https://DX.DOI.ORG/10.14482/INDES.31.02.201.145
Telejornalismo contempor�neo no brasil. uma análise da cobertura da posse de Jair Bolsonaro e do papel desempenhado pelos telejornais ao informar
Periodismo televisivo contemporáneo en Brasil. Un análisis de la cobertura de la toma de posesión de Jair Bolsonaro y el papel que jugaron los noticieros televisivos en el reportaje
Luiz Felipe Novais Falc�o
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Luiz Felipe Novais Falc�o
Mestre em Comunica��o pelo ppgcom/ Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil. Orcid: (https://orcid.org/0000-0002-7266-6384). luizfelipefalcao@gmail.com
Resumo
O artigo busca verificar, a partir de reportagens de TV sobre a política, como o universo do poder executivo é tratado por tr�s diferentes emissoras brasileiras. Procura identificar a maneira como o telejornalismo brasileiro se comporta nesse tipo de cobertura e que pistas ele deixa emergir sobre sua autopercep��o ao informar. A metodologia é Análise da Materialidade Audiovisual, desenvolvida pelo Núcleo de Jornalismo e Audiovisual/UFJF e que compreende o audiovisual sem a fragmenta��o (áudio + vídeo + edi��o). Ela entende a produ��o de sentido e sua rela��o com os públicos a partir da experimenta��o do audiovisual integral. Aplicamos a ficha de análise proposta pelo método nas reportagens que criam narrativas sobre a posse de Jair Bolsonaro nos principais telejornais das tr�s emissoras (JN, RB e JR), cruzamos as informa��es extraídas para perceber, para além das diferentes linhas editoriais, a ontologia profissional comum as emissoras. O resultado aponta para adapta��es do "modo de fazer" telejornalístico e ainda para pistas da rela��o ruidosa entre o governo e os veículos de comunica��o no período.
Palavras-chave: Telejornalismo, política, Análise da Materialidade Audiovisual, narrativas telejornalísticas, Jair Bolsonaro.
Resumen
Este artículo busca verificar, a partir de reportajes televisivos sobre política, cómo el universo del poder ejecutivo es tratado por tres diferentes emisoras brasileñas. Busca identificar cómo se comporta el teleperiodismo brasileño en este tipo de coberturas y qué indicios deja emerger sobre su autopercepción al informar. La metodología es el Análisis de Materialidad Audiovisual, desarrollada por el Núcleo de Periodismo y Audiovisual/UFJF y que comprende audiovisuales sin fragmentación (audio + video + edición). Entiende la producción de sentido y su relación con las audiencias desde la experimentación del audiovisual integral. Aplicamos la ficha de análisis propuesta por el método en los reportajes que elaboran narrativas sobre la asunción de Jair Bolsonaro en los principales programas informativos de las tres emisoras (JN, RB y JR), cruzamos la información extraída para comprender, además de las diferentes líneas editoriales, la ontología profesional de los locutores comunes. El resultado apunta a adaptaciones del "modo de hacer" teleperiodístico y también a indicios de la ruidosa relación entre el gobierno y los medios de comunicación en el período.
Palabras clave: Periodismo televisivo, política, Análisis de Materialidad Audiovisual, narrativas teleperiodísticas, Jair Bolsonaro.
Fecha de recepción: diciembre 15 de 2022
Fecha de aceptación: febrero 17 de 2023
Introdu��o
Nos estudos do telejornalismo, assim como na cobertura de outras formas noticiosas e dos meios de comunica��o, n�o é rara a busca por verificar e analisar a linha editorial de veículos quando se trata de política. Os estudos se prop�em, geralmente, a observar as inclina��es político-partidárias e as interfer�ncias que os atores sociais e políticos exercem sobre a produ��o narrativa. S�o levantadas ainda perguntas de pesquisa ligadas a forma como os públicos recebem estas informa��es editorializadas e se mobilizam para altera��es no cenário eleitoral.
Embora estes aspectos e perguntas sejam importantíssimos para a compreens�o das rela��es e din�mica social mediada por narrativas jornalísticas aquilo que nos traz até aqui é questionar o que o telejornalismo contempor�neo, enquanto institui��o, entende como sendo o seu papel social ao informar. Para além das linhas editoriais, quais atitudes do fazer jornalístico dos profissionais envolvidos na cobertura da política deixam pistas para entendermos o que elabora como narrativa - ou pelo menos tenta elaborar - o telejornalismo no Brasil.
Neste estudo procuramos analisar o recorte temporal da cobertura da posse de Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019. Entendemos que, diante de uma campanha bastante polarizada como foi a disputa presidencial que levou o ent�o candidato do PSL (Partido Social Liberal)1 ao poder, diante do histórico das rela��es entre políticos e imprensa no Brasil, diante da participa��o popular e repercuss�o nas mídias sociais digitais, diante também do modelos de comunica��o existentes no Brasil e da hegemonia dos modelos comerciais, os posicionamentos editoriais e inclina��es políticas e ideológicas dos veículos de comunica��o estavam bastante pronunciados. A ponto de a própria disputa narrativa entre uma emissora e o já presidente Jair Bolsonaro se tornar, meses � frente, uma notícia em si, um factual, além de elemento de mobiliza��o social das audi�ncias frente aos factuais envolvendo a família do presidente.
É que no dia 18 de junho de 2020, o governo de Bolsonaro, já marcado por muitos esc�ndalos, teve o desfecho de um dos maiores: a pris�o de Fabrício Queiroz (acusado de estar envolvido no esquema de corrup��o chamado de "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro). Houve ainda a notícia da saída do Ministro da Educa��o, Abraham Weintraub, do governo. Diante da estratégia recorrente do presidente e seus apoiadores de deslegitima��o da imprensa a temperatura subiu e os públicos interessados na disputa por poder simbólico entre Globo e Jair Bolsonaro transformaram a cobertura em um fato por si só.
Em diversos vídeos compartilhados em suas plataformas e na de apoiadores, Bolsonaro investe agressivamente contra a imprensa e a TV Globo que, do outro lado, busca reafirmar o seu papel de intérprete principal da realidade nacional. A arma mais utilizada pela emissora de TV nessa batalha é o telejornal mais assistido do Brasil, o Jornal Nacional. Conhecedor da trama entre presidente e TV Globo, em um dia de notícias que fragilizam sensivelmente Jair Bolsonaro, o público n�o poderia deixar de esperar um capítulo marcante dessa disputa: uma "edi��o de colecionador" do Jornal Nacional. (Coutinho, Falc�o e Martins, 2020, p.6)
Eleito com 56,2 milh�es de votos2, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad (Partido dos Trabalhadores)3 com 55,5% dos votos válidos no segundo turno das elei��es, em outubro de 2018. Como acontece tradicionalmente no Brasil, a posse dos eleitos, é sempre no dia 01 de janeiro do ano seguinte e, seguindo os critérios de noticiabilidade (Silva, 2005), a cobertura ganha destaque e relev�ncia dados elementos como governo, impacto, tragédia, conflito, pol�mica, raridade, proemin�ncia, cultura, justi�a, curiosidade e proximidade. Alinhados a partir dos valores e intencionalidades de cada reda��o o ordenamento desses critérios pode variar e, claro, isso diz muito sobre como cada veículo enxerga o momento histórico de posse do presidente eleito.
É preciso levar em considera��o também que estes valores e critérios s�o acionados o tempo todo na cadeia de produ��o da notícia. Ao mesmo instante em que o processo se dá ancorado no posicionamento editorial do veículo, ele também é disparado individualmente pelos profissionais envolvidos e sofre interfer�ncia da recep��o dos públicos, interpreta��o, repercuss�o da notícia e da constru��o social do conhecimento.
Delimitar valores-notícia separadamente do conceito de sele��o de notícias, definir valores-notícia como atributos do acontecimento e reconhec�-los ao mesmo tempo como constru��o social e cultural é apenas um primeiro procedimento para pensar a noticiabilidade, cujo processo exige muitas outras reflex�es, passando, como etapas seguintes, pelo tratamento dos fatos noticiosos e pela interpreta��o que a notícia faz desses acontecimentos. (Silva, 2005, p.106)
Por essa raz�o, o recorte temporal deste trabalho é t�o substancial para analisar a complexidade da produ��o narrativa noticiosa e encontrar os elementos que determinam a forma de fazer telejornalismo, hoje, no Brasil. A cobertura de tr�s grandes telejornais (Jornal Nacional -Rede Globo-, Jornal da Record -Rede Record- e Repórter Brasil -TV Brasil-) configura-se assim como espa�o complexo em que se pode verificar aproxima��es e distanciamentos na cobertura da posse e, a partir delas, entender aquilo que é objetivo deste artigo.
Telejornalismo e política no Brasil
A rela��o entre política e televis�o no Brasil é pautada por interesses de poder que se expandem para as rela��es econ�micas e políticas desde o início da imprensa no país. Cibele Buoro (2010) defende que o jornalismo dependia (e ainda depende em grande medida) de anunciantes. Os donos do capital, desde a coloniza��o, estavam ligados � elite latifundiária e que também era a elite política. Logo "o domínio econ�mico foi o alicerce para institucionaliza��o do poder e o peso do poder econ�mico interferiu no jornalismo político". (Buoro, 2010, p.7).
O telejornalismo segue esta lógica. Na medida em que a tecnologia trouxe as telas, elas foram inseridas no cotidiano e pautadas pelas rela��es políticas e econ�micas. O telejornalismo enquanto um dos produtos da TV, entra na seara da discuss�o. Ele contribui para refor�ar, criar, disseminar, interpretar e reelaborar sentidos e narrativas dominantes.
Vis�o também defendida por César Bolaño (1999), que traz para a discuss�o um nível de detalhamento ainda mais significativo. Ao pensar nas rela��es de poder que gravitam ao redor da TV ele estabelece algumas determinantes estruturais ligadas �s rela��es entre indústria, telecomunica��es e informática. Esferas que, necessariamente, est�o vinculadas ao mercado hegem�nico e � política.
Luiz Felipe Miguel (2002) explica que a mídia contempor�nea, e por consequ�ncia o telejornalismo, difunde vis�es de mundo e projetos políticos. Para ele há um problema ligado � infidelidade dessas representa��es e ainda na incapacidade de atender todas as esferas sociais comprometendo o debate político. For�as desiguais que perpetuam a hegemonia que opera desde sempre compartilhando uma mesma vis�o restrita do mundo capitalista. Lógica que é cíclica dado que a tecnologia e a indústria, conforme já sinalizou Bolaño (1999), também seguem estruturando e dando suporte para a comunica��o.
Os telejornais cumprem a fun��o de sistematizar, organizar, classificar e hierarquizar a realidade. Dessa forma contribuem para a organiza��o de um mundo circundante. Partindo do entendimento do telejornalismo enquanto uma das engrenagens para sistematizar, organizar, classificar e hierarquizar a organiza��o do pensamento da sociedade e, portanto, coparticipante da constru��o simbólica, dos diálogos e até mesmo da educa��o (Vizeu, 2016) ele assume participa��o ativa na vida pública do Brasil e interfere nos valores, princípios, discursos, cultura.
Assim é for�oso reconhecer que dado o potencial de acesso da televis�o em toda a sociedade brasileira, dada a familiaridade das pessoas com as narrativas e a linguagem televisiva a "televis�o é atualmente um dos principais la�os sociais da sociedade individual de massa. (... ) A televis�o é a única atividade compartilhada por todas as classes sociais e por todas as faixas etárias, estabelecendo, assim, um la�o entre todos os meios (Wolton, 2004, p.135).
Exatamente por essa capacidade e abrang�ncia é que o tele-jornalismo se configura como importante espa�o para a disputa de poder simbólico. Ele exerce a fun��o de mediador de vis�es e projetos distintos que tentam arrebanhar cidad�os a partir de narrativas que tensionam a sociedade.
Pois é essa media��o é socialmente produtiva, e o que ela produz é densifica��o das dimens�es rituais e teatrais da política. Produ��o que permanece impensada, e em boa medida impensável, para a concep��o instrumental de comunica��o que permeia boa parte da crítica. Pois, o meio n�o se limita a veicular ou a traduzir as representa��es existentes, nem tampouco pode substituí-las, sen�o que come�ou a constituir uma cena fundamental da vida pública. E o faz introduzindo, no �mbito da racionalidade formal, as media��es da sensibilidade que o racionalismo do contrato social acreditou poder (hegelianamente) superar. Se a televis�o exige da política negociar as formas de sua media��o, é porque, como nenhum outro, esse meio lhe dá acesso ao eixo do olhar (Veron, 1987), a partir do qual a política pode n�o só penetrar o espa�o doméstico, como também reintroduzir em seu discurso a corporeidade, a gestualidade, Isto é, a materialidade significante de que está constituída a intera��o social cotidiana. (Martín-Barbero, 2018, p.15)
Cabe salientar aqui que o entendimento de poder e, por consequ�ncia, a disputa por ele se apoia ainda em Michel Foucault (1979) quando ele estabelece sofremos e manifestamos a��o do poder em medidas variáveis e em momentos distintos. Ele é fruto da intera��o de grupos sociais que exercem seu poder até que a naturalidade da "queda de bra�o" se instale e promova o discurso dominante. As emissoras de TV, como atores dessa din�mica estariam disputando narrativamente o discurso e suas vis�es de política baseadas nos interesses também econ�micos e, dessa forma, mobilizando pessoas e ocupando espa�os e vendo crescer seu poder de influ�ncia. É um ciclo de rela��es de for�a que se retroalimentam a partir do audiovisual e contribuem significativamente para a constru��o cultural do Brasil.
Na perspectiva da cultura visual a interpreta��o se constitui como prática social que mobiliza a memória do ver, aciona e entrecruza sentidos da memória social construída pelo sujeito. Influenciadas pelo imaginário do lugar social as interpreta��es configuram processos de constru��o de sentidos e significados. (Martins, 2006, p.73)
Assim, as reportagens de cunho político, manufaturadas no interior de reda��es que constroem narrativas fortemente marcadas (org�nica ou intencionalmente) por posicionamentos sociais, econ�micos e políticos. Cabe verificarmos, a partir da perspectiva distintas de cada veículo, como essas vis�es de Brasil e da sua vida pública s�o elaboradas e entregues aos públicos. É fundamental levar em considera��o também a rela��o dos públicos com os veículos, a sua interpreta��o, o momento em que a notícia é veiculada e o contexto da experimenta��o audiovisual para entender um pouco de que modo o telejornalismo contempor�neo se comporta. Nesse sentido, a escolha metodológica extrapola a observa��o discursiva, extrapola a recep��o pura e simples assim como também n�o é suficiente apenas uma análise crítica da narrativa. É preciso unir elementos das mais diferentes metodologias e mobilizá-los num instrumento capaz de dar respostas � pergunta de pesquisa que investigamos.
A Análise da Materialidade Audiovisual, uma metodologia para entender a experimenta��o audiovisual e a produ��o de sentido em toda sua complexidade
Já tratamos aqui da complexidade de compreens�o da disputa narrativa pelo poder por intermédio do telejornalismo. Para tanto, escolhemos um momento significativo e de tensionamento elevado no posicionamento das emissoras para investigar as diferen�as e semelhan�as e, a partir daí, formular o entendimento do que elas fizeram sob o rótulo do telejornalismo e, por uma lente crítica observar tudo que está ao redor dos fatos e das narrativas desses fatos.
Sem uma vis�o crítica e sem um sentido de responsabilidade, as pessoas podem ser manipuladas pela crescente diversidade de imagens -de arte, publicidade, fic��o e informa��o- que, de modo aparentemente inofensivo, invadem e acossam nosso cotidiano. A ideia de que as imagens t�m vida cultural e exercem poder psicológico e social sobre os indivíduos é o bord�o que ampara a cultura visual. (Martins, 2006, p.73)
Diante do que nos interessa analisar recolhemos, a partir dos repositórios das tr�s emissoras (Rede Globo, Rede Record e TV Brasil), as reportagens aqui analisadas sobre a posse de Jair Bolsonaro, Um total de 27 produtos jornalísticos. Na sequ�ncia, desenvolvemos eixos de análise a partir da pergunta de pesquisa. Essa organiza��o do formulário de análise faz parte do processo de metodologia cunhado nas pesquisas do Núcleo de Jornalismo Audiovisual da Universidade Federal de Juiz de Fora sob coordena��o da pesquisadora Iluska Coutinho (2018).
Ao optar por observar o telejornalismo considerando sua dimens�o audiovisual como unidade, defende-se que as opera��es de análise em que os procedimentos envolvam a decomposi��o/transcri��o de códigos como forma de descrever reportagens, noticiários ou outros programas televisivos, descaracterizariam sua forma de enuncia��o/ produ��o de sentido, distanciando-se da sua experi�ncia de consumo e mesmo de sua verdade intrínseca. (Coutinho, 2018, p.187)
Foram desenvolvidos seis eixos de análise que se complementam. Cada uma das pe�as audiovisuais levadas ao ar, na edi��o de cada um dos telejornais, no dia 01 de janeiro de 2019 é submetida ao conjunto de perguntas. Cabe destacar que os eixos s�o fundamentados nas teorias da comunica��o que se relacionam com cada uma das quest�es que v�o observar desde a estrutura até a val�ncia das reportagens.
1. A ficha técnica de cada um dos vídeos que dá a dimens�o estrutural da narrativa. Se é uma reportagem, um ao vivo, se tem repórter ou uma nota, quanto tempo de dura��o, personagens e fontes envolvidas.
2. A análise narrativa do que o veículo endente como sendo o seu papel (intérprete da realidade, promotor de identidades, prestador de servi�o, fiscal do poder ou articulador da sociedade). Aqui avaliamos em que medida se coloca como controlador do poder, instrumento pedagógico ou ainda entretenimento.
3. A val�ncia do assunto abordado no audiovisual é o foco neste terceiro eixo. A investiga��o é se a angula��o e a forma d�o conta de abordagens positivas, neutras ou negativas da temática.
4. O quarto eixo se dedica � val�ncia da imagem do presidente Jair Bolsonaro e a constru��o de seu personagem.
5. Ainda sobre o presidente, este eixo se presta a tipificar as características atribuídas ao presidente.
6. Por fim, a análise neste eixo é dedicada aos elementos democráticos, de pluralidade e diversidade do conteúdo analisado.
A seguir, destacamos de maneira descritiva e avaliativa o conteúdo das reportagens exibidas no Jornal Nacional, no Jornal da Record e no Repórter Brasil. A escolha dos telejornais, refor�amos, se deu em fun��o do recorte mais amplo da pesquisa de doutorado que leva em considera��o as diferen�as editoriais pronunciadas das duas emissoras comerciais e o caráter de uma emissora inicialmente pública, mas que assumiu características institucionais, a partir de 2016, com o impeachment sofrido pela presidente Dilma Rousseff. A amplitude de perspectivas constitui terreno fértil para o entendimento das quest�es aqui levantadas.
A posse de Jair Bolsonaro sob tr�s perspectivas - o que pensam e como os telejornalistas constroem suas narrativas
Repórter Brasil
A cobertura do Jornal da TV Brasil teve um espa�o de pouco mais de 22 minutos com oito materiais audiovisuais sobre a cobertura da posse de Jair Bolsonaro. A maior parte da ancoragem e das cabe�as4foi feita por uma repórter, ao vivo, que chamou cada um dos assuntos. As reportagens tiveram como tema a presen�a dos eleitores de Jair Bolsonaro, o esquema de seguran�a refor�ado, o destaque do discurso de Bolsonaro pelo fim da corrup��o, os detalhes da solenidade do trigésimo oitavo presidente do Brasil, o posicionamento do Papa em rela��o a momento político do país, a repercuss�o nos jornais do mundo e a distribui��o dos eleitores pela esplanada dos ministérios.
É importante destacar que a cobertura superestimou em cinco mil pessoas a mais o público. Sobre o esquema de seguran�a cabe destacar a op��o por mostrar e falar sobre ele de dentro da central de monitoramento, dando a dimens�o do acesso da emissora como espa�o privilegiado.
Pode-se dizer de uma cobertura mais enxuta e com menos interpreta��o. Contudo alguns destaques favoreceram a imagem do presidente como o caso do destaque para a promessa de governar sem conchavos, a receptividade do primeiro ministro de Israel, a nomea��o de Sérgio Moro como ministro, a denomina��o de Bol-sonaro como sendo, a partir da posse o comandante supremo das for�as armadas e, por fim, a volta antecipada do presidente peruano em fun��o de esc�ndalos de corrup��o envolvendo a Odebrecht5.
Do ponto de vista narrativo, na maior parte da cobertura a emissora conseguiu se estabelecer como interprete da realidade e prestador de servi�o. Em alguns aspectos transitou no papel de controlador de poderes e ainda com passagens rápidas pelo entretenimento. A angula��o foi em grande parte neutra, mas com inclina��o a uma cobertura positiva até mesmo em fun��o do caráter celebrativo da ocasi�o. A imagem de Bolsonaro n�o teve muitos exageros ou adjetiva��es. As reportagens o trataram como presidente exceto quando o elevaram a "comandante supremo" como mencionado anteriormente.
Sobre os elementos de cidadania da cobertura, eles ficaram restritos a sonoras pontuais de eleitores que foram acompanhar a posse, mas sem nenhum grau de profundidade nas declara��es. Acreditamos ter sido uma cobertura mais ágil, sem exageros com uma inclina��o menos positiva do que se poderia sugerir dado o histórico de emparelhamento e desmonte da comunica��o pública no Brasil desde que o presidente anterior � Bolsonaro, Michel Temer, dissolveu o Conselho Curador da EBC retirando o seu caráter de emissora pública.
Jornal Nacional
A cobertura do Jornal Nacional foi a maior das tr�s emissoras: 43 minutos em onze materiais distintos sobre a posse de Jair Bolsona-ro. O telejornal alternou a cobertura entre entradas ao vivo do próprio Willian Bonner ancorando o telejornal de Brasília, acionando outros repórteres também ao vivo e chamando as reportagens que traziam como tema a recep��o no Palácio do Itamaraty, a promessa do pacto nacional feita pelo presidente, assim como a afirmativa de deixar de lado a divis�o ideológica. A Rede Globo também tratou dos chefes de Estado que participaram da solenidade, detalhou o aparato de seguran�a e descreveu o comportamento dos eleitores do presidente na Pra�a dos Tr�s Poderes. Além disso o Jornal Nacional falou sobre a equipe de governo e dos 22 ministros, apresentou uma biografia da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, trouxe curiosidades sobre o Palácio da Alvorada onde a família do presidente vai morar assim como a última noite na Granja do Torto. Por fim, a emissora tem uma reportagem especial, com 2 minutos e 42 segundos sobre os bastidores da cobertura que ela mesma montou para a posse.
As imagens da abertura do Jornal d�o o tom da relev�ncia da cobertura e v�o pontuando as características e o quantitativo do eleitorado que celebrou a posse do presidente. Demonstrando um papel de instrumento de exercício ou de controle do poder diante da relev�ncia do assunto uma vez que Bonner se desloca do estúdio para apresentar o JN de Brasília.
Ao vivo, o repórter Vinícius Leal fala do dia de trabalho bastante cheio no Itamaraty, da conversa com as representa��es internacionais e o papel da imprensa em noticiar o que é relevante para o dia do Brasil e descreve ambiente, solenidades e ritos acionando um papel pedagógico na cobertura.
É importante registrar que, para além da descri��o de toda a cerim�nia, ao longo da cobertura o tom da emissora foi a de colocar o presidente em condi��o de fragilidade política, afirmando que muitas das autoridades ser�o essenciais nas negociais do novo governo com o congresso.
Ainda sobre as figuras públicas presentes na cerim�nia, a Rede Globo destacou que Wilson Vitzel (ex-governador do Rio de Janeiro entre 01/01/2019 e 30/04/21, condenado a deixar o cargo por meio de um impeachment que o julgou por corrup��o6 e Marcelo Bretas (Juiz da opera��o Lava Jato) saíram juntos do plenário. O repórter afirma que a imagem, para muitos, indica que será um governo de combate a corrup��o. Entretanto a imagem mostra uma situa��o um tanto quando diferente: o Juiz Marcelo Bretas um pouco atrás com uma mulher assim como o governador do Rio. Em momento algum da imagem se olham ou conversam. A imagem mostra que eles saíram sequencialmente foi a narra��o do repórter que atribuiu valor a saída dos dois "juntos". Neste ponto verificamos uma indu��o a uma narrativa de combate a corrup��o associando a imagem do Juiz da coordena��o da opera��o com um dos, na época, aliados políticos de Bolsonaro.
Outro ponto curioso da cobertura foi a reportagem de Delis Ortiz come�ar com a seguinte frase "O comboio presidencial com o presidente saiu do Congresso pela contram�o para a última parada: o palácio do Planalto". E cabe aqui um trecho do pensamento de Raimundo Martins (2006) publicado na revista Visualidades:
Imagem est�o vestidas e revestidas por ideias e pontos de vista gerais e individuais, por valora��es e sotaques alheios e muitas vezes estrangeiros. Esses elementos se entrela�am, �s vezes se fundem e frequentemente se entrecruzam. Toda obra ou imagem é, de certa forma, uma opini�o social e as formas artísticas e imagens est�o encharcadas de valora��es sociais. A interpreta��o crítica se fundamenta em teorias contempor�neas que abrem espa�o para pensar arte e imagem como parte e práxis de uma comunidade interpretativa, de uma cultura visual. Fundamenta-se também no princípio de que arte e imagens nos interpelam e nos formam, os significados mudam, mas ao mesmo tempo revelam uma dimens�o do nosso pensamento coletivo e de nossas proje��es, imaginárias ou sociais. Como concep��o pedagógica, a interpreta��o crítica é uma abordagem transdisciplinar ou multidisciplinar que trata arte e imagem como narrativas socioculturais no contexto de diversas práticas sociais. (p.76)
A edi��o dos trechos do discurso presidencial no Planalto e a edi��o das imagens merece nossa aten��o quanto � produ��o de sentido. Neles está a fala em que Bolsonaro diz que o povo come�a a se libertar do socialismo (com o sobe som da multid�o), se libertar da invers�o de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto.
A repórter destaca a parte em que ele fala do respeito a democracia e respeito a constitui��o. No discurso Bolsonaro fala ainda em deixar de lado as ideologias e é contundente ao classificá-las como nefastas, que destroem valores e tradi��es, destroem as famílias e alicerces da sociedade.
O trecho seguinte, escolhido pela edi��o (corte escondido por uma imagem da multid�o), mostra o presidente dizendo que vai implementar as reformas necessárias, ampliar infraestruturas, desburocratizar e simplificar, tirar a desconfian�a do governo de quem trabalha e quem produz. Além disso o presidente diz combater a ideologia que defende bandidos e criminaliza policiais (novo sobe som da multid�o). Reforma e combate a corrup��o s�o pautas defendidas com recorr�ncia pela emissora que se vale do discurso presidencial para refor�ar a narrativa, mesmo estando explicitamente crítica � Bolsonaro.
O Jornal Nacional, das tr�s emissoras, foi o único que trouxe uma fonte especialista em rela��es internacionais para fazer uma análise de conjuntura e de como os países podem se comportar diante do Brasil a partir das aus�ncias e presen�as de representantes de países na posse, recados claros para a política externa. A reportagem destacou ainda o veto aos convites de Cuba, Venezuela e Nicarágua.
Sobre a primeira-dama, o telejornal dedicou uma reportagem inteira. Para além da participa��o no evento, desfilaram uma bibliografia que construiu a imagem de uma mulher discreta, de Ceil�ndia -uma das cidades mais pobres da regi�o, de fibra e pulso.
O Jornal Nacional por ter dado um tempo de cobertura maior, também demonstrou mais inclina��es editoriais. Se colocou como intérprete da realidade, como um promotor das identidades de brasileiros que acreditam nas ideias do presidente eleito, fiscal de poder e ainda como tendo um espa�o pedagógico na medida em que descreve os ritos, apresenta lugares e traz curiosidades como foi feita na reportagem que contou a história do palácio da Alvorada.
A cobertura foi crítica, demonstrou as fragilidades do presidente, descreveu um pouco da rela��o de for�as que vai precisar equilibrar com os demais poderes. A cobertura só elevou o tom de celebra��o nos momentos em que a pauta econ�mica foi trabalhada. A abordagem sobre os aspectos democráticos e cidad�os assim como nas demais coberturas teve um papel secundário.
Cabe chamar aten��o mais uma vez para a exalta��o que a TV Globo faz de si própria e da logística criada para fazer "a maior cobertura de posse já realizada". Ela segue uma tend�ncia da emissora de mostrar os bastidores como forma de valorizar o trabalho e o esfor�o feito para levar informa��o. O que para nosso trabalho é importante de ser observado: é uma imagem sobre o jornalismo que se quer contar e introjetar na narrativa para os públicos.
Jornal da Record
O Jornal da Record dedicou 27 minutos do seu tempo em oito reportagens. Como os outros tr�s telejornais, descreveu como aconteceu passo a passo o cerimonial do evento. Deus destaque para as autoridades presentes, fez men��o a uma participa��o discreta de Michel Temer, assim como mostrou os líderes mundiais presentes. O telejornal abordou a repercuss�o internacional, mostrou o juramento de Jair Bolsonaro e falou sobre a participa��o do público de diversas partes do Brasil presente.
A cobertura Especial feita pela emissora tem um tom festivo. Já no anúncio da primeira reportagem a cabe�a da apresentadora fala em surpresas e chama aten��o para as 100 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. Trazendo, já de início, uma propor��o do evento.
Ao longo das reportagens é interessante apontar a constru��o interpretativa de alguns dos fatos eleitos para ter destaque na cobertura como, por exemplo, a falta de presen�a dos partidos de oposi��o na posse e a crítica dos apoiadores do presidente.
Da mesma maneira, o telejornal tenta reduzir a imagem do antecessor de Jair Bolsonaro afirmando que Michel Temer teve uma participa��o discreta e que deixou para o novo presidente resolver a reforma da previd�ncia e o novo salário-mínimo. Além disso, a repórter utilizou a passagem, tradicionalmente um ponto de destaque da narrativa telejornalística, para falar da reprova��o recorde de Temer (85%) e da perda do foro privilegiado.
O tempo todo as imagens da cobertura do evento d�o a dimens�o de espa�os lotados e pessoas empolgadas. Há na narrativa men��o � facada que o presidente levou e ainda destaca as promessas de campanha.
Outra informa��o que chama aten��o foi o fato de o repórter enfatizar que a campanha de Bolsonaro foi a mais barata. Em outro momento, causa estranheza uma express�o que o repórter exagera na entona��o da frase: "Comandante, assim como do Brasil e chefe das tropas armadas".
A cobertura se dedica ainda a criar uma aura de cordialidade, proximidade, quebra de protocolo e espa�o inédito para a primeira-dama e para a família: filho que pega carona no carro oficial, a m�e que acompanha a posse.
O Jornal da Record mostra as lideran�as sul-americanas com um tom de que mantiveram a política de boa vizinhan�a, deixando na entrelinha as rela��es conflituosas com os posicionamentos políticos de alguns vizinhos.
O ent�o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu ganham destaque na narrativa. A reportagem dá demonstra��es de uma inclina��o editorial favorável de Jair Bolsonaro com Israel dadas as quest�es religiosas envolvidas nesse contexto sócio-político. É importante lembrar que a TV Record é controlada por uma denomina��o neopentecostal.
Um dos fatos curiosos na cobertura feita pela emissora é uma retomada de todo conteúdo ao fim do jornal. Uma repeti��o clara daquilo que queriam pontuar positivamente na edi��o e chancelada pelo público. As apresentadoras em tom mais empolgado, na cabe�a da reportagem, convidam para o público assista aos momentos de "descontra��o e quebra do protocolo" (o presidente comeu cachorro quente, conversou com o povo, "viu e foi visto"). E ainda d�o destaque a participa��o da primeira-dama, Michelle Bolsonaro que "surpreendeu".
A cobertura traz relevo, inclusive, para o sobe som de o "capit�o chegou", com os gritos dos apoiadores de Jair Bolsonaro em vários momentos. A busca pela objetividade jornalística é diretamente amea�ada quando o repórter classifica o dia como sendo um dia histórico em que muitos brasileiros estiveram na capital do país para renovar os votos por um Brasil diferente e mais justo.
Conclus�o: o telejornalismo diante da cobertura noticiosa no Brasil
Ao lan�ar olhar para as aproxima��es e distanciamentos da cobertura da posse verifica-se que mesmo diante de momentos de entretenimento e de caráter pedagógico assumidos pelas emissoras, os telejornais majoritariamente informaram. É precipitado dizer que, para a pesquisa da tese completa, os resultados ser�o os mesmos uma vez que este trabalho se prop�e a ser uma utiliza��o inicial e restrita da metodologia. Mas claramente já dá indicativos do que podemos encontrar nas análises dos seis meses seguintes.
É indiscutível perceber desde as primeiras reportagens o alinhamento editorial que caminha para demonstrar a simpatia da TV Record, as reservas por parte da Rede Globo e a busca pelo caminho do meio, sem exageros da TV Brasil. Acreditamos que este posicionamento da emissora n�o comercial se d� muito em fun��o dos próprios jornalistas que s�o funcionários públicos federais e ao mesmo tempo em que t�m estabilidade n�o sabem exatamente o que esperar do novo governo logo preferiram a cobertura mais próxima do factual no melhor estilo "para n�o dizer que n�o falei das flores".
É interessante frisar que mesmo diante de um crescente da participa��o de telespectadores e vídeos amadores nas grades de programa��o, em nenhum momento das coberturas observamos o uso de material audiovisual que n�o fosse feito pelos profissionais das emissoras. Este é um indicativo de que, para coberturas de maior relev�ncia, o amador n�o tem espa�o e refor�a a import�ncia dos profissionais da informa��o. Boa parcela interpretativa do factual esteve concentrado em imagens selecionadas, entrevistas com especialistas e detalhes secundários das informa��es principais que pontuavam as narrativas. Mais importante que esses elementos serem analisados individualmente e soltos é o exercício de olhar para o conjunto que a edi��o e as rela��es no momento do contato com o audiovisual operam. É esta din�mica de constru��o e experimenta��o audiovisual que informa, forma e estabelece os vínculos políticos, culturais e econ�micos como já bem observou Martín-Barbero (2018) ao pensar as rela��es entre mídia, política e cultura.
Mais do que objetos de políticas, a comunica��o e a cultura constituem hoje um campo primordial de batalha política. O estratégico cenário que exige que a política recupere sua dimens�o simbólica, sua capacidade de representar o vínculo entre o cidad�o, o sentimento de pertencimento a uma comunidade para enfrentar a ilus�o da ordem coletiva que é o mercado. (Martins-Barbero, 2018, p.15)
Pensar no papel do telejornalismo contempor�neo é procurar pelos pontos em que os gatilhos de mobiliza��o dos públicos se definem, sejam eles pela informa��o pura, pela interpreta��o e pela constru��o pedagógica ou ainda pela busca mais informal do entretenimento. O trabalho dos profissionais de comunica��o, muitas vezes, está em entrar na disputa por poder simbólico, criando narrativas de uma cultura que as emissoras se prop�em a moldar e perpetuar. É na rela��o de produ��o, na experimenta��o e na interpreta��o do audiovisual que se estabelece novos espa�os para o jornalismo ou o caminho para o refor�o de premissas e cristaliza��o de algumas práticas e valores profissionais.
1 O Partido Social Liberal foi fundado em 30 de outubro de 1994. Em outubro de 2021, o partido se uniu ao Democratas para formar um novo partido, o Uni�o Brasil, aprovado pelo TSE em 2022. Disponível em: https://psl.org.br/opsl/ ; acesso em: 01/03/23.
2 Acesso em 12/02/22. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/10/28/jair-bolsonaro-e-eleito-presidente-do-brasil.
3 O Partido dos Trabalhadores foi fundado em fevereiro de 1980. É um partido político que integra um dos maiores movimentos de esquerda da América Latina. disponível https://pt.org.br/; acesso em: 01/03/23.
4 Como definiu Martins (2008), Cabe�a de VT é a parte do texto correspondente ao "lide" da reportagem lido durante a apresenta��o É a parte Introdutória da matéria feita pelo repórter.
5 Odebrecht é uma empresa brasileira de engenharia e constru��o civil que, a partir de 2014, passou a ser investigada pela opera��o Lava Jato por denúncias de corrup��o em contratos milionários com a Petrobrás. Disponível em: https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/odebrecht/ ; acesso em: 27/02/23.
6 Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2021-05-01/tribunal-confirma-impeachment-de-witzel-que-da-adeus-a-politica-por-5-anos.html; acesso em: 27/02/23.
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