e 0 em caso contrário. Espera-se que essa variável esteja
negativamente associada à probabilidade de aprovação governamental, em consonância com
estudos prévios (Pastrana Valls, 2019; Koeswayo, Handoyo & Abdul Hasyir, 2024).
Além da principal variável explicativa, foram incluídos controles individuais de nível 1
(idade, sexo, anos de estudo, estado civil, cor e classe social), bem como a variável de nível
2 referente ao país de residência. Todas essas variáveis, assim como seus sinais esperados
segundo a literatura, estão descritas no Quadro 1.
Quadro 1. Variáveis explicativas inseridas no modelo econométrico estimado
Descrição
Sinal Esperado
Variável que representa a
aprovação do governo pelos
indivíduos. Ela assume valor
igual a 1 se o indivíduo aprova
o governo e 0, caso não aprove.
Variável dependente
Variáveis explicativas do nível 1
Variável que representa a
avaliação dos indivíduos
quanto a corrupção do poder
executivo em seu país. Ela
variável assume valor igual a 1
se o indivíduo considera que
todos ou quase todos os
membros do poder executivo
de seu país são corruptos e 0,
caso considere que nenhum ou
alguns praticam corrupção.
Negativo. Espera-se que países
com elevados níveis de
corrupção apresentem menor
aprovação governamental
(Koeswayo, Handoyo & Abdul
Hasyir, 2024; Rahbarqazi &
Mahmoudoghli, 2020).
Idade dos indivíduos.
Positivo. Conforme Habibov,
Fan e Auchynnikava (2019),
indivíduos mais velhos tendem
a aprovar mais o governo.
Dummy que assume valor igual
a 1 caso o indivíduo seja do
Negativo. Alguns estudos
apontam para maior aprovação
sexo masculino e 0, caso seja
do sexo feminino.
governamental entre as
mulheres (Habibov, Fan &
Auchynnikava, 2019).
Dummy que recebe valor igual
a 1 para indivíduos casados e 0,
caso contrário.
Inconclusivo. O estudo de
Melgar, Rossi e Smith (2010)
aponta para uma menor
percepção de corrupção entre
indivíduos casados em relação
aos demais estados civis.
Contudo, Barros Teixeira,
Guimarães Rehbein-Satlher e
Rehbein Rodrigues (2021)
encontraram em sua pesquisa
que indivíduos casados
possuem maior percepção de
corrupção.
Dummy que recebe valor igual
a 1 para indivíduos que se
consideram pertencentes a
classe socioeconômica baixa e
0, caso contrário.
Negativo. Conforme Melgar,
Rossi e Smith (2010),
indivíduos com menores níveis
de renda tendem a possuir
maior percepção de corrupção
em relação aos que se
concentram nas faixas mais
elevadas de rendimentos.
Dummy que recebe valor igual
a 1 para indivíduos que se
consideram pertencentes a
classe socioeconômica média
baixa, e 0 caso contrário.
Dummy que recebe valor igual
a 1 para indivíduos que se
consideram pertencentes a
classe socioeconômica média e
0, caso contrário.
Dummy que recebe valor igual
a 1 para indivíduos que se
consideram pertencentes a
classe socioeconômica média
alta e 0, caso contrário.
Dummy que recebe valor igual
a 1 para indivíduos que se
consideram pertencentes a
classe socioeconômica alta e 0,
caso contrário.
Dummy que recebe valor igual
a 1 se os indivíduos se
consideram brancos ou
asiáticos e 0, caso contrário
(pretos, pardos ou indígenas).
Negativo. De acordo com
Wilkinson, Esarey e Collins
(2023), minorias étnicas tendem
a possuir menor percepção de
corrupção.
Anos de estudo dos indivíduos.
Positivo. Alguns estudos
apontam para menor nível de
percepção de corrupção entre os
indivíduos com maior nível de
escolaridade (Melgar, Rossi &
Smith, 2010).
Dummy que recebe valor igual
a 1 se o indivíduo considera a
distribuição de renda do seu
país justa ou muito justa e 0,
caso considere que seja injusta
ou muito injusta.
Positivo. Espera-se que países
que possuam menores níveis de
desigualdade de renda
apresentem maior aprovação
governamental (Melgar, Rossi
& Smith, 2010).
Dummy que recebe valor igual
a 1 se o indivíduo considera
Positivo. Estudos apontam que
governos que apresentam bons
que o país está em uma
situação econômica boa ou
muito boa e 0, caso considere
que o país está em uma
situação econômica ruim ou
muito ruim.
índices econômicos tendem a
possuir maior aprovação entre
os indivíduos (Ortiz Ayala &
García Sánchez, 2014).
Dummy que recebe valor igual
a 1 para os casos em que o
indivíduo considera que o país
possui uma democracia plena
ou com pequenos problemas e
0, caso considere que o país
não seja uma democracia ou
que a democracia possua
grandes problemas.
Positivo. Espera-se que países
que possuem sistema
democrático com maior
qualidade apresentem maior
aprovação governamental
(Colen, 2010)
Variável explicativa do nível 2
Variável que identifica o país
de residência dos indivíduos.
Tem-se os seguintes países na
amostra, sendo os números
entre os parênteses os números
dos mesmos no questionário do
Latinobarómetro de 2018:
Argentina (32), Bolívia (68),
Brasil (76), Chile (152),
Colômbia (170), Costa Rica
(188), República Dominicana
(214), Equador (218), El
Salvador (222), Guatemala
(320), Honduras (340), México
-
(484), Nicarágua (558),
Panamá (591), Paraguai (600),
Peru (604), Uruguai (858) e
Venezuela (862).
Fonte: Elaboração própria.
Os pesos amostrais fornecidos pelo Latinobarómetro foram incorporados de modo a ajustar
a pseudo-verossimilhança às probabilidades de seleção da amostra. Para maior consistência
da inferência, os erros-padrão foram estimados de forma robusta e agrupados por país,
contemplando a heterocedasticidade e a correlação intra-país.
Por fim, uma vez que os coeficientes estimados no modelo Logit se expressam em logaritmos
da razão de chances e não são diretamente interpretáveis em termos de probabilidades,
também foram calculados os efeitos marginais dios (AME). Para uma variável contínua
xk, o efeito marginal é dado por:
AMEk = (1/N) Σij [pij (1 pij) βk] (3)
No caso das dummies, como a percepção de corrupção, o efeito marginal corresponde à
diferença média entre as probabilidades quando a variável assume valor 1 e quando assume
valor 0:
AMEdk = (1/N) Σij [Pr(Yij = 1 | dk = 1) Pr(Yij = 1 | dk = 0)] (4)
Em que ηij = β0 + β1 Corrupçãoij + Xij’β + uj. Esses efeitos permitem avaliar a magnitude da
associação entre as variáveis explicativas e a probabilidade de aprovação governamental.
4. Resultados e Discussão
Análise descritiva
Após a exclusão de observações com valores ausentes, a amostra final compreende 11.582
indivíduos provenientes do Latinobarómetro de 2018. A Tabela 1 apresenta as estatísticas
descritivas das variáveis incluídas no modelo econométrico, considerando médias, desvios-
padrão, valores mínimos e máximos.
Do total de entrevistados, 33,31% declararam aprovar a gestão do governo executivo em seus
respectivos países. Em relação à percepção de corrupção, observa-se que 57,00% consideram
que todos ou quase todos os membros do poder executivo são corruptos.
A amostra apresenta média de idade de aproximadamente 40 anos, sendo composta por
51,23% de homens e 26,55% de indivíduos que se autodeclaram brancos ou asiáticos. Quanto
à classe socioeconômica, a maior parte dos respondentes se identifica como pertencente à
classe dia (41,23%), seguida da classe média baixa (31,99%), da classe baixa (18,43%),
da classe média alta (6,60%) e da classe alta (1,75%). A média de escolaridade é de 10,85
anos de estudo, e 52,59% dos indivíduos afirmaram ser casados.
No que se refere às percepções sociais, econômicas e políticas, 15,84% dos entrevistados
consideram que seu país possui distribuição de renda justa ou muito justa, 12,54% avaliam a
situação econômica como boa ou muito boa e 32,21% classificam a qualidade da democracia
como satisfatória.
Tabela 1. Estatísticas descritivas
Variável
Média
Desvio-
Padrão
Mínimo
Máximo
AprovGoverno
0,3331
0,4713
0
1
Corrupção
0,5700
0,4951
0
1
Idade
39,9748
15,9620
16
100
nero
0,5123
0,4999
0
1
AnosdeEstudo
10,8528
4,0649
1
17
Cor
0,2655
0,4416
0
1
Casado
0,5259
0,4993
0
1
ClasseBaixa
0,1843
0,3878
0
1
ClasseMédiaBaixa
0,3199
0,4665
0
1
ClasseMédia
0,4123
0,4923
0
1
ClasseMédiaAlta
0,0660
0,2482
0
1
ClasseAlta
0,0175
0,1312
0
1
DistribuiçãoRenda
0,1584
0,3652
0
1
BoaSitEconomia
0,1254
0,3312
0
1
QualiDemocracia
0,3221
0,4673
0
1
Fonte: Elaboração própria.
A Tabela 2 apresenta as médias de aprovação governamental condicionadas à percepção de
corrupção no poder executivo. Verifica-se que, entre aqueles que percebem elevados níveis
de corrupção (corrupção = 1), a média de aprovação governamental é de aproximadamente
0,20. Por outro lado, entre os que não percebem ou percebem baixo nível de corrupção
(corrupção = 0), a média de aprovação se eleva para 0,514. Esses resultados sugerem a
existência de relação inversa entre percepção de corrupção e aprovação governamental, a
qual será testada formalmente na subseção seguinte por meio dos resultados econométricos.
Tabela 2. Média de aprovação governamental condicionada à percepção de corrupção do
poder executivo
Aprovação do Governo
Média
Todos ou quase todos os membros do poder executivo de seu país são
corruptos (Corrupção = 1)
0,1968
Nenhum ou alguns membros do poder executivo de seu país são
corruptos (Corrupção = 0)
0,5139
Fonte: Elaboração própria.
Resultados econométricos
Os resultados econométricos do modelo Logit Multinível, apresentados na Tabela 3,
permitem analisar a relação entre percepção de corrupção do poder executivo e aprovação
governamental na América Latina. O modelo foi estimado considerando 18 clusters
correspondentes aos países da amostra, assegurando a robustez dos erros-padrão.
Inicialmente, estimou-se o modelo nulo e foi calculado o Coeficiente de Correlação
Intraclasse (ICC). O valor encontrado, de 14,33%, indica que parcela expressiva da variação
na probabilidade de aprovar o governo é explicada pelo país de residência, o que justifica a
adoção do modelo multinível com intercepto aleatório no nível 2. Ademais, o teste de Wald
rejeitou a hipótese nula de que o coeficiente associado à percepção de corrupção seja igual a
zero, confirmando que essa variável apresenta relação estatisticamente significativa com a
probabilidade de aprovação governamental.
Tabela 3: Coeficientes estimados e efeitos marginais para a probabilidade de aprovação
governamental na América Latina
Variáveis
Coeficientes
Efeitos Marginais
Constante
- 1,0681***
(0,3222)
-
Corrupção
- 1,1580***
(0,1450)
- 0,1910***
(0,0194)
Idade
0,0111***
(0,0026)
0,0018***
(0,0004)
nero
- 0,0067NS
(0,0476)
- 0,0011NS
(0,0078)
AnosdeEstudo
- 0,0026NS
(0,0101)
- 0,0004NS
(0,0017)
Cor
- 0,0717NS
(0,0978)
- 0,0118NS
(0,0161)
Casado
0,0191NS
(0,0507)
0,0032NS (0,0084)
ClasseBaixa
- 0,1874NS
(0,2083)
- 0,0309NS
(0,0344)
ClasseMédiaBaixa
- 0,2003NS
(0,1900)
- 0,0330NS
(0,0312)
ClasseMédia
- 0,1521NS
(0,1802)
- 0,0251NS
(0,0296)
ClasseMédiaAlta
- 0,1722NS
(0,2350)
- 0,0284NS
(0,0389)
DistribuiçãoRenda
1,1064***
(0,1145)
0,1825***
(0,0193)
BoaSitEconomia
0,8639***
(0,1377)
0,1425***
(0,0214)
QualiDemocracia
0,8588***
(0,1101)
0,1416***
(0,0154)
Fonte: Elaboração própria.
Nota: *** representa 1% de significância; NS (Não significativo); Erros-padrão
robustos e clusterizados por país entre parênteses; Categoria de referência para a
variável de classe socioeconômica autorreportada = ClasseAlta.
A variável referente à percepção de corrupção mostrou coeficiente negativo e
estatisticamente significativo. Em termos de efeitos marginais, considerar que todos ou quase
todos os membros do poder executivo são corruptos reduz em aproximadamente 19,1 pontos
percentuais (p.p.) a probabilidade de aprovação governamental. Esse resultado se alinha à
literatura que evidencia associação inversa entre corrupção percebida e satisfação com os
governos (Ma et al., 2022; Habibov, Fan & Auchynnikava, 2019; Zhang et al., 2019; Lima
et al., 2022).
O mecanismo explicativo central é a erosão da confiança institucional. A percepção de
corrupção leva os cidadãos a acreditarem que agentes públicos priorizam interesses privados
em detrimento do bem-estar coletivo, reduzindo a legitimidade do governo e a crença na
efetividade das políticas públicas. Estudos clássicos sobre a América Latina apontam que a
região apresenta baixos níveis de confiança política, sobretudo nos contextos mais corruptos
e menos democráticos (Colen, 2010). Nessa linha, a corrupção mina a governabilidade,
fragiliza a capacidade estatal de coordenar políticas e afeta a atratividade de investimentos,
aprofundando crises políticas e econômicas (Rosa, 2004).
Outro aspecto relevante é o papel das instituições. Em sociedades nas quais predomina a
percepção de impunidade, a corrupção tende a ser vista como um comportamento recorrente
e sem punição efetiva, reforçando a sensação de injustiça social e de má alocação de recursos
públicos (Barricelli, 2022). Esse ambiente de fragilidade institucional contribui para que a
corrupção tenha efeitos particularmente intensos sobre a aprovação na América Latina, em
comparação a regiões com instituições mais consolidadas.
Os resultados também podem ser interpretados à luz dos efeitos econômicos da corrupção.
Desvios de recursos comprometem setores estratégicos, como saúde, educação, segurança e
infraestrutura, reduzindo a qualidade dos serviços públicos e, em última instância, a
satisfação dos cidadãos (Campos & Pereira, 2016; Ferreira & Morosini, 2013). Ademais, ao
gerar desconfiança nos mercados, a corrupção desestimula investimentos privados e pode
reduzir emprego e crescimento econômico, aprofundando o ciclo de desaprovação
governamental.
A influência da mídia merece destaque como mecanismo adicional. A ampla cobertura de
escândalos de corrupção, intensificada pela disseminação das mídias digitais, tende a
amplificar a percepção negativa dos cidadãos e a acelerar quedas de aprovação (Melo, 2010;
Baptista, 2018). Mesmo quando os governos apresentam indicadores econômicos
relativamente positivos, a exposição contínua a casos de corrupção reforça o desgaste
político.
No que diz respeito às demais variáveis de controle, aquelas relacionadas a gênero,
escolaridade, cor, estado civil e classes socioeconômicas autorrelatadas não foram
estatisticamente significativas. a idade apresentou efeito positivo, onde cada aumento de
um ano eleva em 0,18 ponto percentual a probabilidade de aprovar o governo. Esse resultado
está em consonância com as evidências de Habibov, Fan e Auchynnikava (2019) e de Ortiz
Ayala e García Sánchez (2014), segundo os quais indivíduos mais velhos tendem a ser mais
tolerantes a adversidades governamentais, possivelmente em função de maior experiência
acumulada.
Entre as variáveis relacionadas ao contexto socioeconômico e político, destacam-se três
resultados. Inicialmente, a percepção de distribuição de renda justa eleva em 18,25 p.p. a
probabilidade de aprovação, convergindo com Melgar, Rossi e Smith (2010), que apontam a
desigualdade como fator de insatisfação política.
Outrossim, considerar a situação econômica do país como boa ou muito boa aumenta em
14,25 p.p. a probabilidade de aprovação, em linha com evidências de Rosas e Manzetti
(2015), Baptista (2018) e Koeswayo, Handoyo & Abdul Hasyir (2024), segundo as quais o
desempenho econômico positivo pode, a certo ponto, mitigar os efeitos adversos da
corrupção.
Por fim, a percepção de qualidade da democracia mostrou efeito positivo e significativo, ou
seja, avaliá-la como satisfatória eleva em 14,16 p.p. a probabilidade de aprovação, o que
corrobora Colen (2010), para quem a consolidação democrática contribui para maior
legitimidade e apoio governamental.
5. Considerações Finais
O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre a percepção de corrupção do
poder executivo e a aprovação governamental nos países da América Latina. Para tal,
utilizaram-se dados do Latinobarómetro de 2018 e procedeu-se à estimação de um modelo
Logit Multinível, adequado para captar a estrutura hierárquica dos dados.
Os resultados evidenciaram a existência de associação negativa e estatisticamente
significativa entre a percepção de corrupção e aprovação governamental, confirmando a
hipótese de que níveis mais elevados de corrupção percebida reduzem substancialmente a
probabilidade de apoio ao governo.
Essa relação é consistente com evidências teóricas e empíricas destacadas na literatura e pode
ser explicada por diferentes mecanismos. O primeiro refere-se à erosão da confiança
institucional: ao perceberem que agentes públicos priorizam interesses privados, os cidadãos
tendem a reduzir sua confiança no governo, fragilizando sua legitimidade e comprometendo
a efetividade das políticas públicas. Esse processo é agravado pela fragilidade institucional
característica de vários países latino-americanos, marcada por elevados níveis de
impunidade, que reforçam a sensação de injustiça social e de má alocação de recursos.
Além disso, a corrupção impacta negativamente o desempenho econômico ao inibir
investimentos, limitar a geração de empregos e restringir a capacidade do Estado em oferecer
serviços públicos de qualidade. A cobertura midiática também exerce papel relevante, na
medida em que amplia a visibilidade dos escândalos de corrupção, muitas vezes em contextos
de deterioração econômica, contribuindo para acentuar a queda de aprovação dos governos.
Os resultados referentes às demais variáveis de controle indicam ainda que indivíduos mais
velhos e aqueles que avaliam positivamente a situação econômica, a distribuição de renda e
a qualidade da democracia em seus países tendem a apresentar maiores níveis de aprovação
governamental.
Cabe destacar uma limitação relevante deste estudo. Tanto a variável de interesse principal
quanto parte dos controles derivam do mesmo survey, o que pode acarretar viés de método
comum e correlação espúria entre percepções individuais. Essa restrição deve ser considerada
na interpretação dos resultados. Pesquisas futuras poderiam mitigar essa limitação ao
incorporar indicadores externos e independentes, como o Corruption Perceptions Index da
Transparency International ou variáveis macroeconômicas nacionais (inflação, desemprego,
PIB), de forma a reforçar a robustez das conclusões.
Em termos de políticas públicas, os resultados reforçam a importância de iniciativas voltadas
ao fortalecimento institucional e ao aumento da transparência na gestão pública. Medidas
como auditorias regulares das contas governamentais, capacitação periódica de servidores
em boas práticas administrativas e a definição clara de punições para atos ilícitos podem
contribuir para reduzir a corrupção e restabelecer a confiança dos cidadãos nos governos. Ao
diminuir a percepção de corrupção, abre-se espaço para uma alocação mais justa de recursos,
para o fortalecimento da democracia e para a criação de condições mais favoráveis ao
desenvolvimento econômico sustentável na região.
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