HTTPS://DX.DOI.0RG/10.14482/INDES.31.02.025.861

A gera��o de valor com a prática de consumo de redes sociais*

La producción de valor con la práctica del consumo en redes sociales

Laianna Maiara Januário Alves

Universidade Federal da Paraíba, Brasil

Diogo Lopes de Oliveira

Universidade Federal de Campina Grande e Universidade Federal da Paraíba, Brasil

Laianna Maiara Januário Alves

Autora do trabalho. Mestre em Comunica��o e Culturas Midiáticas pela Universidade Federal da Paraíba, Brasil, sem bolsa de apoio � pesquisa. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6997-8627. laiannamaiara@gmail.com

Diogo Lopes de Oliveira

Orientador do trabalho. Professor de Comunica��o Social da Universidade Federal de Campina Grande (ufcg) desde de junho de 2013, professor permanente da Pós-Gradua��o em Comunica��o da Universidade Federal da Paraíba (ufpb) a partir de abril de 2021 e Secretário Regional Paraíba da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci�ncia (sbpc), a partir de junho de 2021. Doutor em Comunica��o Pública pela Universit�t Pompeu Fabra (2012), mestre em Comunica��o Científica, Médica e Meio Ambiental pela mesma institui��o (2007). E graduado em Comunica��o Social - Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (2005). Orcid: https://orcid.ORG/0000-0002-8486-9824. diogo.lopes@professor.ufcg.edu.br


Resumo

O objetivo do artigo é refletir sobre a gera��o de valor de troca a partir do consumo de sites de redes sociais. A partir do conceito de indústria cultural, proposto por Adorno e Horkheimer (1985), é possível inferir que a teoria da escola de Frankfurt dialoga com a monetiza��o de produtos culturais e a produ��o e consumo destes de maneira alienada. Por meio do método do materialismo histórico dialético de Karl Marx -o qual permite a compreens�o de uma síntese de ideia apenas após o confronto de uma tese concreta com a sua nega��o abstrata- o trabalho conclui que é necessária uma regulamenta��o na obten��o, uso e venda de dados dos usuários nessa sociedade em contexto de plataformas digitais.

Palavras-chave: Consumo, produ��o, redes sociais, dados, algoritmos.


Resumen

El propósito del artículo es reflexionar sobre la generación de valor de cambio a partir del consumo de sitios de redes sociales. A partir del concepto de industria cultural, propuesto por Adorno y Horkheimer (1985), es posible inferir que la teoría de la escuela de Frankfurt dialoga con la monetización de los productos culturales y su producción y consumo de forma alienada. A través del método del materialismo histórico dialéctico de Karl Marx -que permite la comprensión de una síntesis de idea sólo después de la confrontación de una tesis concreta con su negación abstracta- el trabajo concluye que es necesario regular la adquisición, uso y venta de datos de los usuarios de esta sociedad en el contexto de las plataformas digitales.

Palabras clave: Consumo, producción, redes sociales, datos, algoritmos.

fecha de recepción: diciembre 15 de 2022. fecha de aceptación: enero 25 de 2023


Introdu��o

Se a revolu��o industrial1 modificou toda a economia, sociedade e o comportamento humano para produzir e consumir em alta escala e de maneira padronizada, tal modifica��o n�o se restringiu apenas aos itens de compra, mas também a cultura, meios de comunica��o e informa��o. As manifesta��es culturais também passaram a ser vistas como produtos fabricados de forma semelhante a quaisquer outros produtos industriais: em série exatamente como numa linha de montagem (Hohlfeldt et al., 2001).

Nesse modo de produ��o, a cultura passa a ser perecível, vista como produto trocável por dinheiro para ser consumido como qualquer outro, e n�o como instrumento de crítica e conhecimento. De acordo com Teixeira Coelho (1985, pp. 11 e 12), "uma cultura que n�o vale mais como algo a ser usado pelo indivíduo ou grupo que a produziu e que funciona, quase exclusivamente, como valor de troca (por dinheiro) para quem a produz". Foi entendendo esse modo de produ��o cultural, visando o lucro e a expans�o de mercados, que o termo cultura de massas foi substituído pelo de cultura industrial ou industrializada ou, ainda, indústria cultural.

Com o avan�o da globaliza��o e expans�o das tecnologias de comunica��o, os sites de redes sociais e a cibercultura se confirmaram como "a consolida��o da indústria cultural global" (da Silva, 2017, p. 14). Apoiando-se na defini��o de Recuero (2009), os sites de redes sociais s�o sistemas que possuem mecanismos de individualiza��o (por meio da personaliza��o e constru��o do eu); mostram a exposi��o pública dos sites de rede social de cada ator; e possibilitam, entre outras fun��es, as suas intera��es nesses sistemas (quase sempre através de comentários) e a manuten��o dos la�os sociais estabelecidos no espa�o off-line.

Neste artigo, será discutida, portanto, a gera��o de valor de troca a partir do consumo de sites de redes sociais. Para tanto, será apresentada uma breve revis�o da literatura sobre indústria cultural, teoria da escola de Frankfurt que dialoga com a monetiza��o de produtos culturais e a produ��o e consumo destes de maneira alienada.

Com o levantamento de referencial pode-se concluir que os ideais capitalistas est�o por trás da disseminada ideia de igualdade e liberdade individual dos receptores (da Silva, 2017). Se antes, os dados dos usuários eram oferecidos ao final de uma compra, hoje eles s�o disponibilizados gratuitamente ao longo das intermináveis barras de rolagens. A partir desse comportamento, n�o é apenas o bombardeamento com objetos de consumo que s�o lan�ados de acordo com o interesse alimentado e rastreado pelos algoritmos. O próprio receptor se reifica em mercadoria gerando valor com seus cliques nesse imbri-camento da vida com a tecnologia de maneira constante.

Sobre a indústria cultural

O termo indústria cultural se consolidou ainda mais na segunda metade do século XX com o capitalismo monopolista, que visava a domina��o da oferta de determinado servi�o ou produto. Neste modelo econ�mico de grandes conglomerados empresariais com alta concentra��o no capital financeiro, a publicidade direta e indireta cumpriu (e ainda cumpre) importante papel de inflar as necessidades de consumo (Coelho, 1985).

Para Marx (2013), os seres humanos s�o intrinsecamente criativos e produtivos e expressam isso através do trabalho. Tendo óculos de sol como exemplo de acessório de vestuário, logo, um produto da moda e valor cultural. Antes da revolu��o industrial, um artes�o produzia as lentes, a arma��o e era responsável até pela venda dos seus produtos nas ruas, ou seja, pensava e estava presente em todo o processo, enxergando-se diretamente como criador daquele produto. Depois da revolu��o industrial, esse mesmo artes�o só se torna responsável por uma parte muito específica do processo, servindo como mais uma pe�a para o funcionamento da engrenagem da máquina de produ��o em série. Assim, o trabalho perde este caráter humanizado e criativo. Se antes o trabalhador poderia ver no seu trabalho a extens�o do seu ser e viver, hoje a estrutura de produ��o industrial o encaminha para viver para trabalhar. Esse processo é alienante porque separa a pessoa da sua própria ess�ncia, sua personalidade e paix�es e passa a entender o trabalho apenas como forma de sobreviv�ncia.

Todo esse processo de aliena��o na sociedade capitalista comp�em a rela��o direta com a reifica��o, o processo de se transformar em coisa, em outras palavras, a coisifica��o. Segundo Coelho (1985):

Para essa sociedade, o padr�o maior (ou único) de avalia��o tende a ser a coisa, o bem, o produto, a propriedade: tudo é julgado como coisa, portanto, tudo se transforma em coisa - inclusive o homem. E esse homem reificado só pode ser um homem alienado [...], enfim, em rela��o a tudo, alienado de seus projetos de vida de país, de sua própria vida, uma vez que n�o disp�e de tempo livre, nem de instrumentos teóricos capazes de permitir-lhe a crítica de si mesmo e da sociedade. (Coelho, 1985, p. 11)

Ainda de acordo com Coelho (1985, p. 26), os produtos dessa indústria promovem o conformismo social a partir do "refor�o das normas sociais repetidas até a exaust�o sem discuss�o''. O autor complementa com outros aspectos centrais do funcionamento da indústria cultural que s�o consequ�ncia ou subprodutos do refor�o ao conformismo:

a indústria cultural fabrica produtos cuja finalidade é a de serem trocados por moeda; promove a deturpa��o e a degrada��o do gosto popular; simplifica ao máximo seus produtos, de modo a obter uma atitude sempre passiva do consumidor; assume uma atitude paternalista, dirigindo o consumidor ao invés de colocar-se � sua disposi��o. (Coelho, 1985, p. 26)

Por meio dos seus produtos, o público termina consumindo aquilo que já está predestinado para a categoria na qual pertence, oferecendo uma suposta hierarquia de qualidades em série, que serve somente � sua quantifica��o. De acordo com Guaita (2003, p. 22), isso acontece porque "todos t�m direito a uma etiqueta [...]. Cada um carrega consigo as marcas, os signos consumidos de acordo com sua situa��o econ�mica".

Segundo Horkheimer e Adorno (1985, p. 116), "algo está previsto para que ninguém escape, as distin��es s�o acentuadas e difundidas", imperando assim a serializa��o, imita��o e, por consequ�ncia, certa previsibilidade dos produtos da indústria cultural. De acordo com Coelho (1985, p. 11) o produto cultural é padronizado de acordo com as normas gerais em vigor, "como em uma espécie de kit para montar, um tipo de pré-confec��o feito para atender necessidades de gostos médios de um público que n�o tem tempo de questionar o que consome". Inúmeros sites de redes sociais ou plataformas de streaming, por exemplo, já foram produzidos e seguem tendo basicamente a mesma estrutura e meta: reter a aten��o dos seus consumidores. Mesmo que haja usabilidades diferentes, tecnologias mais caras ou mais baratas, focadas em públicos diferentes, o objetivo segue o mesmo, atravessando fronteiras para vendas escalonadas.

A indústria cultural no digital

É por meio da globaliza��o que uma notícia, por exemplo, acaba sendo transmitida e chegando mundo afora pela rede mundial de informa��o e sua World Wibe Web (www). Silveira (2004), aponta como a globaliza��o gera um efeito, principalmente sobre os jovens, criando identidades biculturais. Esse conceito, criado por Arnett (2002), indica como consequ�ncia psicológica derivada da globaliza��o a exist�ncia dessa identidade, especialmente de adolescentes, com raízes na cultura local, mas com fortes influ�ncias diretas da cultura global.

Por cultura entende-se como depositária da informa��o social ao reproduzir e conservar memórias, artefatos simbólicos e materiais de gera��o em gera��o. Dessa forma, "torna-se o primeiro momento de constru��o conceitual da informa��o, como artefato, ou como processo que alimenta as maneiras próprias do ser, representar e estar em sociedade" (Marteleto, 1995, p. 91).

Já a cultura global é compreendida como aquela liderada pelo norte global, em que países desenvolvidos do ocidente provocam valores individualistas, consumistas, de liberdade de mercado e democracia (Silveira, 2004, p. 46).

Assim, corroborando o que prev� a teoria da indústria cultural, o "jeito de vida" ou como é mais conhecido "way of life" do "sonho americano" continua vendendo o ideal de mobilidade econ�mica para a popula��o mais pobre. Uma possibilidade que foge � regra do ciclo da pobreza e da riqueza nos países mais desenvolvidos de capitalismo imperialista e, ainda mais exce��o, nos países pobres de países subdesenvolvidos do capitalismo dependente. No caminho para o sonho americano, o aumento de produtividade, terceiriza��o do trabalho, como também demiss�es e redu��o do emprego formal com redu��o de salários, perdas de direitos trabalhistas e previdenciários (Antunes, 2009).

É difícil n�o separar a influ�ncia da cultura global para a popula��o que usa frequentemente a internet. A globaliza��o do "eu" no ciberespa�o, reflete em uma exist�ncia individual transformada com os dados midiáticos e imediatos chegando sem horário e fronteiras. Um "eu" que vai além de um indivíduo despersonalizante, definido a partir de uma - ou várias - perten�as de uma comunidade e um lugar que ele se origina socialmente ou ocupa por períodos limitados (Dubar, 2000, p. 6). Um "eu" que é um sujeito individual ativo em rela��o �s perten�as coletivas, pois se constitui no �mbito de uma a��o. Ou seja, é uma a��o - globalizada - que constitui um sujeito. Tudo isso na lógica de integra��o global de toda sociedade (da Silva, 2017, p. 13).

As tecnologias s�o mais do que ferramentas a serem aplicadas, mas sim processos a serem desenvolvidos. Como afirma Marx (2013, p. 446) "a tecnologia desvela a atitude ativa do homem [e da mulher] em rela��o � natureza, o processo imediato de produ��o de sua vida e, com isso, também de suas condi��es sociais de vida". Para Rafael Grohmann (2020, p. 93) "As tecnologias s�o fruto do trabalho humano, e o desenvolvimento tecnológico refere-se �s for�as produtivas e �s rela��es de produ��o".

Segundo Castells (1999), nas tecnologias das plataformas digitais, no mar do ciberespa�o, os usuários e criadores podem navegar como iguais, e assim os usuários podem assumir o controle da tecnologia. O sociólogo espanhol ainda compara tal realidade com os processos sociais de cria��o da cultura e de for�as produtivas, na qual todos os sujeitos se encontram via mercado e podem escolher seu próprio estilo de vida de acordo com o consumo.

Contudo, como traz Rafael Grohmann (2020, p. 97), apesar dos algoritmos serem produzidos a partir de trabalho humano -como qualquer outra tecnologia - e contar com as intera��es das pessoas comuns, "é uma falsa simetria pensar que ambas as atividades est�o no mesmo patamar", uma vez que os provedores de informa��es est�o em posi��o de privilégio para reescrever a compreens�o da vida cotidiana. Assim, da mesma forma que a inst�ncia mediadora do mercado aliena quem de fato é produtor de tudo que está ali, a no��o de que criadores e usuários s�o iguais e desempenham o mesmo uso no ciberespa�o também é alienante.

Método de pesquisa

A rela��o entre realidade objetiva e as tentativas para compreend�-la e representá-la no conhecimento é uma problematiza��o própria de um determinado método, o dialético. Por isso, esta forma de apreender os fen�menos e construir a análise é considerada como uma das metodologias mais convenientes para a compreens�o da realidade social.

Para a compreens�o do que estaria "por trás" do aparente, o método dialético chama a aten��o para os processos sociais que levam ao fetichismo. De acordo com Duarte (2003, p. 9) "[... ] as pessoas só v�em aquilo que está imediatamente presente e n�o conseguem analisar o fato imediato � luz da totalidade social. O fetichismo é um fen�meno próprio do mundo da cotidianidade alienada [...]".

Para o materialismo histórico dialético, o processo de apreens�o do mundo empírico com o contexto da investiga��o é apenas a manifesta��o fenom�nica da realidade particular em suas significa��es individuais, ou seja, se desenvolvem � apar�ncia do próprio fen�meno. Fundamentado neste princípio marxiano, Kosik (1976) prega que "a ess�ncia do fen�meno n�o está posta explicitamente em sua pseudoconcreticidade (concreticidade aparente), n�o se revelando de modo imediato, mas sim, pelo desvelamento de suas media��es e de suas contradi��es internas fundamentais".

Dessa forma, a base epistemológica base deste artigo é o materialismo histórico dialético, o método de compreens�o sobre a realidade para além do fen�meno, enxerga a exist�ncia dos seres humanos dentro de um contexto histórico, de acordo com as rela��es materiais da sociedade humana e promovendo a��o para transforma��o.

Partindo para o conceito de dialética, Giane Vargas Escobar (2017) apresenta a historicidade desta palavra remontando-a a Plat�o, que utilizava "dialética" como a "arte do diálogo". De acordo com Escobar (2017, p. 190), a compreens�o sobre dialética sai de um sin�nimo de lógica formal na Idade Média e se expande no século XVII, indo além da no��o de argumenta��o e abrangendo as "contradi��es que se d�o na realidade e n�o apenas no transcurso de um debate". Como explicita Raymond Williams em Palavras-chave:

Para Kant, a crítica dialética mostrava o caráter reciprocamente contraditório dos princípios do conhecimento quando esses eram estendidos �s realidades metafísicas. Para Hegel, tais contradi��es eram superadas, tanto no pensamento como na história mundial [...]; o processo dialético era, portanto, a unifica��o contínua dos opostos, na complexa rela��o das partes com o todo. Uma vers�o desse processo -a famosa tríade tese, antítese e síntese- foi elaborada por Fichte. (Williams, 2007, pp.141-142)

Tem-se ent�o a dialética como um movimento. Conforme a discuss�o hegeliana (Fernandes, 2020, p. 62) de abstrato-negativo-concreto a "tese" carrega uma contradi��o em si mesma (é abstrata) e, por isso, resulta na antítese, precisando passar pelo negativo para chegar ao concreto. Assim, para Sabrina Fernandes (2020, p.63), a dialética "n�o pode ser pin�ada e examinada sob um microscópio". É necessariamente histórico e social. Um movimento vivo que impede uma análise de um fen�meno social separado do seu contexto e dos demais fen�menos em que está relacionado. Nas palavras de Fernandes (p. 66), "Na história, n�o é possível ter duas panelas de caramelo no fogo e se concentrar em mexer apenas uma, como se a outra n�o fosse empedrar e queimar no processo" - e assim se transformar em outro fen�meno.

A dialética do materialismo-histórica é uma concep��o marxiana que se difere e se op�e � dialética hegeliana, uma vez que Hegel apoiava seu método no ideal. Já sobre a materialidade, Marx afirmava:

Meu método dialético, em seus fundamentos, n�o é apenas diferente do método hegeliano, mas exatamente seu oposto. Para Hegel, o processo de pensamento, que ele, sob o nome de Ideia, chega mesmo a transformar num sujeito aut�nomo, é o demiurgo do processo efetivo, o qual constitui apenas a manifesta��o externa do primeiro. Para mim, ao contrário, o ideal n�o é mais do que o material, transposto e traduzido na cabe�a do homem. (Marx, 2013, p. 90)

Segundo Yamauti (2006, pp. 241-242), a proposta de Marx previa o come�o pelo real e concreto, ou seja, "pelo que se sup�e efetivo, pelo concreto inicialmente representado", assim como Hegel. No método marxista, o real empírico deve ser decomposto em representa��es mais simples, para passar pelo processo da análise. Ainda conforme Yamauti (2006), "As categorias, os conceitos, princípios e hipóteses da teoria escolhida pelo pesquisador devem facilitar a identifica��o dos elementos parciais constituintes do objeto de investiga��o isolados mediante a opera��o de análise".

O método dialético sup�e que o conhecimento da estrutura da realidade social, enquanto totalidade concreta, na medida em que propicia o conhecimento de suas contradi��es essenciais, é o suficiente para a compreens�o do movimento de transforma��o que denominamos história. (Yamauti, 2006, p. 244)

Isso quer dizer que, para Marx, é a teoria que surge como resultado da realidade material e é refletida mentalmente a posteriori, e n�o que há uma depend�ncia do ideal para conhecer a realidade (Fernandes, 2020, p. 65). Em exemplo, há o conhecimento do que seja um copo, n�o por possuir em princípio a ideia de copo e assim associá-la ao objeto copo em sua materialidade. Ao contrário, há o conhecimento do que seja um copo materialmente falando, pelas suas características e fun��es -que podem ser historicamente analisadas- para formar a ideia de copo.

Segundo Zen e Sgarbi (2008), para a epistemologia marxista do matérialismo histórico dialético, os fen�menos sociais só s�o compreendidos na dialética entre singularidade, particularidade e universalidade.

a perspectiva materialista histórico-dialética apresenta como características: estar direcionada � objetividade do real; buscar conhecer os nexos constitutivos da realidade a ser pesquisada captando no plano do pensamento as contradi��es do movimento do objeto; analisar o movimento e os conflitos presentes nas contradi��es; considerar a realidade como uma totalidade em que as partes est�o interconectadas com o todo e o todo com as partes; compreender a provisoriedade de todo conhecimento humano e sua transitoriedade; considerar que o processo de conhecer a realidade é histórico e, portanto, inacabado; o processo de conhecimento busca superar a apar�ncia fenom�nica da realidade em dire��o � sua ess�ncia; o próprio pensamento deve ser transformado no processo da pesquisa, n�o se convertendo em doutrina ou uma camisa de for�a, que obriga a realidade a se enquadrar em sua teoria. (Zen & Sgarbi, 2008, p. 92)

Assim, para Marx o processo de conhecimento no materialismo histórico-dialético, acarreta na investiga��o da realidade, na busca de conhecer sua ess�ncia, para além de suas manifesta��es do fenom�no e na exposi��o, por meio do pensamento crítico do movimento real do objeto, ou seja, da ess�ncia que o constitui. Desse modo, o pensamento crítico em torno das redes sociais pela indústria cultural é a própria metodologia analítica presente neste artigo que busca compreender a gera��o de valor de troca a partir do consumo de sites de redes sociais.

Como já apresentado no exemplo do copo, a compreens�o pelo método marxiano parte da materialidade, do real imediato, para o concreto pensado. A implementa��o desse método, porém, n�o termina aí, já que - segundo Martins e Lavoura (2018, p. 14) - "as estruturas analíticas constitutivas do concreto pensado" ser�o refutadas com o objeto inicial. É nesse contraponto que Marx prop�e o materialismo da práxis, sintetizado nas célebres "Teses sobre Feuerbach" (1994).

Nessa obra marxiana, Marx tece críticas a Feuerbach porque este segundo filósofo tinha o materialismo dialético apenas como contemplativo, gerador de teorias humanas, e n�o transformador. Isso significa que Feuerbach se limitava na rela��o materialismo-consci�ncia, n�o propondo prática, conflito e mudan�a. De acordo com o próprio Marx (1994), "É na práxis que o ser humano tem que provar a verdade", salientando a import�ncia transformar, além de interpretar.

Práxis remete a concep��o histórica. Em todo fen�meno social presente, há contextos do passado para que o "hoje" fosse assim. Conhecer a história, compreendendo que seu processo foi fruto da atividade humana e suas rela��es entre pensamento e a��o é fundamental para se entender o contexto material atual (Fernandes, 2020, p. 67). Mesmo a dialética materialista indicando que a realidade existe mesmo sem a consci�ncia tomar consci�ncia é fundamental para fazer antítese e, assim, o contraponto para a nova síntese. Esse resultado precisa ser concreto, uma solu��o que se sustente e fa�a sentido na realidade dos seres humanos (Fernandes, 2020, p. 65).

Pelo exposto, a produ��o intelectual marxista perpassa diretamente uma quest�o ético-política. De acordo com Marx (2013), o conhecimento sobre a materialidade histórica é apenas a assimila��o e reprodu��o intelectual dos fen�menos por parte da consci�ncia. E, como traz Martins e Lavoura (2018, pp. 230-231), "A altera��o [da exist�ncia concreta do fen�meno] apenas se revela possível quando a atividade teórica orienta a interven��o prática transformadora da realidade". Ou seja, n�o basta compreender o mundo, é preciso transformá-lo.

Discuss�o

Para mudar a realidade ainda, n�o basta apenas ideias diferentes. Marx prop�e que se construam condi��es, entendendo que elas n�o se fazem em uma bolha. Como já dito, as condi��es de mudan�a ocorrem no movimento histórico, que n�o é determinista, mas é determinante. Assim, os fatos que ocorrem hoje n�o s�o somente fatos, eles surgem de rela��es históricas complexas. E esse movimento histórico é dialético, uma vez que n�o necessariamente fato X + fato Y desencadeará no fato Z.

Essa contradi��o de abstrato + negativo = concreto, que se transformará ent�o na próxima tese a ser questionada, rebatida, testada, modificada e gerar sempre novas evolu��es de novas sínteses é que faz o materialismo histórico-dialético ainda t�o atual, útil e primordial para esse trabalho que se debru�a sobre a produ��o de valor presente no consumo de sites de redes sociais.

Idealmente, ent�o, o ciberespa�o seria o local adequado a possibilitar a troca de mensagens de maneira igualitária. Entretanto, como aponta da Silva (2017, p. 13), o sujeito está, na verdade, entregue ao poder das redes interconectadas geridas por "grandes corpora��es que determinam seus códigos e seus comportamentos".

O materialismo histórico se debru�a em como as estruturas embasam a materialidade da vida, impedindo ou gerando condi��es para as escolhas do presente e do futuro (Fernandes, 2020, p. 69). Como exemplo existem classe, ra�a, g�nero e, como citado, grandes corpora��es, que n�o s�o meros recortes, mas sim estruturas.

Discorrer sobre o materialismo dialético e os eventos sociais embasados nessas estruturas, atualmente, de opress�o, n�o é reduzir a nada as a��es individuais de resist�ncia e mudan�a. Há ag�ncia, mas essa ag�ncia n�o é absoluta. Conforme Sabrina Fernandes (2020, p. 69): "Temos escolhas, mas alguns tem mais escolhas que outros -e o leque de escolhas varia também".

O problema inicial no qual este trabalho parte é a tese de que redes sociais promovem outros tipos de consumo, mas para tanto reifica seus usuários em mercadorias, como mais um produto (e o de maior express�o) da indústria cultural. Entretanto, os usuários também s�o reificados como uma pe�a da engrenagem dessa indústria cultural, � medida que utilizam as redes sociais, produzem e trabalham, visto que alguém lucra com tais cliques (Saunders, 2021).

Sobre o trabalho abstrato e concreto, ou seja, atividade humana que cria valor e valor de uso, Marx (2013) trazia:

Por um lado, todo trabalho é um gasto da for�a de trabalho humana, no sentido fisiológico, e é nesta qualidade de ser igual, ou abstrato, trabalho humano que ele forma o valor de commodities. Por outro lado, todo trabalho é um gasto da for�a de trabalho humana de uma forma particular e com uma finalidade definida, e é nesta qualidade de ser trabalho útil concreto que ele produz valores de uso. (p. 137)

Beller (2006, p. 199) apresentada a economiza��o do olhar como a base da expans�o do capital com "as zonas ainda n�o alienadas do corpo como a nova fronteira [...] para a produ��o". Para o pesquisador (p. 14) a reconfigura��o da lógica do capital e, portanto, do trabalho e da acumula��o está na imagem se tornando "essencial para a gest�o geral, organiza��o e movimento da economia".

De volta a Saunders (2021), a autora escreve:

A visualidade é a base da evolu��o do capitalismo ao longo do século XX, que viu as formas de trabalho e os ideais de produtividade se estenderem para novas áreas da subjetividade humana e para novos cantos e qualidades do tempo humano. Desenvolvimentos em formas dominantes de trabalho e estruturas de acumula��o ao longo do último século que foram explorados através de lentes de trabalho imaterial, trabalho digital, trabalho livre, autonomismo e pós-industrialismo, e que se tornaram profundamente ligados ao crescimento das tecnologias digitais, est�o fundamentalmente ligados � visualidade. (p. 2. Tradu��o da autora)

A centralidade do visual para o desenvolvimento do capitalismo está intrinsecamente ligada � centralidade das tecnologias digitais para esta evolu��o econ�mica. E para o confronto negativo, ou a nega��o da tese, ou antítese, existe a queda dos impérios digitais. Na prática - ou práxis - há a regulamenta��o da obten��o, uso e venda de dados em cima dos usuários que s�o mais uma forma de acúmulo de capital. Segundo Fisher e Fuchs (2015), tanto os teóricos marxistas e n�o marxistas concordam que o capitalismo tem sido historicamente o sistema social mais flexível e adaptável.

Portanto, precisamos de uma estrutura teórica flexível e adaptável para dar conta das constantes e variáveis nos ambientes sociais em constante mudan�a que enfrenta. A teoria do valor-trabalho é um dos princípios fundamentais da teoria do materialismo histórico de Marx e de sua compreens�o do capitalismo. É a teoria que conecta o valor � estrutura de classes e que revela as rela��es sociais exploradoras que est�o por trás dos pre�os das mercadorias. (pp. 3-4. Tradu��o da autora)

Desse modo, a antítese da regulamenta��o está completamente associada � luta anticapitalista, o que n�o é exagero ou uma quest�o ultrapassada para um problema contempor�neo. O capitalismo, mais do que é um sistema econ�mico é, também, um sistema social e de crises (Fernandes, 2020, p. 69) em que rege todos os aspectos da vida humana. Em outro texto, Fisher (2010, p. 141) descreve a expans�o do capitalismo conectada com as tecnologias digitais: "A produ��o em rede é capaz de mobilizar for�as de produ��o que foram até ent�o inexploradas e inacessíveis (como tempo livre), evasivo (como alegria e divers�o) [...] há uma grande afinidade entre o novo capitalismo e a nova tecnologia" (tradu��o da autora).

As tecnologias digitais se desenvolveram e intensificaram enormemente o significado econ�mico da visualidade, com a economiza��o do olhar, das emo��es, das rela��es e da sociabilidade comunicativa ocorrendo por meio de fen�menos necessariamente visuais de telas e interfaces. (pp. 2-3. Tradu��o da autora)

Saunders (2021, p. 5) demonstra como essas formas digitais de produtividade por meio da visualidade exigem um trabalho material. Grohmann (2020) também escreve sobre o processo de produtividade digital. Mas no caso, ele se debru�a quanto ao trabalho invisível dos dados, que funcionam a partir do acúmulo e abastecimento por meio de algoritmos:

Há um mantra que vem sendo repetido no mundo dos negócios: 'Os dados s�o o novo petróleo'. Do ponto de vista da import�ncia financeira nada mais verdadeiro. Contudo, os dados n�o s�o produtos naturais; eles precisam ser apropriados e construídos por meio do [... ] extrativismo de dados. Esses dados atuam, pois, no modo de produ��o capitalista em processos de documenta��o, filtragem e extra��o. [...] Se dados e algoritmos s�o uma antessala para o capitalismo atual -sendo um de seus mecanismos-, a financeiriza��o é seu próprio modo de acumula��o de riquezas. (pp. 98-99)

Os dados e algoritmos s�o, portanto, fundamentais na estrutura da sociedade em contexto de plataformas digitais (Grohmann, 2020). A antítese aqui proposta é anticapitalista para a tese de que o consumo das redes sociais gera valor e é, portanto, trabalho; o resultado construtivo - ou seja, a síntese ou a nega��o da nega��o -é, concretamente, uma sociedade pós-capitalista sem publicidade e lucro em cima das pessoas pelo seu uso das redes.

Desse modo, compreendendo que os fen�menos sociais est�o sempre sujeitos a for�as que encontram sustento por meio das estruturas, eles n�o s�o meros frutos de uma rela��o entre causa e consequ�ncia. Inserido no sistema econ�mico e social - logo, estrutural - capitalista é mais simples propor e construir ideias capitalistas, porque o capitalismo é a estrutura ao redor. Por isso mesmo, conforme Fernandes (2020, p. 71), "transformar radicalmente o mundo é uma tarefa t�o pesada, já que enfrenta desafios imediatos e as estruturas em si".

Nas palavras de Grohmann (2020, p. 93), "Em sentido marxiano, só há valor nas tecnologias como mercadorias por causa da materializa��o (ou objetifica��o) do trabalho humano abstrato em sua produ��o". Tal rompimento das estruturas é, como já exposto, uma antítese de práxis. Essa uni�o e sucess�o de fatos históricos que ocorrem ao mesmo tempo s�o características da compreens�o dialética da realidade material, uma vez que n�o existe movimento dialético de cada vez e todos possuem níveis de interdepend�ncia e contradi��o.

Conclus�o

Considerando as redes sociais como mais um produto (e o de maior express�o) da indústria cultural, na cadeia produtiva do consumo de conteúdo digital os usuários s�o coisificados, ou objetificados no trabalho humano abstrato, ou ainda, reificados em mercadorias. Desse modo, a partir de um levantamento teórico, este trabalho pode inferir um maior imbricamento dos conceitos de produ��o e consumo. No ciberespa�o torna-se mais t�nue a linha que separa tais processos, uma vez que a prática de consumir conteúdo nas redes digitais exigem um trabalho material por meio da visualidade, ou economiza��o do olhar.

A ades�o quase obrigatória, (de quem quer ter/fazer sucesso) ultrapassa as famosas trincheiras de posicionamento político-ideológico que colocavam a produ��o cultural de contesta��o ou da chamada contracultura em oposi��o ao que era denominado de cultura de massa e, mais tarde, indústria cultural. Agora o campo de batalha é comum e os algoritmos balizam o que fazer dos atores e atrizes que se alimentam e retroalimentam o sistema produ��o/ consumo cultural.

A teoria da indústria cultural, como toda e qualquer indústria no sistema capitalista, identifica e adapta-se rapidamente aos novos processos de produ��o, buscando a melhor maneira de sobreviver e extrair mais riqueza. É o capitalismo construindo novos altares ao deus lucro. Desta vez com as ofertas dos próprios devotos que oferecem em sacrifício seus dados pessoais, gostos e prefer�ncias como forma de acesso ao culto da sociedade espetacularizada.

Pelo método do materialismo histórico dialético de Karl Marx -o qual permite a compreens�o de uma síntese de ideia apenas após o confronto de uma tese concreta com a sua nega��o abstrata- o trabalho conclui que os dados e algoritmos s�o, de fato, fundamentais na estrutura da sociedade em contexto de plataformas digitais sociedade. Sendo assim, faz-se necessária uma prática - ou práxis - de regulamenta��o na obten��o, uso e venda de dados em cima dos usuários, gerando um enfrentamento para uma sociedade pós-capitalista sem publicidade e lucro em cima das pessoas pelo seu uso das redes.


* Artigo de reflex�o interpretativa e crítica a partir da pesquisa Impacto da indústria cultural no ciberativismo sobre aborto no Brasil: a disputa de narrativa acerca do caso de aborto infantil induzido na cidade do Recife em agosto de 2020, concluída no Mestrado em Comunica��o e Culturas Midiáticas pela Universidade Federal da Paraíba, Brasil, em julho de 2022.

1�A Revolu��o Industrial foi o período de desenvolvimento tecnológico do surgimento das indústrias, transformando métodos de produ��o artesanais para a manufatura, passando a utilizar máquinas, carv�o (em substitui��o a madeira e outros biocombus-tíveis), uso crescente da energia a vapor e da água e com fabrica��o de novos produtos químicos e processos de produ��o de ferro. A revolu��o teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII, país com grande popula��o em meio urbano � procura de empregos após os cercarmentos de terras no campo e com uma burguesia com alto capital financeiro. Em poucas décadas, a revolu��o industrial se espalhou pelo mundo (em especial para a Europa Ocidental e os Estados Unidos), causando grandes transforma��es na economia mundial, assim como no modo de vida da humanidade, uma vez que acelerou a explora��o da natureza e a produ��o de mercadorias. Além disso, a revolu��o industrial foi responsável por grandes transforma��es no processo produtivo e nas rela��es de trabalho, devido a submiss�o do ritmo de trabalho humano ao ritmo das máquinas, explora��o do trabalhador e divis�o do trabalho, consolidando assim, o processo de forma��o do capitalismo (Hobs-bawm, 2014).


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